quinta-feira, 26 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Luis Filipe Vieira não só decide... como goleia!
Tendo acabado de assistir à entrevista concedida por L.F.Vieira emitida nesta noite de 9.05.2011, em jeito de balanço da época desportiva 2010/2011, atrevo-me a partilhar aquela que é a minha leitura da mesma enquanto adepto confesso do Sport Lisboa e Benfica.
Só os Benfiquistas que não conhecem bem o seu Presidente (e os muitos anti-Benfica que desejariam sangue e instabilidade para o Glorioso) poderiam esperar uma comunicação (na forma de entrevista) carregada de novidades, de cortes radicais, de decisões pouco ponderadas ou influenciadas por duas ou três semanas de resultados ingratos da equipa principal de futebol do SLB.
Foi um Luis Filipe Vieira (“LFV”), igual a si próprio, aquele que no programa Zona de Decisão, na BenficaTV, diagnosticou o momento actual do clube, escalpelizou a época de futebol 2010/2011 e apontou sem pudor os erros cometidos neste ano, garantindo que os mesmos não se repetirão no futuro…que começou ontem.
Fiel ao futebol ofensivo que a história do Benfica documenta, LFV foi um misto de médio ofensivo (equilibrado, ponderado e inteligente) com um ponta de lança explosivo e goleador.
Se cada ideia foi um golo, LFV goleou.
Para a história fica a sequência dos principais lances desta partida:
LFV 1-0: perante um potencial contra-ataque de alguns dos seus detractores, LFV recupera a bola e ponderado recorda, sem qualquer apego ao poder e à sua cadeira, que a história do Benfica, a sua génese, sempre teve como base a Democracia… pelo que se os sócios recolherem assinaturas para uma AG extraordinária que leve a eleições antecipadas, este Presidente achará natural tal situação (ninguém agrada a Gregos e Troianos) e sentirá orgulho no facto de ser o fiel da balança que garante que, hoje, o clube é, de facto, dos seus sócios... Agora, sendo um Homem com uma Missão, não deixará de lutar por concluir a mesma e concretizar aquela que é a sua visão para o presente e, sobretudo, para o futuro do clube. Estava aberto o marcador com um golo de excelente execução técnica e capacidade de desarmar o adversário na antecipação.
LFV 2-0: questionado sobre que “Modelo de Gestão” é o que preconiza, que o tem orientado nos seus mandatos e que sofre inúmeras críticas, LFV remata em força ao ângulo dos factos, não dando hipótese ao guarda-redes da fraca memória…
Nesse tiro colocado recordou que esse “Modelo de Gestão” é o que permitiu ao Benfica nos últimos anos: a recuperação da credibilidade financeira do clube nacional e internacional (juntos da banca, dos mercados e de outros clubes); a construção do novo Estádio; a construção do novo Centro de Estagio de alto rendimento e essencial à formação do clube; a Benfica TV; a valorização da “marca BENFICA” para valores de vários milhões de euros (marca que ainda assim valerá sempre mais emoções e paixões do que euros… porque não é uma marca susceptível de transaccionar … será sempre propriedade do clube e dos benfiquistas); a possibilidade de dar ao clube modalidades competitivas e a lutar por títulos; a recuperação do espólio e da história do clube; a criação da Fundação Benfica e o papel social que esta desempenha junto da sociedade civil... Desportivamente esse Modelo, em construção, preconiza uma realidade em que ganhar seja normal e natural...no futebol e em qualquer modalidade do clube.
LFV 3-0: após uma pressão alta dos adversários (sedentos de instabilidade, incerteza e descrédito na Luz), suportada num meio-campo cansado de alguns benfiquistas tristes com os resultados recentes da equipa principal, LFV foi rasteirado já dentro da área perante a questão da continuidade de Jorge Jesus ao leme da equipa.
Frio, e mortífero, LFV arrancou para a bola e sem hesitar rematou forte para uma declaração inequívoca de que Jorge Jesus merece a sua confiança e a de todos os Benfiquistas, sendo o Homem certo para o lugar e para a empreitada que a próxima época deixa antever...
