A 15ª e última jornada da Liga Zon Sagres , época 2011/12, coloca frente a frente, na Luz, um Benfica moralizadíssimo pela liderança isolada na prova e pelo pecúlio de 13 golos marcados e apenas 2 sofridos nos seus últimos 3 compromissos, perante um Vitória de Setúbal, 12º classificado, que vem de 3 empates consecutivos (todos 1-1 com Feirense, Nacional e Académica), que não vence para o campeonato desde a Jornada 7 (vitória caseira sobre Rio Ave pior 2-1) e que curiosamente apenas perdeu 1 (em Guimarães por 3-0 à 11ªJornada) dos seus últimos 5 jogos. O favoritismo pende pois todo para os comandados de Jorge Jesus que recebem em casa um adversário que, sob as ordens de Bruno Ribeiro, em 14 Jornadas perdeu 6, empatou 5 e apenas venceu por 3 vezes, tendo sofrido 20 golos e marcado apenas metade, o que lhe confere o “estatuto” de pior ataque da Liga.
Relativamente ao que esperar da constituição das equipas para esta partida, as duvidas serão maiores do lado do Vitória de Setúbal do que do S.L.Benfica.
Apesar das ausências de Javi Garcia (que viu 5º amarelo na Liga) e, eventualmente, de Pablo Aimar, o Benfica será claramente favorito para esta partida, não se esperando grandes alterações no 11 que goleou, na Marinha Grande, a União de Leiria por 4-0. Apesar de em risco de exclusão, Maxi Pereira e Emerson deverão continuar a formar o quarteto defensivo com Luisão e Garay, resguardando Artur que manterá a absoluta titularidade. Matic deverá juntar-se a Witsel no miolo com as alas entregues a Bruno César (direita) e Nolito (esquerda), podendo o brasileiro actuar na esquerda se se comprovar a recuperação e utilização de Gaitan à direita. Cardozo será certamente titular e em seu apoio directo poderão estar Aimar (se recuperar a 100%), Rodrigo (como frente à União de Leiria) ou Saviola (com sucedeu na recepção ao Rio Ave).
Partindo do principio que Bruno Ribeiro não abdicará de dispor a sua equipa em 4x2x3x1 (como fez genericamente todo o campeonato, incluindo nas deslocações a Alvalade e ao Dragão) e que o mercado de inverno não empobrece a capacidade deste Vitória (fala-se muito nas saídas do guarda-redes Diego – atleta sadino actualmente com maior mercado – e do experiente defesa central Anderson do Ó) acredito que o seu 11 base não estará longe do seguinte:
Na baliza estará, se entretanto não rumar a outro destino, o guarda-redes DIEGO, muito seguro, sempre bastante concentrado e capaz de “defesas impossíveis”. É o único totalista da equipa, acumulando 1.260 minutos decorrentes das 14 partidas já disputadas. Caso a sua saída se verifique até sábado, MATOS parte na frente de RICARDO (que foi fundamental no triunfo sadino por 3-1 na Taça da Liga perante o Estoril, 3-1), sendo que nenhum destes tem para já qualquer minuto jogado nesta edição da 1ª Liga.
Nas laterais da defesa, MIGUELITO estaria seguramente à esquerda se não tivesse visto o 5º amarelo na recepção à Briosa que o impede de jogar na Luz nesta 15ª Jornada. O experiente esquerdino é 2º jogador mais utilizado esta época por Bruno Ribeiro acumulando 1.257 minutos nas 14 jornadas que disputou. Assim, na esquerda deverá estar, salvo qualquer adaptação (do brasileiro Bruno Gallo, por exemplo), o português IGOR de 27 anos (utilizado na função, por exemplo, frente ao Feirense) e na direita aparecerá o brasileiro MICHEL, que parece ter, para já, vencido a luta pela titularidade a NEY SANTOS. De notar que em jogos de maior nível de exigência Bruno Ribeiro utilizou Miguelito na esquerda do meio-campo sadino, ocupando IGOR a lateral esquerda, possibilidade esfumada para esta partida com o castigo de Miguelito. Também a utilização de KIKO, como defesa esquerdo é uma possibilidade com igual probabilidade de acontecer, ele que que se estreou na Liga na última jornada - com exibição agradavel e a pedir sequência - em terrenos mais adiantados normalmente pisados por José Pedro (então lesionado).
