CHELSEA: A história recente
Depois de 4 modestos anos de Claudio Ranieri (entre as épocas 2000/01 e 2003/04) – traduzidos em dois 6º lugares, um 4º lugar e um 2º lugar a 11 pontos do Arsenal de Wenger - Roman Abramovich decidiu apostar num jovem treinador português, que acabara de espantar a europa do futebol, para projectar um CHELSEA vencedor.
José Mourinho chegou, viu e venceu… para espanto do povo inglês, um treinador de um país periférico venceu a Premier League na sua época de estreia (2004/05) de forma categórica (vantagem de 12 pontos para o anterior campeão Arsenal de Wenger) e projetava jogadores conhecidos mas que estavam ainda longe de ser as estrelas planetárias em que se tornaram: Petr Cech, John Terry, Frank Lampard e Didier Drogba.
50 anos depois o CHELSEA FC voltava a ser Campeão, juntando ao título a vitória na Taça da Liga. No ano seguinte – em que muitos apostavam ser impossível repetir a proeza perante os mais consolidados M.United e Arsenal – a história repetir-se-ia e os homens de Mourinho (de facto “The Special One”) sagrar-se-iam Bi-Campeões (2005/06) vencendo ainda a Supertaça Inglesa. Em 2006/07, na terceira época (e ultima completa) de Mourinho em Stamford Bridge o campeonato fugiria para por 6 pontos para a equipa de Sir Alex Ferguson, no que não seria uma época em branco fruto das vitórias nas Taças de Inglaterra e da Liga Inglesa.
Na época seguinte (2007/08), o desejo por “novos palcos e novos desafios”, o cansaço de guerras internas com Avram Grant e as intromissões do milionário patrão, ditaram a saída de Mourinho e o fim do ciclo mais positivo da história dos “Blues”.
De lá para cá nunca mais o Chelsea conseguiu ser tão dominador – excepto na época de 2009/10 em que Carlo Ancelotti venceu o campeonato – tendo ao comando de 2007 à actualidade 6 técnicos: Avram Grant (2º em 07/08), Scolari e Hiddink (3º em 08/09), Ancelotti (1º em 09/10 e 2º em 2010/11), André Villas-Boas e…Di Matteo (5º à 30ª Jornada em 2011/12).
A todos eles, como no seu tempo a Mourinho, e para lá da vitória obrigatória na Liga Inglesa, Roman Abramovich pediu sempre a máxima consagração, entenda-se, a vitória na Champions League ou, no mínimo, chegar à sua final.
CHELSEA: A actualidade
O Chelsea de Mourinho seria provavelmente temível para o Benfica de então… o Chelsea actual – ainda que incontornavelmente um duro osso de roer (fruto de um orçamento incomensuravelmente superior) – não será necessariamente impossível de ultrapassar.
Internamente a realizar a pior época desde as primeiras duas de Ranieri (de 2000 a 2002), o Chelsea chega aos Quartos de Final da Campions League depois de inverter em sua casa (com recurso a prolongamento) uma desvantagem de 3-1 no estádio San Paolo em Nápoles (onde chegou estar a vencer com golo de Mata).
Se o jogo da 2ª volta é um claro sinal de força e crença, já o da 1ª volta foi um claro indicador de que fora de portas – perante um adversário que o confronte “olhos nos olhos” – esta equipa não é tão avassaladora como foi em anos recentes…and Specials.
Entre o jogo em Nápoles e em Londres fechou-se o ciclo Villas-Boas e a prova que Mourinho é irrepetível, por ser único e original. Mourinho conquistou um plantel de jovens jogadores sedentos de sucesso e fez deles os seus principais aliados… Villas-Boas, ao invés, quis dominar um plantel de jogadores já mais veteranos, milionários e campeões.
Antes do Nápoles nos Oitavos de Final, a equipa Londrina dominou o Grupo E em que se classificou à frente do Bayern Leverkusen, Valencia e Genk. Em 6 jogos (em que marcou 13 e sofreu 4) fez o pleno em casa (3 vitórias), tendo perdido na Alemanha (2-1) e empatado em Espanha e na Bélgica (ambos 1-1).
Na Premier League o Chelsea ocupa actualmente, jogada a 30ª Jornada, a 5ª posição fruto de 15 jogos fora e outros tantos em casa.
Em Stamford Bridge os “Blues” perderam 3 jogos (3-5 com Arsenal, 1-2 com Liverpol e 1-3 com Aston Villa), empataram 3 (1-1 com Fukham, 3-3 com o M.United e o último neste sábado no nulo com o Tottenham) e venceram 9. Fora de casa, os Londrinos perderam já por 5 vezes (destaque para os 3-1 e 2-1 nas deslocações a Manchester, com United e City, respectivamente), empataram 5 e ganharam outras 5… mais equitativo seria difícil.
QUE CHELSEA NA LUZ?
Fruto da visibilidade do campeonato inglês - de que Jorge Jesus é um confesso apaixonado - dificilmente o CHELSEA conseguirá surpreender tacticamente o Benfica, quer na Luz quer em Stamford Bridge. Curiosamente, também o contrário será verdade, apesar do provável menor acompanhamento do campeonato Luso por Roberto di Matteo.
Jogarão a seu favor as contratações recentes de Ramires e David Luiz (ambos perfeitamente identificados com o pensamento de jogo de Jorge Jesus com quem foram Campeões em Portugal) e, sobretudo, a relevante campanha do Benfica na Champions onde “atirou borda fora” o United de Sir Alex Ferguson.
Quem segue o CHELSEA, sabe que este pensa, joga e respira em 4x3x3, com Di Matteo, como fora com Villas-Boas… convertendo-se em 4x4x2 apenas e só quando a necessidade a tal obriga… bem diferente do CHELSEA campeão de Ancelotti que jogava em 4x4x2 (nesse tempo, atras de TORRES e DROGBA jogavam LAMPARD, ESSIEN, MALOUDA e ANELKA).
