domingo, 25 de dezembro de 2011

Ano Novo, Novo Desafio

Desafiado por familiares, colegas e amigos, aqui estou, lançando-me a solo na blogosfera.
Fruto do acompanhamento que sempre fiz do Futebol - agora com responsabilidades acrescidas fruto da colaboração regular que muito me honra com um canal televisivo temático do clube de maior expressão nacional - chegou a hora de partilhar, com quem nisso tiver interesse, a minha forma particular de "ler o jogo".

Neste "Meditando Futebol" vou tentar simultaneamente:


  • verter as apreciações aos jogos já jogados, nacionais e internacionais (o que vi, o que senti, o que gostei ou não gostei, o meu "11 da Semana");


  • fazer algumas apreciações de natureza técnica ou táctica sobre qualquer performance (individual ou colectiva) que, na minha opinião, mereça ser destacada; e


  • arriscar nas antevisões (o que espero ver) nos jogos por jogar... com enfoque na análise aos próximos adversários do clube com cujos orgãos de informação orgulhosamente colaboro, tentando esmiuçar: o seu ONZE provável, o esquema táctico, os seus pontos fracos e fortes e os jogadores que mais se destacam.


Ainda que os meus olhos e empenho estejam colocados no futuro, e em tudo aquilo que ocorra a partir de 2012,  incluo neste "Meditando Futebol" algumas peças publicadas ao longo de 2010 e 2011 e uma ou outra reflexão que me apeteceu partilhar entre Amigos.
Espero que gostem. Encontramo-nos por aqui, sim?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

RELATÓRIO & CONTRAS com Ricardo Araujo Pereira - 28.11.2011 - o "pós-Derby"

No rescaldo do empate com sabor a vitória em Old Trafford e de (nova) vitória sobre o Sporting no grande "derby" do futebol nacional, o RELATÓRIO & CONTRAS recebeu Ricardo Araujo Pereira (RAP).

Bem ao seu jeito, RAP foi irónico e deliosamente dilacerante como só ele sabe, e pode, fazer.
Esta foi a sua visão sobre o Derby de Lisboa e sobre a tão comentada (pela imprensa desportiva) superioridade leonina, a "felicidade" do Benfica e as acusações de racismo a Javi Garcia: 


Video que se complementa com este igualmente interessante: http://youtu.be/QQIvkkcCHJk

 
Continuando na sua toada de futebol ofensivo, que não ofende, RAP passou da análise táctica aos conjuntos (videos anteriores) para uma análise mais técnica aos jogadores, não se coibindo de fazer acutilantes comparações entre Cardozo e duas jovens promessas do futebol encarnado: Rodrigo e o próprio Ricardo.


Finalmente, e porque estava ainda bem fresca na memória encarnada a passagem do Benfica por Old Trafford, RAP partilhou com o auditório do RELATÓRIO & CONTRAS a forma como testemunhou e viveu esse jogo... do barulho das cerca de 3.000 pessoas "aparentadas com turcos" que espanta os ingleses, passando pelos "abraços ternos" aos consócios, até ao prognóstico reservado e realista de 14-0 (afinal de contas jogávamos em casa do finalista da Champions League do ano transacto)... de tudo teve esta edição muito especial do RELATÓRIO & CONTRAS.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

OLD TRAFFORD: visitar pela tarde e silenciar pela noite


Há dias de sorte.
O meu 22 de Novembro de 2011 foi claramente um desses dias.

Depois de uma visita guiada aos principais polos de interesse (cultural e comercial) de Manchester (cidade bem marcada arquitectonicamente pela história do país e pela revolução industrial ali tão sentida), tive a oportunidade de acompanhar a equipa de profissionais da BenficaTV (obrigado Andreia Palmeirim!!!) a uma visita ao mítico PALCO DOS SONHOS (Old Trafford), horas antes do S.L.Benfica ali ser recebido para mais uma decisiva partida na fase de grupos da Champions 2011/12.


Durante essa visita, os profissionais do M.United que nos acompanharam permitiram-nos visitar o Museu (extraordinária a forma como está organizado e como podemos absorver pedaços tão relevantes da história deste colosso do futebol europeu e das próprias competições europeias onde tem assumido - sobretudo nos ultimos anos - enorme papel de relevo) bem como fazer a antevisão da partida no exacto local onde a mesma se disputaria: o relvado deste tão belo estádio de futebol. Uma visita que só por si mesma já seria de recordar "para a vida".



Horas mais tarde e para ajudar a carimbar este 22 de Novembro como um dia para recordar, a equipa de Jorge Jesus e uma enorme massa adepta do Sport Lisboa e Benfica silenciaram Old Trafford empatando a 2 (partindo o Benfica na frente, virando o M.United o resultado e repondo o Glorioso o empate), abrindo as portas da vitória no grupo ao Benfica e comprometendo o apuramento do Manchester...


terça-feira, 15 de novembro de 2011

RELATÓRIO & CONTRAS com Carlos Moniz - 14.11.2011

Edição do RELATÓRIO & CONTRAS cheia de ritmo e musicalidade com a presença do autor, compositor e intérprete Carlos Alberto Moniz, ferveroso benfiquista.


domingo, 6 de novembro de 2011

FUTEBOL AOS APAGÕES (06.11.2011 - Braga 1 SLBenfica 1)


Depois da recepção ao Basileia, o Benfica deslocou-se a Braga para o primeiro de 3 jogos consecutivos fora da Luz (Braga, Naval e Manchester United) onde apenas voltará no próximo dia 26 de Novembro para o grande “derby” de Lisboa.

Os primeiros 10 minutos da partida no Estádio Municipal de Braga prometiam um grande jogo com todos os condimentos necessários para tal: um estádio com perto de 20.000 espectadores, a carga emotiva decorrente das mais recentes deslocações do Benfica a Braga, duas equipas que praticam bom futebol bem encaixadas num mesmo sistema táctico de 4x2x3x1 e um árbitro que parecia querer não ter influência no resultado da partida… seria pura ilusão. O jogo ficaria marcado por cinco falhas técnicas, e as mais graves não seriam as relativas aos três (sim, pasme-se, três !!!) apagões.