Ainda a bola beijava as redes e já LFV acrescentava ao lance a importância de que tenhamos todos, sobretudo os benfiquistas, memória: Jorge Jesus trouxe títulos, trouxe futebol de elevada qualidade e espectáculo, trouxe nova mentalidade e recolocou os benfiquistas num patamar de exigência a que não estavam já habituados… a mesma exigência que agora o colocou numa situação difícil perante o insucesso de uma época que, se comparada com algumas não muito longínquas, teria sido, no mínimo, muito interessante…
Era o terceiro golo do jogo e com ele a festa da convicção de que não foram factores económicos (entenda-se “indemnização”) que ditaram a continuidade de Jorge Jesus (“que nos levará a ganhar outra vez”) no comando da equipa, bem como a projecção de uma futura época mais profícua em que Presidente, Treinador e Director Desportivo corrigirão os erros (já lá iremos) que tiverem que corrigir...
LFV 4-0: Perante os ataques adversários à causa Benfiquista, LFV foi nesta partida também um central de marcação digno do epíteto de “Patrão da defesa” encarnada… Sem dar espaço aos adversários, LFV desarmou, a três tempos, claramente as razões do insucesso (Taça da Liga à parte) futebolístico de 2010/2011:
i) festejou-se tempo demais o extraordinário titulo de 2009/2010;
ii) o plantel foi manifestamente insuficiente e desequilibrado qualitativamente entre as primeiras e segundas escolhas à disposição do treinador;
iii) preparou-se mal o inicio da época, nomeadamente o jogo da Supertaça, que teria efectivo impacto na equipa do Benfica (desconfiou das suas próprias capacidades) e no seu maior adversário (que saiu desse jogo com ascendente motivacional para o resto da época).
Sem fugir das suas responsabilidades, o “Patrão” assumiu que, quanto ao passado, é dele a responsabilidade do insucesso (mais ou menos nestes termos “… posso ouvir muitas opiniões e receber muitos recados… mas a decisão é sempre minha e por isso sou eu o responsável máximo no bom e no mau que aconteça nesta casa”) e que quanto ao futuro “o grau de exigência terá que ser muito superior”... e esses erros não voltarão a ocorrer dentro no clube enquanto for sua a Presidência.
Este quarto golo foi, em si próprio um “hat trick”:
Reconheceu terem existido erros (sem pudores enumerou os principais);
Fez o “mea culpa” (assumiu claramente ter consciência de que gerir uma organização desta magnitude e as emoções das pessoas é algo muito complicado… assumiu que cada má decisão de um Presidente desta instituição custa muito dinheiro ao clube… foi frontal ao reconhecer que algumas más decisões suas custaram dinheiro ao clube e que no futuro terá, forçosamente, que delegar menos…para o bem e para o mal); e
Apontou ao que os adeptos podem contar no futuro (“... seremos de certeza absoluta mais rigorosos na definição do plantel”... as segundas linhas terão que estar qualitativamente mais próximas das primeiras).
LFV 5-0: servido de bandeja para fuzilar a baliza da Arbitragem quando questionado sobre as vezes em que o Benfica foi manifestamente prejudicado nesta época 2010/2011, o Presidente optou por um remate elegante desejando ao Sr. Vitor Pereira e todos os árbitros que a próxima época lhes corra melhor... garantindo que ao Benfica competirá ser mais rigoroso e mais competitivo para garantir que mesmo que ocorram erros alheios (que “vamos acreditar não são premeditados”...) ganhará os jogos e o campeonato dentro do campo... e nunca fora dele!
LFV 6-0: a um cruzamento bem medido sobre o estado das contas do Benfica e do impacto do não apuramento do clube para a final da Liga Europa, LFV cabeceou com clarividência que as contas do Benfica estão perfeitamente equilibradas e que em baixo estará apenas a auto-estima da nação Benfiquista... Na recarga, sem prometer o titulo da próxima época, LFV garantiu que certo é que no dia em que o Benfica voltar a ser Campeão, o clube não festejará mais do que 24horas!!!... sendo essencial que no dia seguinte à festa, todos os profissionais da casa estejam já concentrados na preparação da época seguinte...
Estava feito o sexto golo da noite e com ele enfatizado que a época 2010/2011 não teve o sucesso esperado porque se festejou o título anterior por tempo demais… isso importa mudar rápida e definitivamente... e daqui decorre a importância de tornar a vitória na Liga em algo normal, natural e habitual.
