domingo, 21 de agosto de 2011

QUALIDADE À PROVA DE SUSTO (20.08.2011 - SLBenfica 3 - Feirense 1)

Não obstante a entrada com o pé esquerdo na Liga 2011/12 e uma copiosa tarde de chuva em pleno Agosto, cerca de 36 mil adeptos fizeram questão de marcar presença na Catedral para o primeiro compromisso caseiro do S.L.Benfica, num sinal de inequívoca confiança no grupo de trabalho que procurará recuperar para o clube o estatuto de Campeão Nacional. Como novidade no onze inicial encarnado, surgiu Capdevila, organizando Jorge Jesus a sua equipa em 4x1x3x2, como é expectável que faça muitas vezes na Luz perante adversários que apostem na contenção defensiva.

Do outro lado, apresentava-se o Feirense que não pisava o palco da Luz em jogo para a principal Liga nacional desde o longínquo ano de 1989, disposto num 4x2x3x1, em que as ausências de Carlos Fonseca (castigo) e Cris (lesão) abriram as portas à titularidade de Diogo Rosado e Siaka Bamba.
Depois de 12 minutos iniciais em que o Benfica procurou impor a sua natural superioridade sobre um Feirense expectante, Gaitan bateu um livre lateral da direita, Javi amorteceu de cabeça e Saviola falhou por pouco a emenda. Estavam abertas as hostilidades. Bastaria esperar apenas mais 2 minutos para que o Benfica se adiantasse no marcador (aos 14’) pelo inevitável Nolito (a marcar em 5 jogos oficiais consecutivos) que, de primeira, respondeu positivamente ao desvio de Cardozo ao primeiro poste a um lançamento de Maxi Pereira. Na Luz respirava-se tranquilidade, a qual seria reforçada pela jogada seguinte: transição veloz de Saviola, abertura para Gaitan na direita, flexão para o meio e disparo de pé esquerdo, a que Paulo Lopes respondeu com grande intervenção, desviando a bola para o seu poste direito. Até ao intervalo o Benfica criaria ainda mais duas soberanas oportunidades de dilatar o marcador, que concretizadas o teriam colocado a salvo de eventuais percalços: aos 20’ por Aimar (rompeu pelo centro do terreno, ganhou um ressalto e atirou junto ao poste) e aos 37’ por Nolito (que após jogada individual rematou bem perto do poste esquerdo da baliza Feirense).

Terminava a primeira parte com o Benfica dominador, pecando na pouca eficácia com que terminou as inúmeras oportunidades que o seu ataque conseguiu criar. Nesses primeiros 45’ não houve registo de qualquer oportunidade da equipa de Santa Maria de Feira, não obstante a forma bastante organizada como se dispôs na Luz, não abdicando de tentar tirar proveito da velocidade dos seus homens mais adiantados (sobretudo Ludovic e Diogo Rosado) ainda que sem resultados efectivos.

Para os minutos iniciais da segunda parte estaria guardado um golpe de teatro que poderia ter tido graves consequências. No primeiro remate enquadrado com a baliza encarnada, Rabiola corresponderia (aos 53’) de cabeça a cruzamento de Diogo Rosado restabelecendo a igualdade quando nada o fazia prever. Nas bancadas da Luz reinaram imediatamente os sentimentos de injustiça e ansiedade, temendo-se que os homens de Quim Machado “estacionassem o autocarro” à frente da sua baliza… pura ilusão. O Feirense que até então havia sido inofensivo e para quem o 1-0 era claramente lisonjeiro, moralizou-se, sonhou e cresceu… tanto que aos 64’ veria Artur fazer magnifica intervenção a remate de Diogo Rosado evitando o 1-2.

Lendo o jogo e reagindo à igualdade, Jesus havia já promovido a entrada de Axel Witsel (aos 60’) para a direita para o lugar de Gaitan, tendo com isso recuperado o controlo total do meio campo e o reequilíbrio da equipa.

Sabendo que não podiam dar segundo passo consecutivo em falso nesta Liga, os jogadores do Benfica empurrados pelos adeptos e pelo seu técnico, deram então imensa prova de qualidade, raça e abnegação dando maior intensidade ao seu jogo na busca da vitória. Aos 71´Cardozo bateu de pé esquerdo um livre que Paulo Lopes defendeu em grande estilo e foram precisos apenas mais 4 minutos para que (aos 75’) o enorme carácter e coração de Maxi lhe permitissem ganhar a linha de fundo e cruzar para Cardozo carimbar a “sua arte”: a de fazer o golo. A Luz voltava a sorrir… o Benfica recuperara do susto e repusera a justiça no resultado. Minutos mais tarde, aos 90’+1’, Bruno César (que aos 77’ substituiu AImar) passou por três adversários em força e habilidade, rematando cruzado para o melhor golo da noite, deixando excelente cartão-de-visita no seu primeiro jogo oficial na Luz.

