Depois do Euro 2012 e com os
Jogos Olímpicos a caminharem vertiginosamente para o fim, está de regresso o futebol
do nosso contentamento e a época 2012/13.
Já com as pré-eliminatórias para a
Liga Europa em curso (força/bravo Maritimo), regressam este fim-de-semana, por
toda essa Europa fora, várias competições oficiais (Ligas e Supertaças).
Por cá, e para além do arranque
da Divisão de Honra (este ano com o interesse adicional de seguir as equipas B
dos principais clubes portugueses) teremos já este sábado - pelas 20h45 em Aveiro – a disputa da Supertaça entre os
campeões de Vitor Pereira e os bravos vencedores da Taça de Portugal liderados
por Pedro Emanuel.
Na antevisão a essa partida,
desde logo referência para essa curiosidade de ambos os conjuntos apostarem na
continuidade das respectivas equipas técnicas no rescaldo de uma época de “sucesso
agri-doce” como contraste entre o resultado positivo (na forma de troféus que
ambos ergueram) e o indisfarçavel travo de uma época menos bem conseguida (ainda que de fazer inveja a muitos):
Ø no
Dragão, só o Presidente “segurou” o técnico que continua sem recolher - apesar
de ter vencido a Liga 2011/12 com melhor ataque e defesa - a empatia dos
adeptos comuns, dos notáveis e até dentro da própria SAD portista, fruto
sobretudo de erros crassos (subaproveitamento de James será só um deles), de uma
aparente incapacidade em espremer uma equipa com grande potencial que nunca
apresentou um futebol condizente com tamanha qualidade (recorde-se a paupérrima
época na Champions League quando comparada com épocas anteriores) e, não menos
importante, do “fantasma” do anterior dono da "cadeira de sonho";
Ø na
Briosa, a um início brilhante (à 12ª Jornada eram 6º classificados), seguiram-se
16 jornadas sem conhecer o sabor da vitória (7 empates e 9 derrotas), com a
manutenção a ser assegurada na ultima jornada, ao que se seguiria, 8 dias depois,
a vitória no Jamor sobre o Sporting (golo madrugador de Marinho) e verdadeira festa
de arromba na Cidade dos Estudantes.
Com objectivos diferentes, é certo, arrancar oficialmente bem é importante para os dois conjuntos, sendo certo que antever este jogo de sábado
parece porém mais simples do que antever o que poderão render estas duas
equipas na temporada que agora começa.
No F.C.Porto, das entradas
conhecidas: Kelvin e Christian Atsu (Rio
Ave), Fabiano Freitas
(Olhanense),
David Addy, Pedro Moreira (Gil
Vicente), Sereno (Colónia), Castro (Gijón), Jackson Martínez
(Jaguares), Miguel Lopes (SC
Braga) e Abdoulaye
(Académica) poucos ambicionarão ser titulares já este sábado (apesar das
ausências de Hulk, Danilo e Alex Sandro ao serviço da selecção olímpica e de
Alvaro Pereira que estará, tudo aponta nesse sentido, de partida do Dragão), mantendo-se a estrutura base da equipa.
Dos eventuais novos rostos no
plantel portista, aqueles que estarão melhor colocados para serem titulares já este
sábado serão apenas o lateral direito Miguel
Lopes (voltará Maicon ao eixo central fazendo parelha com Rolando ou
Otamendi?), o jovem
ganês Cristian Atsu que vai,
sobretudo pela esquerda, entusiasmando
os adeptos com velocidade e destreza e, finalmente, o colombiano Jackson Martínez, que parece ter
confirmado, na pré-época, estar num patamar acima de Kleber e Janko, com mais
mobilidade e melhor controlo de bola, ele que terá a 8,8 milhões de euros de
pressão adicional para convencer a “afición”. Jogará se o seu certificado internacional chegar ao
Estádio do Dragão até ao dia do jogo, o que à data de hoje parece não ser ainda
uma certeza.