No seu esquema e realidades actuais, será legitimo acreditar que 6 nomes serão certamente titulares, a saber:
O Checo PETR CECH na baliza, JOHN TERRY no centro da defesa, ASHLEY COLE como lateral esquerdo, o Brasileiro RAMIRES (“queniano azul” devorador de transicções) e LAMPARD como médios interiores direito e esquerdo, o Espanhol MATA como médio-ala esquerdo, o qual (pela sua velocidade e mobilidade) é quem dá alma e tenacidade ao ataque da equipa.Praticamente certos estarão igualmente o veloz STURRIDGE, como médio-ala direito, e o Costa-Marfinense DROGBA, como homem mais adiantado.
As dúvidas serão pois essencialmente 3:
· quem jogará como defesa lateral direito?
· quem jogará no eixo da defesa ao lado de John Terry?
· quem jogará como médio mais recuado, alguns metros à frente dos centrais?
Como lateral direito, o Sérvio IVANOVIC foi titular na deslocação ao Manchester City (penúltima jornada) tendo saído para o lugar do Português BOSINGWA, que foi titular na última partida (recepção este sábado ao Tottenham) mas substituído na função por… David Luiz. Excepto se impossibilitado por motivos físicos, IVANOVIC será o mais sério candidato para a posição, já que para lá da sua veia concretizadora (foi dele o golo no prolongamento que afastou o Nápoles), a sua envergadura confere maior capacidade à defesa londrina num jogo em que esta será, provavelmente, menos atacante do que se espera em Stamford Bridge (onde, então sim, BOSINGWA pode ter prioridade… sobretudo se o jogo da 1ª Mão obrigar o CHELSEA na 2ªMão a ter a iniciativa atacante do jogo).
Para actuar a central, ao lado do capitão John Terry, surgem dois candidatos (assumindo que IVANOVIC será “puxado” para lateral): o brasileiro DAVID LUIZ e o inglês GARY CAHILL.
Para o internacional brasileiro, jogar na Luz (casa que nele apostou e projectou internacionalmente) teria certamente um gosto especial. Titular na deslocação ao City (Terry estava indisponível) e suplente utilizado, na recepção ao Tottenham…como lateral direito, DAVID LUIZ não atravessa contudo, fisicamente, um dos seus melhores momentos.
Já GARY CAHILL, contratado no mercado de inverno ao Bolton, foi titular nas últimas duas partidas, tendo inclusivamente sido seu o golo que deu a vantagem ao CHELSEA em casa do City, na penúltima jornada, pelo que pareceria partir em vantagem para tal posição… não fosse talvez o maior conhecimento que DAVID LUIZ terá de jogadores como Cardozo, Saviola, Gaitan, Aimar, Javi, Luisão, etc. Veremos qual a opção de Di Matteo.
Boa parte do sucesso do CHELSEA, neste primeiro jogo e nesta eliminatória, assentará, não duvido, na escolha do segundo central… Parece óbvio que o CHELSEA da actualidade perdeu o factor que dele fez forte no seu melhor período recente: a segurança defensiva (que nunca mais foi a mesma desde que a dupla TERRY/CARVALHO se desfez).
Para o lugar de médio defensivo à frente da defesa – mas mais do que um “trinco”, o primeiro a lançar as transicções ofensivas da equipa – o Ganês ESSIEN recuperou, na jornada deste sábado, a titularidade que fora do Nigeriano OBI MIKEL na deslocação a casa do City na jornada anterior. O Espanhol ORIOL ROMEU confere maior qualidade de passe, logo de saída em posse de bola, mas fixa menos a estrutura do que MIKEL ou ESSIEN e talvez por isso não seja a primeira escolha para o jogo da 1ª Mão. Igualmente elegível para a função estará o Português RAUL MEIRELES, sendo que este pode contudo jogar uns metros mais à frente na posição de médio interior esquerdo, quando LAMPARD actua mais adiantado por esse lado, “empurrando” MATA para o lado direito do ataque (e, por consequência, STURRIDGE para o “banco”). MEIRELES é, como RAMIRES, um interior mais rotativo para 90 minutos, já que LAMPARD tende actualmente a desaparecer dos jogos a partir do meio das segundas partes.
Na frente de ataque, DROGBA - o jocoso Costa-Marfinense que recebeu “bem” o resultado do sorteio que o trará à Luz – recuperou a titularidade frente ao Tottenham (este sábado) que havia sido de TORRES na visita ao City… curiosamente um e outro trocaram entre si os papéis de “titular” e “suplente utilizado” nas últimas duas partidas do CHELSEA…
Serão pois as suas características (o Espanhol mais técnico e de movimentos curtos interessantes e o Costa-Marfinense mais explosivo, mais fisico e letal), e a interpretação que Di Matteo fará da defesa encarnada, que ditarão qual deles será titular, sendo pouco crível que possam actuar ambos, situação em que atrás de si jogariam (em 4x4x2):
· LAMPARD na direita, MEIRELES e ESSIEN no meio e MATA na esquerda; ou
· MATA na direita, LAMPARD e MEIRELES/ESSIEN no meio e MALOUDA na esquerda.
Outros “coelhos” que poderão ser tirados da cartola do “técnico interino” do CHELSEA nesta eliminatória: o Francês MALOUDA, o Belga LUKAKU ou o Costa-Marfinense KALOU.
Têm a palavra Di Matteo, Jorge Jesus, dois planteis de muita qualidade e duas “afficions” que certamente desejam receber nos seus estádios A.C.Milan ou Barcelona nas Meias-Finais da Champions League 2011/12.

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