O resultado desta partida avolumava-se e ainda que estivéssemos perto do final do tempo regulamentar, o Presidente conseguiu ainda marcar mais três golos de belo efeito:
7-0: ao repudiar, num chapéu de bela execução, não só os actos de vandalismo de que foi ele próprio alvo (apedrejamento da viatura em que seguia claramente premeditado), mas todos os ataques gratuitos e animalescos às casas do Benfica… Porto, Sporting e qualquer outra instituição;
8-0: garantindo aos Benfiquistas que terão muito orgulho no seu Museu, na recuperação e salvaguarda do espólio histórico do clube… Sublinhando, de calcanhar, que a história do Benfica é para ser vista e sentida por todos os Benfiquistas… actuais e gerações futuras.
9-0: num pontapé à queima-roupa, dando inequívocas indicações de que a aposta na formação tem que ser mais do que um "slogan", mais do que uma promessa, mais do que objectivo: uma realidade com a chamada regular aos trabalhos da equipa principal de juniores e inclusão no plantel principal, todos os anos, de 2 ou 3 jovens promissores da "casa";
10-0: para fechar a contenda, deixando claro, num remate em jeito mas sobretudo em força, que quanto aos direitos televisivos dos jogos do SLB, que não sendo o clube ingrato para quem o auxiliou no passado (Grupo Joaquim Oliveira / Controlinveste / Sport TV), a verdade é que está muito longe de se chegar a acordo para a continuidade dessa relação comercial… ao mesmo tempo que reconheceu (é publico e comunicado à CMVM) que o clube está em negociações com outros grupos (como o de Pais do Amaral e outro) e que pode sempre optar por uma outra via... recordando que o Benfica já foi ousado e criativo (no domínio da comunicação) uma vez, e que o poderá ser novamente… deixando no ar eventualmente, e aqui jogo eu na interpretação livre das entrelinhas, a possibilidade de alguma forma de jogos na Benfica TV (como é desejo de enorme fatia da massa adepta do clube) em regime de “pay per view”? Dificil, não impossivel.
Com este último tento, ao mesmo tempo que demonstrou não estar o Benfica refém da Sport TV, LFV apontou para que o desfecho das negociações destes direitos poderem transportar o clube para outra capacidade económico-financeira… que inclusivamente lhe permitirá ficar numa situação mais confortável para resistir, ou não, à venda de jogadores nucleares... embora nunca seja evidente que o clube não possa nunca desperdiçar a oportunidade de realizar boas mais-valias que possibilitem a amortização de dívidas antigas...
Em resumo, vitória tranquila, numa partida que sem ser espectacular teve momentos de pura classe, elegância, discernimento e muita visão de um futuro que se acredita vitorioso, no panorama do desporto nacional, e em claros tons de Vermelho e Branco do Glorioso Sport Lisboa e Benfica.
Muitos poderão ter visto este “jogo” de forma diferente… Eu vi assim… Se sou mais um da “carneirada pró-Vieira” que não consegue ver que o Homem não é perfeito?!!!... Não preciso… ele próprio reconhece a sua condição humana e os seus erros, recentes e mais antigos…
Mas também vos digo, prefiro de longe ser conotado com a defesa intransigente do trabalho desta Direcção que LFV personifica, do que ser um daqueles anormais a quem a paixão cega e que se manifestam contra Presidentes, Teinadores, Jogadores e demais estrutura do clube sempre que um ou dois maus resultados se sucedem…
Antes ser conotado com um trabalho louvável que coloca LFV ao nível dos nossos mais emblemáticos Presidentes do que servir os interesses de quem quer instabilidade no ninho da águia…
Antes servir o Benfica com a repetição em “slow motion” destes 10 golos de LFV na comunicação à massa adepta do Benfica, do que não ter memória para lhe ser grato pela transformação e revitalização que soube liderar e operar no clube do meu coração…
Respeito naturalmente quem tenha outras opiniões e tenha visto desta entrevista “um jogo diferente”… mas afinal de contas, também é essa a beleza do futebol e da democracia. Certo?
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Atitude para a época 2011/2012
Todos os sucessos na vida são resultado de 3 factores essenciais: SORTE, TRABALHO e ATITUDE...
Se o primeiro é aleatório e só as Leis do Universo decidem a quem bafejar já os outros dois dependem de todos e cada um de nós... em que cada segundo conta, em que cada pequeno gesto tem consequências, em que cada interacção desencadeia outras.
É assim na nossa esfera particular e profissional como é nas organizações (sejam elas empresas, fundações, clubes de futebol).
Se ao BENFICA faltou SORTE - e querendo acreditar que se TRABALHOU o possivel (ainda que custe perceber a evidente quebra fisica do ultimo terço da época bem como alguma falta de planeamento na preparação da mesma e escolhas na formação do plantel, quer nas compras (todos sabemos quem são os casos mais gritantes e não falo de Roberto) quer nas dispensas (Urreta? Miguel Vitor?) - penso que deveria ter havido muito mais ATITUDE...