Aparentemente, o restante onze de
Vitor Pereira para esta partida, e considerando que manterá o seu habitual 4x3x3,
não andará longe de: Helton na
baliza (agora com a concorrência apertada de Fabiano), à esquerda na defesa (e
por força da indisponibilidade diversa de Alex Sandro e Alvaro Pereira) deverá
surgir o central adaptado Mangala e
ao centro surgirão, de entre o trio Otamendi,
Rolando e Maicon (se Miguel Lopes
for o lateral direito) os dois eleitos.
No meio, Fernando, Moutinho e Lucho serão os prováveis titulares, com
Defour e Castro à espreita de oportunidade para se imporem no nucleio duro das
escolhas do técnico.
Na frente, e com Hulk ausente, tudo
leva a crer que serão James Rodriguez e Cristian Atsu os apoios a Jackson
Martinez, tendo por alternativas Varela, Djalma, Kelvin, Iturbe e Kléber.
Do lado da Briosa, as alterações
ao que era a sua equipa-tipo em 2011/12 são muito maiores, logo mais complicado
antever o primeiro onze oficial de Pedro Emanuel na temporada 2012/13.
De facto, os estudantes
procederam a uma autêntica revolução no seu grupo de trabalho em relação à
temporada passada – atesta-o que do onze que venceu a Taça de Portugal apenas
Ricardo, João Real, Helder Cabral, Marinho e Edinho transitam para esta época –
mas os reforços que estão à disposição do jovem técnico têm dados boas indicações
na pré-temporada, permitindo sonhar com uma época mais tranquila do que a de
2011/12.
As entradas do trio vindo da União
de Leiria (que abandonou o futebol profissional) formado por Keita, Marcos
Paulo e John Ogu, somadas a Bruno China (Rio Ave), Henrique (SC Braga) e Carlos
Saleiro (Servette) – jogadores já habituados às especificidades do futebol
português – somadas às chegadas de Salim Cissé (Arezzo), Junior Lopes
(Bgragantino), Makelele (ABC) e Cleyton (Corithians Alagoano), dotam o plantel
da Briosa com múltiplas soluções.
Na defesa da Académica – e à
frente o guarda-redes Ricardo (que
parece este ano apostado em ser o titular ganhando terreno a Peiser) - já não
pontificam os centrais Pape Sow e Abdoulaye (este sábado no outro lado da barricada)
nem o lateral direito Cédric que acompanhou Adrién (o MVP da final da Taça de
Portugal) no regresso ao Sporting. Não será pois de estranhar que nesta
Supertaça pontifiquem no quarteto defensivo: o lateral-esquerdo Hélder Cabral e o central João Real (que ergueram o trofeu no
Jamor) ao lado de Reiner Ferreira,
com a asa esquerda entregue a João Dias.
Pedro Emanuel é um técnico que
gosta de alinhar em 4x3x3, variando o seu modelo com o posicionamento do
triangulo central entre o 1x2 (casos em que poderá optar por Bruno China ou
Keita mais recuados com Marcos Paulo à direita e John Ogu pela esquerda) ou 2x1
em que coloca um duplo-pivot à frente da defesa (meu palpite seriam Bruno China e Keita) com um médio mais talentoso (Marcos Paulo) ou fisicamente
poderoso e com boa capacidade de remete de meia distância (John Ogu) no vértice superior.
Neste cenário do 4x3x3, a minha
aposta para o trio mais adiantado – pelo que
fez a briosa na pré-época – iria para o incontornável Marinho (pela esquerda), para o guineense Salim Cissé (pela esquerda, com evidente irreverência e assinalável
qualidade técnica) e Edinho como
homem mais avançado. Se contudo a aposta de Pedro Emanuel para a asa esquerda
do ataque recair no costa-marfinense Magique
(subido dos juniores tem um pé esquerdo preciosíssimo e pode ser um caso sério,
se conseguir controlar alguns excessos e tiques de vedeta), pode suceder que
seja Cissé a ocupar a posição mais adiantada e central do ataque academista.
Na variante 4x4x2 – mais audaz
contra o campeão, logo menos provável - Cissé e Edinho seriam os avançados (Carlos
Saleiro também pode ser opção) e o meio campo provável contaria com Bruno
China, Keita, Marcos Paulo e John Ogu, com Flávio e Cleyton à espreita da sua
oportunidade.