Aos 12’, na sequência de um canto que resultou de corte “in extremis” de Ewerton a remate perigoso de Ruben Amorim (a surpresa táctica de Jorges Jesus para esta partida), Douglão puxou Luisão para o solo em disputa pela bola, num penalty claro que o árbitro Pedro Proença perdoou aos Bracarenses – primeira falha técnica - e que certamente, a ser marcado, conferiria ao jogo uma história bem diferente com o Benfica madrugadoramente na frente do marcador. Poucos minutos depois, e com o jogo a ser disputado com muita intensidade, sobretudo a meio campo, eis que falha a energia e a iluminação. Pode acontecer em qualquer estádio, tudo normal até aí. Pedro Proença, bem, interrompeu a partida por 10 minutos até que ficaram reunidas as condições para o seu recomeço. A bola voltou a rolar, os jogadores de ambas as equipas procuravam voltar ao jogo quando ocorre nova falha de energia que a todos obrigou a parar novamente. Parecendo (e sendo) mau demais para ser verdade esta segunda interrupção, a história repetir-se-ia ainda uma terceira vez, condicionando irreversivelmente a qualidade dos primeiros 45 minutos do jogo, dos quais o melhor momento (aos 45’+22’) foi o lance em que Gaitán, após ultrapassar vários adversários, cruzou a preceito para cabeceamento perigoso de Cardozo, com a bola a passar pouco mais de um palmo ao lado da baliza de Quim.

O pior, contudo, estava ainda para chegar antes do intervalo… do intervalo oficial, entenda-se. Aos 79’ da primeira parte (!!!) o mesmo Pedro Proença, que aos 12’ achou por bem não assinalar penalidade nem mostrar cartão amarelo ao Douglão pelo puxão a Luisão, considerou que Emerson terá intencionalmente colocado mão na bola, isto apesar do lateral do Benfica ter virado as costas para Salino antes do cruzamento deste na direcção da área encarnada. A segunda falha técnica grave do árbitro, a marcação desta grande penalidade a favor do Braga, constituiu rude golpe para a equipa encarnada que não merecia seguir para o intervalo em desvantagem, com um sabor na boca a “Deja vu” de visitas anteriores à Pedreira.

Jorge Jesus voltou para as cabines com um sentimento claro de que teria que ser mesmo muito superior ao adversário, e às demais condicionantes, para poder triunfar naquele palco. E a verdade é que o Benfica foi mais expedito no segundo tempo. Mais rápido sobre a bola, pressionando alto e com futebol mais ambicioso - fruto das entradas de Nolito (aos 75’) e, sobretudo, Rodrigo (ao intervalo por indisposição de Gaitan) - o Benfica acabaria por ser “iluminado” por Rodrigo que aos 72’ aproveitou um corte incompleto de Salino, a cruzamento de Maxi, para com o pé esquerdo repor, com frieza de matador, justiça num jogo que o Benfica não merecia claramente perder. A partir desse momento o jogo ficou mais aberto e ambas as equipas procuraram, sem desguarnecer as respectivas estruturas defensivas, chegar ao golo da vitória. Nesta busca, esteve mais perto a equipa da Luz que poderia ter sido feliz por duas vezes: aos 90’ por Bruno César (que bem servido por Rodrigo, numa saída rápida para o ataque, rematou forte mas ao lado do poste direito de Quim) e aos 90’+3’, no último lance do jogo, novamente por Rodrigo que recepcionou bem um passe longo (da direita para a esquerda) de Bruno César e rematou cruzado, de pé canhoto, com a bola a sair muito perto do poste esquerdo. O jogo, atípico por sinal, chegava ao fim com uma igualdade com sabor a pouco para o Benfica da segunda parte… a única em que a iluminação do estádio municipal de braga permitiu que houvesse jogo.

Quis o calendário da Liga 2011/2012 que no primeiro terço da prova o Benfica visitasse o Dragão e a Pedreira na Cidade dos Arcebispos, e a verdade é que ao fecho da 10ª jornada, já com estas duas deslocações efectuadas, o Benfica é líder da prova, o que abre claramente muito boas perspectivas para os dois terços de campeonato por disputar.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

RELATÓRIO & CONTRAS com Rui Pedro Tendinha - 31.10.2011

Edição do RELATÓRIO & CONTRAS onde Rui Pedro Tendinha, crítico de cinema, nos brindou a todos com a sua visão muito própria do futebol. Do suspense na bola à trave que percorre a linha de golo ao drama do penalty falhado no ultimo minuto no período de compensação de uma partida.



terça-feira, 18 de outubro de 2011

RELATÓRIO & CONTRAS com Carlos Cunha - 17.10.2011

Uma edição do RELATÓRIO & CONTRAS com muito humor à mistura, não fosse Carlos Cunha o convidado. Mais um grande benfiquista a abrilhantar as noites de segunda-feira na Benfica TV com o seu entusiasmo e paixão pelo Sport Lisboa e Benfica.




terça-feira, 4 de outubro de 2011

RELATÓRIO & CONTRAS com Francisco Mendes - 03.10.2011

Mais uma edição do RELATÓRIO & CONTRAS, mais um grande convidado e grande benfiquista: o apresentador Francisco Mendes.

Dono e senhor do dom da comunicação, Francisco partilhou o seu fervor clubistico pelo Sport Lisboa e Benfica.

Para além de todas as rubricas habituais, esta edição do RELATÓRIO & CONTRAS teve ainda uma versão dupla do "LIVRO DA SEMANA", tendo a equipa surpreendido Afonso de Melo ao apresentar o mais recente livro deste autor: "DUELO DO SECULO" . Livro sobre a rivalidade entre Cristiano Ronaldo e Leonel Messi... "nunca tão poucos foram tão melhores do que tantos". 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SUPERIORIDADE CONFIRMA LIDERANÇA (01.10.2011 - SLBenfica 4 - Paços Ferreira 1)

Foi um Benfica moralizado pela liderança na Liga e pela vitória em Bucareste para a Champions, aquele que recebeu o Paços de Ferreira, em momento complicado depois de três derrotas consecutivas desde que trocou a sua liderança técnica.

Organizado em 4 x 1 x 3 x 2, com Matic no papel que é habitualmente de Javi, o Benfica cedo imprimiu velocidade ao jogo, na procura de resolver, quanto antes, o resultado e assegurar os 3 pontos que lhe garantiriam a manutenção da liderança na Liga antes do interregno desta para compromissos das selecções, Taça de Portugal e Champions League.

Antes dos primeiros 20’ já o Benfica havia criado três claras oportunidades de golo: a primeira aos 6’ em que Cardozo até marcou mas o árbitro anulou por pretenso (porque inexistente) fora-de-jogo; depois aos 8´novamente por Cardozo, desta vez de cabeça, quando atirou à figura de Cassio e aos 18’, quando Gaitan, depois de entendimento de Saviola com Cardozo, na sobra atirou por cima do travessão.