A dupla de centrais deverá continuar a cargo do capitão e guerreiro de sempre RICARDO SILVA e de ANDERSON DO Ó, ele que tem sido o “melhor de Amigo” e fiel escudeiro do guarda-redes sadino já que são inúmeros os jogos em que é imaculada a sua actuação (normalmente imperial pelo ar e muito arrojado e decidido pelo chão). Esta dupla actuou junta em 12 das 14 partidas já jogadas plo Vitória, somando ambos os jogadores mais de 1.000 muinutos nesta edição da Liga, o que atesta do seu estatuto na equipa.
À frente do quarteto defensivo, e para o “duplo-pivot” que confere consistência e equilíbrio ao meio-campo sadino existem cinco candidatos para 2 vagas. Se em boas condições físicas, HUGO LEAL (normalmente o “mastro” da equipa e homem que marca os tempos de saída do ataque do Vitória) e BRUNO AMARO (médio de grande disponibilidade, costuma ser o primeiro a “cerrar os dentes” na luta pela recuperação da bola e aquele que, após recuperado o esférico procura dar forma real aos desejos atacantes da equipa), serão os mais prováveis titulares. Ambos actuaram já por 12 vezes esta época.
Num segundo patamar e também candidato à titularidade para esta zona do terreno estará BRUNO GALLO (titular, por exemplo, na última partida em que foi tacticamente útil a fechar mas pouco audaz na hora de construir), sendo outras opções menos prováveis TENGARRINHA (titular contra Rio Ave e Marítimo nas 7ª e 8ª Jornadas, em que actuou sempre muito próximo dos defesas e foi mais um terceiro central do que uma efectiva peça do meio-campo) e GONÇALO DIAS (que teve os 5 minutos de estreia na Liga na ultima jornada).
Mais adiantados no terreno em relação a este “duplo-pivot”, e em apoio ao homem mais adiantado, estarão muito provavelmente três muito experientes portugueses: JOSÉ PEDRO pela esquerda (se entretanto plenamente recuperado da lesão que o afastou da convocatória na ultima jornada), o sempre veloz e repentista JORGE GONÇALVES pela direita (autor do golo da equipa na ultima jornada e que a par de Diego e Miguelito compõe o trio de jogadores utilizados em todos os jogos do Vitória, na Liga, esta temporada) e pelo meio, em apoio ao ponta-de-lança, o tecnicista NECA (2º melhor marcador da equipa na Liga com 2 golos, ambos de penalty, obtidos nas 13 partidas em que actuou).
Como outras opções para estes 3 lugares, pode o técnico Bruno Ribeiro chamar sem surpresa os jovens KIKO (se não for lançado a defesa esquerdo, e como aposta segura caso José Pedro não recupere ou, mesmo que recupere, se o técnico privilegiar a irreverência e acutilância deste jovem, à maior experiência e poder de fogo do experiente ex-belenenses), PEDRO MENDES (que aporta sempre vivacidade, pela direita, ao ataque sadino, agitando-o e revigorando-o como fez, por exemplo, na 10ª e 12ª jornadas contra o Gil Vicente e o Feirense), BRUNO SEVERINO (claramente o 12º jogador desta equipa, ele que foi lançado em 8 partidas como suplente, sempre pela pela esquerda – Feirense, Gil Vicente, Marítimo, Beira-Mar, etc. – mas sempre na fase final do jogo, como se comprovam pelos 215 minutos de utilização, sem que consiga explanar o seu reconhecido talento) ou GONÇALO GRAÇA (lançado com bons pormenores, por exemplo, no jogo frente ao Marítimo, é um extremo que sobe bem mas ainda comete vários erros defensivos).
Para a posição que neste esquema entrego a Neca (que dá sinais de perder alguma disponibilidade física de outrora) pode o técnico Bruno Ribeiro lançar, o igualmente municiador de muito jogo do jogo atacante sadino, o brasileiro CLAUDIO PITBULL que, ainda que não estando no seu auge de forma, foi determinante (sobretudo pela raça e objectividade que conferiu ao jogo) na última jornada (sublime o passe para Jorge Gonçalves fuzilar o guarda-redes Academista) ou RAFAEL LOPES (estreado na Liga na visita ao Dragão) que é um jogador de muita entrega ao jogo e que costuma ser um bom apoio ao homem mais avançado, trazendo normalmente boas ideias ao jogo sadino. A esses movimentos de predador – foi dele o golo de cabeça (mal) anulado no primeiro minuto do jogo da última jornada frente à Académica - alia ainda muita intensidade e boa capacidade de pressão alta.