O F.C.Porto (com 100M€ de
orçamento) é o actual campeão nacional, mantém a sua estrutura base e surge
como natural favorito à vitória deste troféu, perante uma Académica (orçamento
de 3,5M€…) bastante remodelada e que parte para esta temporada com a
responsabilidade acrescida de participar na primeira fase da Liga Europa. Prova
de fogo para Pedro Emanuel que terá (pelo menos) 6 jogos desta competição europeia
(entre 20 de Setembro e 6 de Dezembro) cruzados com confrontos com Benfica,
Maritimo, Vitória de Guimarães, Sporting, F.C.Porto e S.C.Braga. Duro.
Uma última nota para a
incontornável probabilidade de entre o onze titular que Vitor Pereira vai
lançar este sábado – e como acontece por essa Europa fora em todos os clubes grandes com activos
interessantes e necessidades de tesouraria - e aquele que vai ter à disposição no
Olival durante a temporada para defender o título, poderão existir substanciais
alterações, se “onde há fumo existir, de facto, fogo”… tantos são os rumores de
mercado (e as necessidades de realizar vendas na Torre do Dragão) a assolar
algumas das joias portistas:
HULK: o Sr.100 milhões, que
chegou ao FC Porto na época de 2008-2009, é desejado por vários clubes da
Premier League, com o Chelsea (sua preferência) de Abrahmovic (que joga com a
falta de liquidez no mercado) à cabeça, pelo Anzhi e pelo Zenit (que terá
equacionado uma proposta de 30M€ mais
o passe de Bruno Alves por quem pagou 22M€).
ALVARO PEREIRA: que volta a estar na rota
do Chelsea, a exemplo do que aconteceu no ano passado, altura em que o defesa
uruguaio de 26 anos esteve perto de se mudar para a capital inglesa,
esbarrando nas exigências
portistas da altura, que serão agora certamente revistas “em baixa”, não
estando eliminado o cenário de empréstimo com direito de opção.
ROLANDO: esteve dado como quase certo no AC Milan, é desejado pela
Juventus e pela Roma (que viu esbarrar no poste a ofensiva ao central Ezequiel Garay do Benfica por
quem alegadamente terão
oferecido 11M€ mais o defesa esquerdo José Ángel), e diz-se agora estar “de
malas aviadas” para os turcos
do Fenerbahce (que lhe acenam com um contrato de cerca de 2.5 milhões de
euros/ano) numa transferência que poderá rondar os 13M€.
JOÃO MOUTINHO: o jovem internacional português, depois de meritória
participação no Euro 2012, viu a sua cotação subir novamente, falando-se do
interesse nele de equipas como o
Manchester United (Paul Scholes não é eterno), o Barcelona (como um dos potenciais substitutos
de Seydou Keita no meio campo dos blaugrana, como alternativa a Javi Martínez, de quem o Athletic Bilbao diz não abdicar por menos de 40M€…
curiosamente o mesmo valor da cláusula de rescisão do contrato que liga
Moutinho ao FC Porto até 2015) e, talvez a hipótese com mais “pernas
para andar”, o Tottenham
(onde pontifica Villas-Boas
que vê nele um
candidato credível para substituir Luka Modric a caminho do Real Madrid). Curioso
será assistir, no meio deste triangulo: Tottenham/Real Madrid/FC Porto onde vai
encaixar a peça Medo
Kamara (Partizan Belgrado) que pode ir parar aos Spurs ou ao Dragão…
VARELA: contratado a custo zero em 2009 ao Estrela da Amadora, e apesar da cláusula
de rescisão de 40M€ (e contrato até 2015), tem sido associado pela imprensa transalpina
ao Bolonha (9º classificado da última edição da Série A) que pretende
substituir o jovem uruguaio Gastón Ramírez, prestes a sair.
FERNANDO: o “polvo” que está debaixo de olho do Inter de Milão,
disposto a reservar 10M€ por esta contratação, numa operação semelhante à de Guarín na época
passada, que assinou de forma definitiva depois de um ano emprestado.