Foi pois sem surpresa, e consequência de um domínio avassalador num jogo de sentido único, que o Benfica chegou ao golo num grande momento de futebol colectivo e inspiração individual. Aimar, sempre ele, vislumbrando Maxi Pereira na direita, fez um passe a toda a largura do terreno, o Uruguaio, campeão sul-americano dominou com o peito, fugiu ao seu adversário e fez um cruzamento ao segundo poste onde Cardozo amorteceu para a entrada letal de Saviola. Festa na Luz e clara percepção de que o mais difícil estaria feito tal a superioridade evidenciada e a abissal inoperância atacante do adversário. Ainda antes do intervalo, Bruno César apontou, da direita, um canto teleguiado para Saviola que, sem deixar cair, rematou para o poste mais distante, bisando na partida.

O resultado de 2-0 ao intervalo era lisonjeiro para o Paços que defendeu como pode, sempre fechado, com 9 ou 10 unidades atrás da linha da bola. Sentiriam os jogadores encarnados no regresso aos balneários, tal como quem assistia à partida, que o desfecho do encontro quanto ao resultado estaria assegurado tal a incapacidade dos pacenses em rematar à baliza de Artur Moraes, ele que foi um dos mais de 33.400 espectadores presentes que gostaram certamente do futebol praticado pela equipa da casa nos primeiros 45’.

Ainda que sem a mesma velocidade e vertigem atacante dos primeiros minutos da primeira metade, o Benfica entrou novamente bem para o segundo tempo e aos 40 segundos (!!!) já Saviola – que grande partida fez El Conejo – de trivela obrigou Cássio a grande intervenção. Mantinha-se o sentido único da partida e aos 48’ Luisão ensaiou de cabeça o terceiro golo num canto de Aimar.

Quando aos 51’ Michel converteu a grande penalidade - consequência de contacto do capitão encarnado, na sua área, sobre Luisinho - reduzindo para a diferença mínima de 2-1, pairou no ar um sentimento de manifesta injustiça, tamanho era o desnível entre o futebol praticado pelos dois conjuntos. Da injustiça ao credo passaram seis minutos quando Artur Moraes numa intervenção “do outro mundo” negou a Melgarejo – bons pormenores de irreverência e velocidade deste atleta cedido pelo Benfica – a possibilidade de empatar o jogo de cabeça.

O Benfica percebeu que a sua liderança na Liga poderia, num qualquer sortilégio daqueles em que o futebol é pródigo, ser comprometida e acordou novamente para o “seu” futebol de rápidas transições ofensivas, apoiado numa clara superioridade física sobre os homens da capital do móvel, como havia acontecido já no Dragão e em Bucareste.

Numa notável ponta final, o Benfica inspirou-se e lançou-se sobre o seu opositor. Ainda antes do 3-1 por Luisão (65’) que respondeu de cabeça a livre apontado por Aimar, já Bruno César (aos 59’, no minuto anterior ao de ceder o seu lugar a Nolito) e Emerson (aos 63’) tinham testado a atenção e elasticidade de Cássio. O Benfica era o dono da bola e do jogo, pelo que foi sem surpresa que Nolito, superiormente desmarcado por Saviola, fez o 4-1 (seu 5º golo na Liga, tantos quanto Cardozo) picando a bola sobre Cassio depois de, com uma simulação, o ter sentado. Até ao fim, os jogadores encarnados, sobretudo Rodrigo (entrado aos 78’ para suprema e merecida ovação a Saviola) e Nolito procuraram intensamente o quinto golo que Cássio, e a muralha pacense, conseguiram a custo evitar.

O desnivelado 4-1 final poderia inclusive ter sido muito superior não fosse a grande exibição de Cássio e o desacerto de Bruno Esteves no golo mal anulado a Cardozo, no penalty sobre Aimar não assinalado ou nos erróneos fora-de-jogo (mal) assinalados pelos seus auxiliares. Há noites assim. Resultado expressivo, justo e natural para o que se viu, servindo na perfeição o objectivo de manter o Benfica na liderança da Liga, à qual voltará em Aveiro depois de disputar a 4ª Eliminatória da Taça de Portugal e importante jornada com o Basileia para a Champions League.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

RELATÓRIO & CONTRAS com Toni - 19.09.2011

8 vezes Campeão Nacional pelo Sport Lisboa e Benfica como jogador e outras 3 vezes como técnico fazem de António José Conceição Oliveira ("TONI") um Campeão do benfiquismo e do sentir tal emblema. Não foi pois surpresa a sua revelação como excelente convidado de mais uma edição do RELATÓRIO & CONTRAS.



 
Conhecedor da vivência do balneário encarnado e dos equilibrios (técnicos, tácticos e emocionais) necessários na gestão de um plantel, este grande "profissional da bola" deu o seu esclarecido parecer sobre a actualidade benfiquista.


Obrigado TONI pela partilha.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

RELATÓRIO & CONTRAS com Nuno Rogeiro - 05.09.2011

Grande Benfiquista este nosso convidado de hoje.



Todos nos habituámos a ouvir a forma inteligente e fluída como Nuno Rogeiro distrinça as grandes questões geo-politicas internacionais... Quem não se recorda da forma assertiva como comentou, na RTP1, a Guerra do Golfo e, mais tarde, a Guerra do Iraque, na SIC? Esse é certamente o "cartão de visita" com que todos identificamos esta figura singular da sociedade civil portuguesa.


O que muitos não estariam a par é do seu enorme benfiquismo e da forma igualmente eloquente como exprime as suas opiniões sobre os meandros do futebol, sem se coibir de apreciações técnicas e tácticas. 


Foi uma grande edição do RELATÓRIO & CONTRAS. Obrigado Nuno Rogeiro.

domingo, 21 de agosto de 2011

QUALIDADE À PROVA DE SUSTO (20.08.2011 - SLBenfica 3 - Feirense 1)

Não obstante a entrada com o pé esquerdo na Liga 2011/12 e uma copiosa tarde de chuva em pleno Agosto, cerca de 36 mil adeptos fizeram questão de marcar presença na Catedral para o primeiro compromisso caseiro do S.L.Benfica, num sinal de inequívoca confiança no grupo de trabalho que procurará recuperar para o clube o estatuto de Campeão Nacional. Como novidade no onze inicial encarnado, surgiu Capdevila, organizando Jorge Jesus a sua equipa em 4x1x3x2, como é expectável que faça muitas vezes na Luz perante adversários que apostem na contenção defensiva.