O Benfica venceu o jogo, criou inúmeras oportunidades de golo, sobreviveu ao susto e somou os 3 pontos conforme se lhe exigia em casa frente a um primo-divisionário, mas deve rever a sua abordagem colectiva em momento defensivo, incrementando a sua capacidade de pressão e velocidade de reacção à perda da bola – bem como a respectiva consistência competitiva e emocional - sob pena de poder vir a experimentar dificuldades indesejáveis em futuros compromissos nesta Liga.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

RELATÓRIO & CONTRAS no ar - 15.08.2011

Dia 15 de Agosto de 2011 marcou a estreia do programa RELATÓRIO & CONTRAS, liderado pelo jornalista Ricardo Soares, na grelha da BenficaTV.


Trata-se de um programa semanal, em directo, às 22horas de todas as segundas-feiras, com duração de hora e meia, onde "se fala futebolês". Para além de todos os temas da actualidade do Sport Lisboa e Benfica, este programa centrar-se-à, essencialmente, no rescaldo da jornada anterior e na antevisão dos futuros compromissos da equipa de futebol senior do clube.


Para além de um convidado que abrilhante cada edição com a sua própria forma de ver, sentir e exprimir a sua paixão pelo futebol e pelo Benfica, o programa contará sempre com dois comentadores residentes:
> Afonso de Melo (AM); e
> António Pires Vicente (APV) ou Sérgio Berenguer (SB), estes em esquema rotativo.


A AM competirá apresentar as rubricas "DOSSIER DE IMPRENSA" e "O LIVRO DA SEMANA", enquanto a APV/SB caberá apresentar as rubricas "RELATÓRIO MINORITÁRIO" (análise técnico-tática do próximo adversário do SLBenfica) e "O ONZE DA SEMANA", sendo que todos, individualmente, expressarão ainda quem é "O MAIOR DA SEMANA".


O programa conta ainda com outras rubricas como "OS MOMENTOS SAPO", o "VAMOS A CONTAS", a "FOTO DA SEMANA" e o momento "DO CONTRA", sendo no seu conjunto um programa de verdadeira tertúlia eminentemente futebolistica, para o qual estão convidados semanalmente todos os Benfiquistas que podem ainda participar no programa via Facebook.


Nesta primeira edição do programa, onde participei com muita honra e satisfação, apresentei os seguintes 11: da semana e de antecipação dos próximos adversários do SLBenfica (Twente e Feirense). 










segunda-feira, 15 de agosto de 2011

F.C. Twente - A antevisão do jogo de dia 16.08.2011

Não sendo o mais importante adversário do Sport Lisboa e Benfica – esse dá pelo nome de Gil Vicente pois é o próximo – a verdade é que ultrapassar o F.C.Twente no “Play-off” de acesso à fase de grupos da Champions League assume grande importância (económica, sim, mas sobretudo moral e mobilizadora) para o que será o Benfica na temporada 2011/12 que agora se inicia.

Campeão em 2009/2010, sob a batuta do inglês Steve McClaren somando 86 pontos (mais um que o Ajax, mais 8 que o PSV e mais 23 que o Feyernoord) e Vice-Campeão em 2010/2011 (perdeu o jogo e o título para o Ajax na última jornada da competição) sob o comando técnico de Michel Preud´Homme, o F.C. Twente é um digno representante do futebol tecnicista e de ataque do país das tulipas.

Agora comandado por Co Adriaanse (que curiosamente perdeu com o Glorioso em casa e fora no ano em que treinou em Portugal), o Twente apresentou recentemente para esta época um modesto orçamento de 45,5 milhões de euros, sendo que entre saídas (fez uma única transferência relevante por 3 milhões de euros de Theo Janssen para o Ajax) e entradas (de baixo custo como o lateral direito Cornelisse, proveniente do FC Utrecht, e o médio Willem Janssen oriundo do Roda), pouco se alterou a estrutura do plantel para esta nova época, que se iniciou com “saborosa” vitória na Supertaça sobre o Ajax (2-1) com quem discute actualmente o domínio da Liga Holandesa.

Se é verdade que a laranja mecânica, e tudo o que se lhe seguiu com origem nela, foram esquemas revolucionários, a verdade é que o futebol holandês não está mais na linha da frente quanto á revolução táctica, mantendo contudo no seu ADN a filosofia ofensiva como principal característica. Ainda que seja equipa (independentemente da era McClaren, Preud’Homme ou Adriaanse) que mantenha por principio a colocação rápida da bola nos flancos, dando largura ao campo, circulando jogo, partilhando do tradicional sistema táctico holandês do 4x3x3, este Twente é, ainda assim, por norma, o mais conservador dos clubes que dominam a Liga Holandesa.
Na baliza, apenas alguma indisponibilidade física impedirá Mihailov de ser titular, o que colocaria na baliza do Twente o veterano (40 anos) Boschker (como ocorreu na 1ª jornada da Liga Holandesa 2011/2012). O quarteto defensivo manterá, tudo indica, intacta a dupla de centrais formada pelo brasileiro Douglas (muito forte no jogo aéreo, muito sereno e com bom domínio de bola) e Peter Wisgerhof (na ausência/indisponibilidade de algum deles o provável substituto será o sueco Rasmus Bengtsson), com Cornelisse (ex- FC Utrecht) como provável lateral direito (o venezuelano Rosales pode ser outra opção, ele que pode jogar nesta posição ou mais adiantado como ala) e Tiendalli como lateral esquerdo (a alternmativa pode ser o belga Buysse).