Na frente, como homem mais adiantado, Bruno Ribeiro pode lançar o próprio Rafael Lopes (como fez contra a Académica na ultima jornada), o próprio Claudio Pitbull (jogou nessa posição no Dragão com Neca nas suas costas) ou, mais provavelmente, o português JOÃO SILVA (melhor marcador da equipa com 3 golos e que actuou nessa posição em Alvalade, em Leiria, nos Barreiros e nas recepções a Feirense, Gil Vicente e Rio Ave, para citar alguns exemplos), o qual costuma dar muito trabalho aos centrais adversários, pelo que luta e pelo que corre na procura de espaços. João Silva, avançado de 21 anos e 1,89 de altura, formado na Vila das Aves, pertence aos quadros do Everton, tendo na temporada passada rodado em Leiria,sido este ano emprestado pelos ingleses ao Vitória de Setubal.
Se pretender converter o seu sistema táctico em 4x4x2, não será de estranhar que Bruno Ribeiro faça Bruno Amaro (ou Bruno Gallo) passar do “duplo-pivot” mais central para a direita do meio-campo (ou aí colocar Pedro Mendes), colocando em apoio a João Silva (ou Rafael Lopes) o brasileiro Claudio Pitbull ou promovendo a subida de Jorge Gonçalves (ou Rafael Lopes). Na esquerda do meio-campo, em 4x2x3x1 ou 4x4x2 estarão sempre, creio, José Pedro ou Kiko (neste caso o defesa lateral esquerdo deverá ser Igor).
Se apostar em 4x3x3 – possível na visita à Luz – pode ainda o técnico sadino, mantendo o quarteto defensivo, e abdicando de Bruno Amaro, colocar na zona intermédia Neca (mais à direita), Hugo Leal (ao centro) e José Pedro (na esquerda, como sempre) e à sua frente os alas Jorge Gonçalves (sempre pela direita) e Kiko (pela esquerda) no apoio a João Silva (ou Rafael Lopes, ou Pitbull). Neste desenho, pode também aparecer Cláudio Pitbull como flanqueador pela esquerda, à frente de José Pedro (jogou assim na recepção ao Paços de Ferreira). Se quiser manter Bruno Amaro neste desenho, é natural que este ocupe a esquerda do meio campo, fazendo subir José Pedro (ou Kiko, neste caso com Igor a lateral) para a sua frente (mantendo Jorge Gonçalves à direita).
No histórico de confrontos entre estas equipas para o campeonato nacional, em 126 partidas o S.L.Benfica venceu 89 (71%), perdeu (13%) e empatou 21 /17%). Se olharmos para tais confrontos em casa do S.L.Benfica, tal superioridade é ainda maior, verificando-se que em 63 partidas este venceu 55 (87%), empatou 6 (10%) e perdeu apenas por 2 (3%) ocasiões.
Para encontrar uma vitória sadina para a Liga, na Luz, teríamos que recuar a 30 de Agosto de 1987 quando os homens treinados pelo inglês Malcom Allison, venceram por 1-0 (golo madrugador de Aparício aos 2 minutos de jogo) o S.L.Benfica comandado pelo Dinamarquês Ebbe Skovdhal, logo à 2ª Jornada dessa edição da competição.
A mais recente vitória dos homens do Sado sobre o S.L.Benfica representou para os primeiros o seu penúltimo troféu: a Taça de Portugal 2004/2005 (depois disso venceriam a Taça da Liga ao Sporting C.P. em 2007/08), conquistada no Jamor, com resultado de 2-1, virando o 1-0 de Simão Sabrosa com golos de Manuel Jose e Meyong, e assim impedindo a “dobradinha” dos segundos, campeões nessa época com Giovanni Trapattoni.
Nas duas ultimas temporadas, o Vitória de Setúbal visitou o S.L.Benfica à 3ª Jornada e foi brindada com 3-0 (na época passada 2010/11 com golos de Cardozo, Luisão e Aimar) e 8-1 (na época anterior 2009/10 com tentos encarnados de Javi, Aimar, Ramires, Nuno Gomes e “hat-trick” de Oscar Cardozo, e golo de honra sadino apontado por Helder Barbosa aos 90’).
São pois pratos da balança claramente pendentes para o líder do campeonato, o qual deverá encontrar dura resistência adversária, sobretudo até que consiga abrir o marcador. Tais dificuldades serão acrescidas para os comandados de Jesus se o Vitória de Setúbal sair na frente do marcador, contrariando a sua fraca apetência para marcar golos fora esta temporada (apenas 3: 2 em Olhão e 1 na Choupana). Ainda assim, mesmo perante tal cenário, será crível que, empurrados certamente por uma mais que provável muito bem composta casa, os anfitriões somem os 3 pontos em disputa.