Do outro lado, apresentava-se o Feirense que não pisava o palco da Luz em jogo para a principal Liga nacional desde o longínquo ano de 1989, disposto num 4x2x3x1, em que as ausências de Carlos Fonseca (castigo) e Cris (lesão) abriram as portas à titularidade de Diogo Rosado e Siaka Bamba.
Depois de 12 minutos iniciais em que o Benfica procurou impor a sua natural superioridade sobre um Feirense expectante, Gaitan bateu um livre lateral da direita, Javi amorteceu de cabeça e Saviola falhou por pouco a emenda. Estavam abertas as hostilidades. Bastaria esperar apenas mais 2 minutos para que o Benfica se adiantasse no marcador (aos 14’) pelo inevitável Nolito (a marcar em 5 jogos oficiais consecutivos) que, de primeira, respondeu positivamente ao desvio de Cardozo ao primeiro poste a um lançamento de Maxi Pereira. Na Luz respirava-se tranquilidade, a qual seria reforçada pela jogada seguinte: transição veloz de Saviola, abertura para Gaitan na direita, flexão para o meio e disparo de pé esquerdo, a que Paulo Lopes respondeu com grande intervenção, desviando a bola para o seu poste direito. Até ao intervalo o Benfica criaria ainda mais duas soberanas oportunidades de dilatar o marcador, que concretizadas o teriam colocado a salvo de eventuais percalços: aos 20’ por Aimar (rompeu pelo centro do terreno, ganhou um ressalto e atirou junto ao poste) e aos 37’ por Nolito (que após jogada individual rematou bem perto do poste esquerdo da baliza Feirense).

Terminava a primeira parte com o Benfica dominador, pecando na pouca eficácia com que terminou as inúmeras oportunidades que o seu ataque conseguiu criar. Nesses primeiros 45’ não houve registo de qualquer oportunidade da equipa de Santa Maria de Feira, não obstante a forma bastante organizada como se dispôs na Luz, não abdicando de tentar tirar proveito da velocidade dos seus homens mais adiantados (sobretudo Ludovic e Diogo Rosado) ainda que sem resultados efectivos.

Para os minutos iniciais da segunda parte estaria guardado um golpe de teatro que poderia ter tido graves consequências. No primeiro remate enquadrado com a baliza encarnada, Rabiola corresponderia (aos 53’) de cabeça a cruzamento de Diogo Rosado restabelecendo a igualdade quando nada o fazia prever. Nas bancadas da Luz reinaram imediatamente os sentimentos de injustiça e ansiedade, temendo-se que os homens de Quim Machado “estacionassem o autocarro” à frente da sua baliza… pura ilusão. O Feirense que até então havia sido inofensivo e para quem o 1-0 era claramente lisonjeiro, moralizou-se, sonhou e cresceu… tanto que aos 64’ veria Artur fazer magnifica intervenção a remate de Diogo Rosado evitando o 1-2.

Lendo o jogo e reagindo à igualdade, Jesus havia já promovido a entrada de Axel Witsel (aos 60’) para a direita para o lugar de Gaitan, tendo com isso recuperado o controlo total do meio campo e o reequilíbrio da equipa.

Sabendo que não podiam dar segundo passo consecutivo em falso nesta Liga, os jogadores do Benfica empurrados pelos adeptos e pelo seu técnico, deram então imensa prova de qualidade, raça e abnegação dando maior intensidade ao seu jogo na busca da vitória. Aos 71´Cardozo bateu de pé esquerdo um livre que Paulo Lopes defendeu em grande estilo e foram precisos apenas mais 4 minutos para que (aos 75’) o enorme carácter e coração de Maxi lhe permitissem ganhar a linha de fundo e cruzar para Cardozo carimbar a “sua arte”: a de fazer o golo. A Luz voltava a sorrir… o Benfica recuperara do susto e repusera a justiça no resultado. Minutos mais tarde, aos 90’+1’, Bruno César (que aos 77’ substituiu AImar) passou por três adversários em força e habilidade, rematando cruzado para o melhor golo da noite, deixando excelente cartão-de-visita no seu primeiro jogo oficial na Luz.

O Benfica venceu o jogo, criou inúmeras oportunidades de golo, sobreviveu ao susto e somou os 3 pontos conforme se lhe exigia em casa frente a um primo-divisionário, mas deve rever a sua abordagem colectiva em momento defensivo, incrementando a sua capacidade de pressão e velocidade de reacção à perda da bola – bem como a respectiva consistência competitiva e emocional - sob pena de poder vir a experimentar dificuldades indesejáveis em futuros compromissos nesta Liga.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

RELATÓRIO & CONTRAS no ar - 15.08.2011

Dia 15 de Agosto de 2011 marcou a estreia do programa RELATÓRIO & CONTRAS, liderado pelo jornalista Ricardo Soares, na grelha da BenficaTV.


Trata-se de um programa semanal, em directo, às 22horas de todas as segundas-feiras, com duração de hora e meia, onde "se fala futebolês". Para além de todos os temas da actualidade do Sport Lisboa e Benfica, este programa centrar-se-à, essencialmente, no rescaldo da jornada anterior e na antevisão dos futuros compromissos da equipa de futebol senior do clube.


Para além de um convidado que abrilhante cada edição com a sua própria forma de ver, sentir e exprimir a sua paixão pelo futebol e pelo Benfica, o programa contará sempre com dois comentadores residentes:
> Afonso de Melo (AM); e
> António Pires Vicente (APV) ou Sérgio Berenguer (SB), estes em esquema rotativo.


A AM competirá apresentar as rubricas "DOSSIER DE IMPRENSA" e "O LIVRO DA SEMANA", enquanto a APV/SB caberá apresentar as rubricas "RELATÓRIO MINORITÁRIO" (análise técnico-tática do próximo adversário do SLBenfica) e "O ONZE DA SEMANA", sendo que todos, individualmente, expressarão ainda quem é "O MAIOR DA SEMANA".


O programa conta ainda com outras rubricas como "OS MOMENTOS SAPO", o "VAMOS A CONTAS", a "FOTO DA SEMANA" e o momento "DO CONTRA", sendo no seu conjunto um programa de verdadeira tertúlia eminentemente futebolistica, para o qual estão convidados semanalmente todos os Benfiquistas que podem ainda participar no programa via Facebook.


Nesta primeira edição do programa, onde participei com muita honra e satisfação, apresentei os seguintes 11: da semana e de antecipação dos próximos adversários do SLBenfica (Twente e Feirense). 










segunda-feira, 15 de agosto de 2011

F.C. Twente - A antevisão do jogo de dia 16.08.2011

Não sendo o mais importante adversário do Sport Lisboa e Benfica – esse dá pelo nome de Gil Vicente pois é o próximo – a verdade é que ultrapassar o F.C.Twente no “Play-off” de acesso à fase de grupos da Champions League assume grande importância (económica, sim, mas sobretudo moral e mobilizadora) para o que será o Benfica na temporada 2011/12 que agora se inicia.

Campeão em 2009/2010, sob a batuta do inglês Steve McClaren somando 86 pontos (mais um que o Ajax, mais 8 que o PSV e mais 23 que o Feyernoord) e Vice-Campeão em 2010/2011 (perdeu o jogo e o título para o Ajax na última jornada da competição) sob o comando técnico de Michel Preud´Homme, o F.C. Twente é um digno representante do futebol tecnicista e de ataque do país das tulipas.