Não falo apenas na 2ª mão em Braga da Meia Final da Liga Europa (1 golo bastaria para marcar presença em Dublin o que deveria ser fácil para uma equipa que marcava à 35 jogos consecutivos) ou da 2ª mão na Luz da Meia Final da Taça de Portugal (onde se desperdiçou a vantagem trazida de 2-0 do Dragão) mas de toda uma época onde a ATITUDE foi oscilante, dúbia, inconstante.
Acredito que esta recta final de insucessos consecutivos e a imagem instalada de uma equipa apática, fisicamente de rastos e que nem o vislumbre de uma final europeia conseguiu motivar para niveis exibicionais condizentes com aquilo que já produziu esta época, vai ser um festim para as aves necrófagas que sobrevoam a Luz aguardando o momento para se deleitarem com os restos de um grupo que parece moribundo (equipa técnica e jogadores). Pois que se enfardem à grande, desde que não contaminem quem manda e tem que ter a força e o discernimento para não deixar de acreditar que o caminho é este, mesmo que sinuoso e com uma ou outra escorregadela.
Jorge Jesus, não isento de culpas (ele próprio o reconhece), é o Treinador do Benfica e para o Benfica.
O plantel? É o que temos e prefiro intervenções cirugicas locais (um lateral esquerdo que minimize a provavel saída de Coentrão, mais um lateral direito, um médio box-to-box e e um ponta de lança móvel) a uma lipoaspiraão massiva que tire todas as gorduras (que temos algumas) e que no processo faça sangrar também algum do musculo que por ali temos de jogadores à Benfica. Todos temos um pouco de treinador de bancada, e eu não fujo à regra: nunca percebi as dispensas de Urreta e Miguel Vitor, como nunca percebi a insistência em alguns jogadores a quem agradeço cada gota de suor dispendida (e bem paga...) envergando o manto sagrado mas que não me parecem jogadores à escala dos pergaminhos e exigências do clube.
Esta época que terminou (2010/2011) não será uma época para esquecer (e não falo do mérito da Taça da Liga, do 2º lugar na Liga e consequente acesso à Champions ou do atingir uma Meia-Final de uma Competição Europeia) mas para APRENDER...
Aprender a gerir melhor os pós-sucessos do futuro (a esmagadora vitória na Liga 2009/2010 roubou à estrutura directiva discernimento à preparação da época 2010/2011 e elevou demasiado o ego do grupo de trabalho - técnicos e jogadores - e as expectativas da massa adepta do Clube).
Aprender a contratar jogadores que não tenham picos de ATITUDE mas que joguem cada jogo como se estivessem na final da Champions League (como o Luisão, o Máxi Pereira e o Fábio Coentrão).
Aprender que mesmo mantendo a postura e marcar pela diferença comportamental teremos que ser mais combativos em momentos cruciais da época, matéria em que somos goleados por aqueles que incendiam e matam o futebol, alimentando ódios e fomentando a anarquia.
Aprender que em 2 jogadores de nivel médio, um formado na casa e outro estrangeiro (provavelmente mais caro), o primeiro renderá sempre mais 20% ou 30% por força da PAIXÃO e do amor à causa.
Aprender que não basta pedir à massa adepta para estar presente - muitas vezes com dificuldades financeiras - e apoiar a equipa, competido à equipa - que não passará essas dificuldades - gerar na massa adepta vontade e crença na sua entrega e naquilo que vão oferecer em termos de produção, de futebol, de espectaculo e de resultados.
Se tivermos aprendido parte disto, esta época não será para esquecer... será importante para ganhar balanço, para tocar a reunir toda a familia benfiquista rumo a um (e só um para não haver dispersão de esforço) objectivo essencial: o resgatar do título de Campeão Nacional e voltar a pintar o país de vermelho.
Se for essa a ATITUDE, se existir essa entrega ao TRABALHO, também a SORTE sorrir-nos-à... Somos maiores, somos muitos mais, somos uma grande massa adepta... se suarmos, trabalharmos e combatermos tanto quanto os nossos adversários (não inimigos...) acredito que triunfaremos... e as lágrimas que interiormente hoje sangramos, escorrer-nos-ão pelo rosto de felicidade para o ano por esta altura.
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