No meio campo, e tal como na época transacta, o Twente parece surgir em 2011/12 a apostar muitas vezes num duplo-pivot formado por Brama, mais defensivo, ele que fora acompanhado em 2010/11 por Theo Janssen e cuja responsabilidade das transições parece ser agora, em 2011/12, assumida por Willem Janssen. Este duplo-pivot liberta para o apoio ao gigante austríaco Marc Janko, as duas principais figuras da equipa: De Jong e Brian Ruiz.

Sobre Luuk de Jong sabe-se (conforme descrito no trabalho “Os 20 negócios de jogadores que recomendamos em 2011” pelo FUTEBOL FINANCE) tratar-se de um “avançado centro de origem, também capaz de actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, viveu a sua época de afirmação na Eredivisie, ao juntar 12 assistências a 12 golos em 32 jogos. Muito inteligente a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, e extremamente oportuno em zona de finalização, sabe tirar partido do seu bom remate com os pés - o direito é o que melhor define - e do seu poderoso jogo aéreo. Muito trabalhador e com grande sentido colectivo, revela muito bons apontamentos no passe, de costas ou de frente para a baliza, e, apesar da sua elevada estatura, é rápido, móvel e capaz de produzir desequilíbrios no um para um”. Os noventa minutos jogados por De Jong na final da Supertaça frente ao Ajax (30-07-2011) serviram para confirmar todas estas características.

Quanto a Brian Ruiz, o conhecido mestre do “tico-tico” da Costa-Rica  - que foi falado como potencial reforço do Sport Lisboa e Benfica e vê agora o seu nome associado ao Totenham    é claramente jogador para outros voos (entenda-se: clube de maior dimensão e aspiração no futebol internacional).  

Em Maio de 2010, Luís Feitas Lobo descrevia este jogador não como “um ala, longe disso, nem será verdadeiramente só um avançado. É um vagabundo da ligação entre meio-campo e ataque que, movendo-se a toda a largura dos últimos 30 metros, sabe ler os espaços na hora certa para passar ou surgir a rematar”. Para melhor o descrever, dele disse: “A sua forma de jogar, elegante, toque de bola perfeito, cabeça levantada e serenidade a cada passe ou remate, contrastam com a clássica imagem guerreira do jogador da América latina (…). Quase uma ironia de classe no futebol da Costa Rica. Chegou à Europa (…) quando o Gent da Bélgica o descobriu no Aljulense, na pátria dos tico-tico, o nome que tornou célebre a selecção costa-riquense. (…) Parecendo quase deslizar pelos relvados, abalou as estruturas do futebol das tulipas” no ano em que o uruguaio Luis Suarez (hoje no Liverpool) mesmo marcando 35 golos não fez do Ajax campeão, o qual caiu aos pés do Twente de Mclaren, do duplo-pivot Brama-Janssen, do extremo esquerdo Stoch e do vagabundo… Ruiz.

Para as posições normalmente desempenhadas por Ruiz e De Jong – e quando estes perdem alguma capacidade física - Co Adriaanse tem chamado (com menor eficácia e intensidade) o holandês Ola John e/ou o alemão Thilo Leugers.

Finalmente, no flanco esquerdo do meio campo / ataque do Twente, o holandês de 20 anos Steven Berghuis foi titular no jogo da Supertaça e na 1ª jormada frente ao NAC pelo que parte como principal candidato ao lugar, o qual pode ser igualmente desempenhado quer pelo sueco Bajrami (muito rápido, sobre a esquerda, finta menos mas extremamente objectivo a procurar a área) ou o belga (de origem marroquina) Chadli, que é normalmente jogador que arranca com muita mobilidade desde a esquerda e surge por dentro, em diagonais com sentido único: a baliza adversária.

Como sérios avisos ao Benfica, deverão constar a vitória do Twente na fase de Grupos da Champions League no ano passado em Bremen (0-2) e os resultados suados do todo poderoso Inter Milão (1-0 em Milão e 2-2 na Holanda) que lhe garantiram o 3º lugar no grupo atras de Inter e Tottenham, de onde transitou para a Liga Europa. Nessa competição em que o Benfica atingiu as meias-finais, o Twente eliminou o Rubin Kazin (2-0 e 2-2) nos 1/16 Final, depois o Zenit (3-0 e 0-2) nos 1/8 Final, caindo aos pés do Vilarreal nos 1/4 Final com duas derrotas (1-3 em casa e 5-1 em Espanha). É uma equipa que, tal como Benfica, normalmente marca pelo que todos os cuidados defensivos serão poucos... fora e em casa, onde tudo certamente se decidirá.

Certo certo certo é que se tratará de duelo difícil entre duas equipas cujo ADN as obriga a fazer do ataque a sua melhor defesa.

NDR: o Benfica eliminaria os holandeses...