Agora comandado por Co Adriaanse (que curiosamente perdeu com o Glorioso em casa e fora no ano em que treinou em Portugal), o Twente apresentou recentemente para esta época um modesto orçamento de 45,5 milhões de euros, sendo que entre saídas (fez uma única transferência relevante por 3 milhões de euros de Theo Janssen para o Ajax) e entradas (de baixo custo como o lateral direito Cornelisse, proveniente do FC Utrecht, e o médio Willem Janssen oriundo do Roda), pouco se alterou a estrutura do plantel para esta nova época, que se iniciou com “saborosa” vitória na Supertaça sobre o Ajax (2-1) com quem discute actualmente o domínio da Liga Holandesa.

Se é verdade que a laranja mecânica, e tudo o que se lhe seguiu com origem nela, foram esquemas revolucionários, a verdade é que o futebol holandês não está mais na linha da frente quanto á revolução táctica, mantendo contudo no seu ADN a filosofia ofensiva como principal característica. Ainda que seja equipa (independentemente da era McClaren, Preud’Homme ou Adriaanse) que mantenha por principio a colocação rápida da bola nos flancos, dando largura ao campo, circulando jogo, partilhando do tradicional sistema táctico holandês do 4x3x3, este Twente é, ainda assim, por norma, o mais conservador dos clubes que dominam a Liga Holandesa.
Na baliza, apenas alguma indisponibilidade física impedirá Mihailov de ser titular, o que colocaria na baliza do Twente o veterano (40 anos) Boschker (como ocorreu na 1ª jornada da Liga Holandesa 2011/2012). O quarteto defensivo manterá, tudo indica, intacta a dupla de centrais formada pelo brasileiro Douglas (muito forte no jogo aéreo, muito sereno e com bom domínio de bola) e Peter Wisgerhof (na ausência/indisponibilidade de algum deles o provável substituto será o sueco Rasmus Bengtsson), com Cornelisse (ex- FC Utrecht) como provável lateral direito (o venezuelano Rosales pode ser outra opção, ele que pode jogar nesta posição ou mais adiantado como ala) e Tiendalli como lateral esquerdo (a alternmativa pode ser o belga Buysse).

No meio campo, e tal como na época transacta, o Twente parece surgir em 2011/12 a apostar muitas vezes num duplo-pivot formado por Brama, mais defensivo, ele que fora acompanhado em 2010/11 por Theo Janssen e cuja responsabilidade das transições parece ser agora, em 2011/12, assumida por Willem Janssen. Este duplo-pivot liberta para o apoio ao gigante austríaco Marc Janko, as duas principais figuras da equipa: De Jong e Brian Ruiz.

Sobre Luuk de Jong sabe-se (conforme descrito no trabalho “Os 20 negócios de jogadores que recomendamos em 2011” pelo FUTEBOL FINANCE) tratar-se de um “avançado centro de origem, também capaz de actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, viveu a sua época de afirmação na Eredivisie, ao juntar 12 assistências a 12 golos em 32 jogos. Muito inteligente a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, e extremamente oportuno em zona de finalização, sabe tirar partido do seu bom remate com os pés - o direito é o que melhor define - e do seu poderoso jogo aéreo. Muito trabalhador e com grande sentido colectivo, revela muito bons apontamentos no passe, de costas ou de frente para a baliza, e, apesar da sua elevada estatura, é rápido, móvel e capaz de produzir desequilíbrios no um para um”. Os noventa minutos jogados por De Jong na final da Supertaça frente ao Ajax (30-07-2011) serviram para confirmar todas estas características.

Quanto a Brian Ruiz, o conhecido mestre do “tico-tico” da Costa-Rica  - que foi falado como potencial reforço do Sport Lisboa e Benfica e vê agora o seu nome associado ao Totenham    é claramente jogador para outros voos (entenda-se: clube de maior dimensão e aspiração no futebol internacional).  

Em Maio de 2010, Luís Feitas Lobo descrevia este jogador não como “um ala, longe disso, nem será verdadeiramente só um avançado. É um vagabundo da ligação entre meio-campo e ataque que, movendo-se a toda a largura dos últimos 30 metros, sabe ler os espaços na hora certa para passar ou surgir a rematar”. Para melhor o descrever, dele disse: “A sua forma de jogar, elegante, toque de bola perfeito, cabeça levantada e serenidade a cada passe ou remate, contrastam com a clássica imagem guerreira do jogador da América latina (…). Quase uma ironia de classe no futebol da Costa Rica. Chegou à Europa (…) quando o Gent da Bélgica o descobriu no Aljulense, na pátria dos tico-tico, o nome que tornou célebre a selecção costa-riquense. (…) Parecendo quase deslizar pelos relvados, abalou as estruturas do futebol das tulipas” no ano em que o uruguaio Luis Suarez (hoje no Liverpool) mesmo marcando 35 golos não fez do Ajax campeão, o qual caiu aos pés do Twente de Mclaren, do duplo-pivot Brama-Janssen, do extremo esquerdo Stoch e do vagabundo… Ruiz.

Para as posições normalmente desempenhadas por Ruiz e De Jong – e quando estes perdem alguma capacidade física - Co Adriaanse tem chamado (com menor eficácia e intensidade) o holandês Ola John e/ou o alemão Thilo Leugers.

Finalmente, no flanco esquerdo do meio campo / ataque do Twente, o holandês de 20 anos Steven Berghuis foi titular no jogo da Supertaça e na 1ª jormada frente ao NAC pelo que parte como principal candidato ao lugar, o qual pode ser igualmente desempenhado quer pelo sueco Bajrami (muito rápido, sobre a esquerda, finta menos mas extremamente objectivo a procurar a área) ou o belga (de origem marroquina) Chadli, que é normalmente jogador que arranca com muita mobilidade desde a esquerda e surge por dentro, em diagonais com sentido único: a baliza adversária.

Como sérios avisos ao Benfica, deverão constar a vitória do Twente na fase de Grupos da Champions League no ano passado em Bremen (0-2) e os resultados suados do todo poderoso Inter Milão (1-0 em Milão e 2-2 na Holanda) que lhe garantiram o 3º lugar no grupo atras de Inter e Tottenham, de onde transitou para a Liga Europa. Nessa competição em que o Benfica atingiu as meias-finais, o Twente eliminou o Rubin Kazin (2-0 e 2-2) nos 1/16 Final, depois o Zenit (3-0 e 0-2) nos 1/8 Final, caindo aos pés do Vilarreal nos 1/4 Final com duas derrotas (1-3 em casa e 5-1 em Espanha). É uma equipa que, tal como Benfica, normalmente marca pelo que todos os cuidados defensivos serão poucos... fora e em casa, onde tudo certamente se decidirá.

Certo certo certo é que se tratará de duelo difícil entre duas equipas cujo ADN as obriga a fazer do ataque a sua melhor defesa.

NDR: o Benfica eliminaria os holandeses...

sábado, 23 de julho de 2011

Análise ao TRABZONSPOR

O Trabzonspor é o adversário do Benfica na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, jogos a realizar a 27 de Julho (no Estádio da Luz) e a 2 de Agosto (no Estádio Huseyin Avni Aker Stadi com capacidade para cerca de 25 mil pessoas).
Considerado um dos “4 grandes da Turquia” a par de
  • Fenerbahçe (18 títulos);
  • Galatasary (17 títulos); e
  • Besiktas (13 títulos),
o Trabzonspor já venceu o campeonato por seis vezes (1975-76, 1976-77, 1978-79, 1979-80, 1980-81, 1983-84) mas não é campeão há quase 30 anos. Venceu igualmente a Taça da Turquia por oito ocasiões (1977, 1978, 1984, 1992, 1995, 2003, 2004, 2010), tantas quantas as que venceu a Supertaça, sendo que venceu a do ano passado.

Este clube do norte da Turquia (já na parte asiática) - que foi durante muitos anos a única equipa de fora da capital a vencer a Liga (o Bursapor igualou o feito em 2009/10) - acabou a última época com os mesmos pontos do campeão Fenerbahçe, tendo perdido no “goal average” pois apesar de ter sido a equipa com menos golos sofridos no campeonato (23), apresentou saldo positivo de 46 golos contra os 50 golos do campeão que marcou 84 e sofreu 34.

Com um excelente registo de 25 vitórias e 7 empates em 34 partidas da última edição da Liga Turca, o Trabzonspor apenas sofreu duas derrotas (2-0 na casa do campeão e 1-3 frente ao Manisaspor, 10º classificado) e foi, segundo a generalidade da imprensa turca, a equipa que melhor futebol praticou naTurquia em 2010/11.

Fruto desse 2º lugar na “Super Ligi”, o Trabzonspor tem acesso à 3ª Pré-Eliminatória da Champions League, competição em que procura este ano chegar pela primeira vez à fase de grupos.

Em termos tácticos, na última época esta equipa turca apostou habitualmente em dois sistemas consoante o opositor e se o jogo era no seu reduto ou fora (4-4-2 e/ou 4-3-3), sendo que é uma equipa reconhecidamente de posse de bola e que ataca por qualquer zona do terreno não evidenciando qualquer preferência pelas zonas laterais ou central.

Apesar de sistemas e processos consolidados, o técnico Senol Günes não abdicou de ir introduzindo ao longo da temporada algumas variações na estrutura da equipa, sobretudo do meio campo para a frente, mantendo contudo a estrutura defensiva praticamente inalterável.
Relativamente ao ano transacto, o onze ainda assim mais habitual (quando em 4 x 4 x 2, em losango) do Trabzonspor era composto por:
GR: Onur Kıvrak (25 jogos titular) ou Tolga Zengin (9 jogos titular)
Defesa: Os laterais Ceyhun Gülselam (na direita) e Hrvoje Cale (na esquerda) acompanhavam os centrais Giray Kaçar e Egemen Korkmaz.
Meio campo: Selçuk Inan, como médio defensivo, Burak Yilmaz pela esquerda, Alanzinho (ou Ibrahim Yattara) pela direita e o argentino Gustavo Colman no centro.
Ataque: em apoio a Umut Bulut (30 jogos como titular, 13 golos) surgia invariavelmente o brasileiro Jajá Coelho (27 jogos como titular, 12 golos).

Para a nova temporada 2011/12, e ainda que tenha conseguido manter o seu melhor marcador da última época (o médio ofensivo Burak Yilmaz com 19 golos), verificaram-se diversas saídas, de entre as quais se destacam naturalmente os casos de Umut Bulut (para o Toulouse, o qual pudemos ver evoluir no relvado da Luz já nesta pré-temporada no jogo de apresentação aos sócios do S.L.Benfica) e Jajá Coelho (para o Al-Ahli).
Em termos de reforços, Zokora, médio que chegou do Sevilha, é certamente o reforço mais sonante desta formação que quer aceder à Liga dos Milhões, sendo que também a contratação do avançado Altintop (Frankfurt) alimenta o sonho dos adeptos do clube de conquistar o título e brilhar na Liga dos Campeões.
Entre entradas e saídas – e para além do interessante fluxo, nas duas direcções, entre Trabzonspor e Galatasary – a equipa da cidade de Trabzon, continuará a ser um conjunto bastante forte que, a exemplo de todas as equipas turcas, procurará tirar vantagem do ambiente bastante adverso que consegue gerar para os adversários quando os recebe no seu reduto.

Se na Luz poderá apostar num esquema mais comedido, é contudo expectável que em casa o Trabzonspor aposte num 4 x 3 x 3 de muita mobilidade em que deveremos ter no onze inicial:
GR: Tolga Zengin ou Onur Kıvrak (a pré-temporada determinará quem arranca como titular, a experiência de Tolga ou a evidente qualidade de Onur)
Defesa: como lateral direito o reforço Ondrej Celustka (provável depois da saída de Gulselam para o Galatasary) ou o polaco Piotr Brozek (já mais entrosado com a equipa) e na esquerda o polivalente Serkan Balcı ou Hrvoje Cale (titular em 22 jogos no campeonato transacto). No eixo defensivo Giray Kaçar deve ter a companhia de Arkadiusz
Głowacki ou Mustafa Yumlu, depois da saída de Egemen Korkmaz (25 jogos como titular) para o Besiktas de Simão Sabrosa, Quaresma, Hugo Almeida e Manuel Fernandes.
Meio campo: será expectável que o costa marfinense Didier Zokora seja o médio defensivo (compensando a saída de Selçuk Inan – jogador mais utilizado na equipa na temporada passada - para o Galatasary), partilhando o miolo do terreno com o argentino Gustavo Colman e o reforço Adrian Mierzejewski, este último mais adiantado e com maiores responsabilidades na organização do jogo ofensivo.
Ataque: no apoio ao goleador Halil Altıntop será de esperar o aparecimento do reforço Paulo Henrique pela direita (Alanzinho pode ser igualmente opção) e Burak Yilmaz pela esquerda.
Na deslocação a Lisboa, se não quiser (e certamente não quererá) ser tão ofensivo, o técnico Senol Günes poderá apostar num 4 x 2 x 3 x 1, em que Colman jogará ao lado de Zokora na frente do quarteto defensivo, ficando o meio campo entregue a Alanzinho (na direita, mais defensivo que Paulo Henrique), Burak Yilmaz (na esquerda) e Mierzejewski (no centro) com Altintop na frente, ou o próprio Paulo Henrique, dependendo do estado de forma do primeiro.

Outra alternativa, o 4 x 4 x 2 em que comparado com o 4 x 3 x 3, pode Serkan Balcı se juntar no meio campo (preferencialmente pela esquerda) a Adrian Mierzejewski (direita), Zokora e Colman (no centro do terreno) e ficando Burak Yilmaz no apoio ao ponta de lança mais posicional.

Na sua pré-época, o Trabszonspor fez já três jogos e empatou todos 1-1 (FC Oţelul, Genk e Charleroi).

Será certamente uma eliminatória complicada para S.L.Benfica em que será determinante a obtenção de um bom resultado em casa (seria sobretudo importante não sofrer golos) e manter a tendência da época transacta de marcar fora.

Passando esta terceira pré-eliminatória, o S.L.Benfica será cabeça de série no play-off de acesso à Champions, a última fase antes da fase de grupos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Luis Filipe Vieira não só decide... como goleia!

Tendo acabado de assistir à entrevista concedida por L.F.Vieira emitida nesta noite de 9.05.2011, em jeito de balanço da época desportiva 2010/2011, atrevo-me a partilhar aquela que é a minha leitura da mesma enquanto adepto confesso do Sport Lisboa e Benfica.

Só os Benfiquistas que não conhecem bem o seu Presidente (e os muitos anti-Benfica que desejariam sangue e instabilidade para o Glorioso) poderiam esperar uma comunicação (na forma de entrevista) carregada de novidades, de cortes radicais, de decisões pouco ponderadas ou influenciadas por duas ou três semanas de resultados ingratos da equipa principal de futebol do SLB.

Foi um Luis Filipe Vieira (“LFV”), igual a si próprio, aquele que no programa Zona de Decisão, na BenficaTV, diagnosticou o momento actual do clube, escalpelizou a época de futebol 2010/2011 e apontou sem pudor os erros cometidos neste ano, garantindo que os mesmos não se repetirão no futuro…que começou ontem.

Fiel ao futebol ofensivo que a história do Benfica documenta, LFV foi um misto de médio ofensivo (equilibrado, ponderado e inteligente) com um ponta de lança explosivo e goleador.
Se cada ideia foi um golo, LFV goleou.
Para a história fica a sequência dos principais lances desta partida:
LFV 1-0: perante um potencial contra-ataque de alguns dos seus detractores, LFV recupera a bola e ponderado recorda, sem qualquer apego ao poder e à sua cadeira, que a história do Benfica, a sua génese, sempre teve como base a Democracia… pelo que se os sócios recolherem assinaturas para uma AG extraordinária que leve a eleições antecipadas, este Presidente achará natural tal situação (ninguém agrada a Gregos e Troianos) e sentirá orgulho no facto de ser o fiel da balança que garante que, hoje, o clube é, de facto, dos seus sócios... Agora, sendo um Homem com uma Missão, não deixará de lutar por concluir a mesma e concretizar aquela que é a sua visão para o presente e, sobretudo, para o futuro do clube. Estava aberto o marcador com um golo de excelente execução técnica e capacidade de desarmar o adversário na antecipação.
LFV 2-0: questionado sobre que “Modelo de Gestão” é o que preconiza, que o tem orientado nos seus mandatos e que sofre inúmeras críticas, LFV remata em força ao ângulo dos factos, não dando hipótese ao guarda-redes da fraca memória…
Nesse tiro colocado recordou que esse “Modelo de Gestão” é o que permitiu ao Benfica nos últimos anos: a recuperação da credibilidade financeira do clube nacional e internacional (juntos da banca, dos mercados e de outros clubes); a construção do novo Estádio; a construção do novo Centro de Estagio de alto rendimento e essencial à formação do clube; a Benfica TV; a valorização da “marca BENFICA” para valores de vários milhões de euros (marca que ainda assim valerá sempre mais emoções e paixões do que euros… porque não é uma marca susceptível de transaccionar … será sempre propriedade do clube e dos benfiquistas); a possibilidade de dar ao clube modalidades competitivas e a lutar por títulos; a recuperação do espólio e da história do clube; a criação da Fundação Benfica e o papel social que esta desempenha junto da sociedade civil... Desportivamente esse Modelo, em construção, preconiza uma realidade em que ganhar seja normal e natural...no futebol e em qualquer modalidade do clube.
LFV 3-0: após uma pressão alta dos adversários (sedentos de instabilidade, incerteza e descrédito na Luz), suportada num meio-campo cansado de alguns benfiquistas tristes com os resultados recentes da equipa principal, LFV foi rasteirado já dentro da área perante a questão da continuidade de Jorge Jesus ao leme da equipa.
Frio, e mortífero, LFV arrancou para a bola e sem hesitar rematou forte para uma declaração inequívoca de que Jorge Jesus merece a sua confiança e a de todos os Benfiquistas, sendo o Homem certo para o lugar e para a empreitada que a próxima época deixa antever...
Ainda a bola beijava as redes e já LFV acrescentava ao lance a importância de que tenhamos todos, sobretudo os benfiquistas, memória: Jorge Jesus trouxe títulos, trouxe futebol de elevada qualidade e espectáculo, trouxe nova mentalidade e recolocou os benfiquistas num patamar de exigência a que não estavam já habituados… a mesma exigência que agora o colocou numa situação difícil perante o insucesso de uma época que, se comparada com algumas não muito longínquas, teria sido, no mínimo, muito interessante…
Era o terceiro golo do jogo e com ele a festa da convicção de que não foram factores económicos (entenda-se “indemnização”) que ditaram a continuidade de Jorge Jesus (“que nos levará a ganhar outra vez”) no comando da equipa, bem como a projecção de uma futura época mais profícua em que Presidente, Treinador e Director Desportivo corrigirão os erros (já lá iremos) que tiverem que corrigir...
LFV 4-0: Perante os ataques adversários à causa Benfiquista, LFV foi nesta partida também um central de marcação digno do epíteto de “Patrão da defesa” encarnada… Sem dar espaço aos adversários, LFV desarmou, a três tempos, claramente as razões do insucesso (Taça da Liga à parte) futebolístico de 2010/2011:
i) festejou-se tempo demais o extraordinário titulo de 2009/2010;
ii) o plantel foi manifestamente insuficiente e desequilibrado qualitativamente entre as primeiras e segundas escolhas à disposição do treinador;
iii) preparou-se mal o inicio da época, nomeadamente o jogo da Supertaça, que teria efectivo impacto na equipa do Benfica (desconfiou das suas próprias capacidades) e no seu maior adversário (que saiu desse jogo com ascendente motivacional para o resto da época).
Sem fugir das suas responsabilidades, o “Patrão” assumiu que, quanto ao passado, é dele a responsabilidade do insucesso (mais ou menos nestes termos “… posso ouvir muitas opiniões e receber muitos recados… mas a decisão é sempre minha e por isso sou eu o responsável máximo no bom e no mau que aconteça nesta casa”) e que quanto ao futuro “o grau de exigência terá que ser muito superior”... e esses erros não voltarão a ocorrer dentro no clube enquanto for sua a Presidência.
Este quarto golo foi, em si próprio um “hat trick”:
Reconheceu terem existido erros (sem pudores enumerou os principais);
Fez o “mea culpa” (assumiu claramente ter consciência de que gerir uma organização desta magnitude e as emoções das pessoas é algo muito complicado… assumiu que cada má decisão de um Presidente desta instituição custa muito dinheiro ao clube… foi frontal ao reconhecer que algumas más decisões suas custaram dinheiro ao clube e que no futuro terá, forçosamente, que delegar menos…para o bem e para o mal); e
Apontou ao que os adeptos podem contar no futuro (“... seremos de certeza absoluta mais rigorosos na definição do plantel”... as segundas linhas terão que estar qualitativamente mais próximas das primeiras).
LFV 5-0: servido de bandeja para fuzilar a baliza da Arbitragem quando questionado sobre as vezes em que o Benfica foi manifestamente prejudicado nesta época 2010/2011, o Presidente optou por um remate elegante desejando ao Sr. Vitor Pereira e todos os árbitros que a próxima época lhes corra melhor... garantindo que ao Benfica competirá ser mais rigoroso e mais competitivo para garantir que mesmo que ocorram erros alheios (que “vamos acreditar não são premeditados”...) ganhará os jogos e o campeonato dentro do campo... e nunca fora dele!
LFV 6-0: a um cruzamento bem medido sobre o estado das contas do Benfica e do impacto do não apuramento do clube para a final da Liga Europa, LFV cabeceou com clarividência que as contas do Benfica estão perfeitamente equilibradas e que em baixo estará apenas a auto-estima da nação Benfiquista... Na recarga, sem prometer o titulo da próxima época, LFV garantiu que certo é que no dia em que o Benfica voltar a ser Campeão, o clube não festejará mais do que 24horas!!!... sendo essencial que no dia seguinte à festa, todos os profissionais da casa estejam já concentrados na preparação da época seguinte...
Estava feito o sexto golo da noite e com ele enfatizado que a época 2010/2011 não teve o sucesso esperado porque se festejou o título anterior por tempo demais… isso importa mudar rápida e definitivamente... e daqui decorre a importância de tornar a vitória na Liga em algo normal, natural e habitual.
O resultado desta partida avolumava-se e ainda que estivéssemos perto do final do tempo regulamentar, o Presidente conseguiu ainda marcar mais três golos de belo efeito:
7-0: ao repudiar, num chapéu de bela execução, não só os actos de vandalismo de que foi ele próprio alvo (apedrejamento da viatura em que seguia claramente premeditado), mas todos os ataques gratuitos e animalescos às casas do Benfica… Porto, Sporting e qualquer outra instituição;
8-0: garantindo aos Benfiquistas que terão muito orgulho no seu Museu, na recuperação e salvaguarda do espólio histórico do clube… Sublinhando, de calcanhar, que a história do Benfica é para ser vista e sentida por todos os Benfiquistas… actuais e gerações futuras.
9-0: num pontapé à queima-roupa, dando inequívocas indicações de que a aposta na formação tem que ser mais do que um "slogan", mais do que uma promessa, mais do que objectivo: uma realidade com a chamada regular aos trabalhos da equipa principal de juniores e inclusão no plantel principal, todos os anos, de 2 ou 3 jovens promissores da "casa";
10-0: para fechar a contenda, deixando claro, num remate em jeito mas sobretudo em força, que quanto aos direitos televisivos dos jogos do SLB, que não sendo o clube ingrato para quem o auxiliou no passado (Grupo Joaquim Oliveira / Controlinveste / Sport TV), a verdade é que está muito longe de se chegar a acordo para a continuidade dessa relação comercial… ao mesmo tempo que reconheceu (é publico e comunicado à CMVM) que o clube está em negociações com outros grupos (como o de Pais do Amaral e outro) e que pode sempre optar por uma outra via... recordando que o Benfica já foi ousado e criativo (no domínio da comunicação) uma vez, e que o poderá ser novamente… deixando no ar eventualmente, e aqui jogo eu na interpretação livre das entrelinhas, a possibilidade de alguma forma de jogos na Benfica TV (como é desejo de enorme fatia da massa adepta do clube) em regime de “pay per view”? Dificil, não impossivel.
Com este último tento, ao mesmo tempo que demonstrou não estar o Benfica refém da Sport TV, LFV apontou para que o desfecho das negociações destes direitos poderem transportar o clube para outra capacidade económico-financeira… que inclusivamente lhe permitirá ficar numa situação mais confortável para resistir, ou não, à venda de jogadores nucleares... embora nunca seja evidente que o clube não possa nunca desperdiçar a oportunidade de realizar boas mais-valias que possibilitem a amortização de dívidas antigas...
Em resumo, vitória tranquila, numa partida que sem ser espectacular teve momentos de pura classe, elegância, discernimento e muita visão de um futuro que se acredita vitorioso, no panorama do desporto nacional, e em claros tons de Vermelho e Branco do Glorioso Sport Lisboa e Benfica.
Muitos poderão ter visto este “jogo” de forma diferente… Eu vi assim… Se sou mais um da “carneirada pró-Vieira” que não consegue ver que o Homem não é perfeito?!!!... Não preciso… ele próprio reconhece a sua condição humana e os seus erros, recentes e mais antigos…
Mas também vos digo, prefiro de longe ser conotado com a defesa intransigente do trabalho desta Direcção que LFV personifica, do que ser um daqueles anormais a quem a paixão cega e que se manifestam contra Presidentes, Teinadores, Jogadores e demais estrutura do clube sempre que um ou dois maus resultados se sucedem…
Antes ser conotado com um trabalho louvável que coloca LFV ao nível dos nossos mais emblemáticos Presidentes do que servir os interesses de quem quer instabilidade no ninho da águia…
Antes servir o Benfica com a repetição em “slow motion” destes 10 golos de LFV na comunicação à massa adepta do Benfica, do que não ter memória para lhe ser grato pela transformação e revitalização que soube liderar e operar no clube do meu coração…
Respeito naturalmente quem tenha outras opiniões e tenha visto desta entrevista “um jogo diferente”… mas afinal de contas, também é essa a beleza do futebol e da democracia. Certo?