sábado, 31 de março de 2012

S.L.Benfica - Braga: o jogo do tudo ou nada...

O S.L.Benfica recebe hoje o lider do Campeonato S.C.Braga num jogo que, em caso de vitória de uma das equipas, certamente se definirá quem acompanhará o F.C.Porto na luta até ao fim pelo título nacional.

Vencendo os da Luz, ultrapassam o Braga (importante desportivamente na luta pelo título e vital financeiramente na luta pelo apuramento para a Liga dos Campeões da próxima temporada) e manter-se-ão a um ponto dos dragões que (com maior ou menor dificuldade) deverão somar 3 pontos na visita do Olhanense (curiosamente privado do central Mauricio que foi, contra os da Luz, o "melhor em campo" para aimprensa desportiva).
Se capitalizar nessa vitória (e a viagem a Stamford Bridge não obrigar a um tortuoso prolongamento), o Benfica pode apresentar-se em Alvalade na jornada seguinte com o propósito de reassumir a liderança na prova, caso vença (sempre dificil pelas caracteristicas de um "derby" como não há outro em Portugal) e caso o Braga "roube" pontos ao F.C.Porto.

Em caso de empate no Benfica-Braga de hoje, quem vence é claramente o F.C.Porto que "ganha dois pontos" aos seus directos adversários, desde que faça a sua parte, como é crivel que aconteça. Caso tal ocorra, os homens de Vitor Pereira podem visitar a Pedreira lideres, sem a necessidade de forçar a vitória, já que um empate o manteria lider...mesmo que em igualdade pontual com o Benfica, no caso de vencer em Alvalade... assim o determinou o golo azul-e-branco irregular na Luz.

Em caso de vitória hoje dos homens de Leonardo Jardim, estes elevam a vantagem para cinco pontos em relação ao Benfica (o que será quase um "KO" para este na luta pelo titulo) e manterão a vantagem de um ponto para o F.C.Porto que recebem na próxima jornada onde, vencendo, poderão praticamente encomendar as faixas mesmo tendo ainda que viajar a Alvalade.
A cidade de Braga - que tem já uma feijoada prometida - sabe que a 6 jornadas do fim, estes dois próximos jogos (o de hoje na Luz e o da próxima jornada em casa com o actual campeão nacional) serão os decisivos, pois vencendo ambos, acumulará vantagem suficiente para qualquer percalço em Paços de Ferreira ou Alvalade (assumindo que nos jogos caseiros com Beira-Mar e Olhanense fará os seis pontos que se lhe exige).

Digam o que disserem os analistas este é um dos jogos do titulo... mais do que importante: DECISIVO, sim! Sobretudo para quem corre atrás...

Osso muito duro de roer este para Jorge Jesus hoje.

Que Braga esperar logo mais? O Braga lider, autoritário, eficiente, por vezes brilhante na construção ofensiva e outras tantas feio e exemplo acabado de anti-jogo classico... 

QUIM estará certamente na baliza e não se poupará certamente a alguns assobios nesta visita à Luz onde foi Campeão, fruto de algumas declarações após o Braga - Benfica do apagão na primeira volta do campeonato... quem cospe literalmente no prato onde comeu durante tantos anos (e bastar-lhe-ia ter-se mantido calado num assunto que não era da sua competência opinar) não deixa de merecer tais assobios.

Não são esperadas grandes alterações no quarteto defensivo com as laterais a serem ocupadas por MIGUEL LOPES (direita) e ELDERSON (esquerda), e no centro da defesa DOUGLÃO e NUNO ANDRÉ COELHO.

Neste tradicional 4x3x3 de Leonardo Jardim, parece claro que os 3 da frente serão ALAN pela direita (e para tirar partida da menor velocidade dos laterais esquerdos do Benfica), HELDER BARBOSA pela esquerda, e LIMA como homem mais adiantado (ele que é o melhor marcador do campeonato com 19 golos, mais um do que Oscar Cardozo). Pode também PAULO CÉSAR ser lançado na direita (em detrimento de ALAN) ou até mesmo na esquerda (sando HELDER BARBOSA do onze).

É nos 3 do meio campo que reside a maior duvida.

Habitualmente Jardim compõem este triangulo em 1x2, fazendo evoluir MOSSORÓ pela direita, HUGO VIANA pela esquerda e CUSTÓDIO, mais recuado, pelo centro, logo à frente dos centrais. Esta solução é mais ofensiva e permite que muitas vezes o desenho da equipa se altere, em posse de bola, para 4x2x3x1 com o posicionamento de MOSSORÓ nas costas de LIMA, entre ALAN/PAULO CESAR (direita) e HELDER BARBOSA(esquerda).

Jogando contudo em casa de um adversário de respeito como é o Benfica, e em função da sua própria forma de jogar, não será de estranhar se Leonardo Jardim (logo de inicio ou em caso de vantagem... no marcador ou em numero de homens de campo) alterar o seu triangulo de 1x2 para um 2x1, situação em que, retirando MOSSORÓ, pode perfeitamente colocar DJAMAL ao lado de CUSTÓDIO, com HUGO VIANA mais à frente para organizar as saídas ofensivas da equipa e tentar tirar partido do seu remate de longa distância.

Este Braga tem efectivanente muitas soluções...sabendo normalmente jogar bem as suas cartas e impor a lei do mais forte, como atesta a brilhante série de vitórias na Liga... Hoje tem um dos ultimos testes à sua real fibra de campeão pois jogará contra outro candidato ao título, em casa deste, o qual também tem no seu plantel muitas soluções e um técnico que delas sabe normalmente tirar o melhor proveito.

Jogo de nervos... jogo "rasgadnho" para homens de barba rija.

Se nada de estranho (e vestido de preto) ocorrer, ganhará quem tiver mais sede de vitória, maior atitude colectiva, mais apurada capacidade fisica e táctica e... rasgo de génio das suas individualidades (e nesse caso a ausência de Aimar penaliza o Benfica e os amantes de bom futebol).

Favoritos? Em casa do S.L.Benfica, o favoritismo (a 100% ou a 51%) terá de ser sempre seu... hoje, mais do que nunca neste campeonato, espera-se-lhe uma resposta cabal das suas capacidades.

O jogo de hoje é, para o S.L.Benfica, muito provavelmente, a sua última oportunidade de continuar a lutar pelo título... Perdendo fica quase irremediavelmente afastado,  empatando fica refem de muitas ocorrências que não dependem de si e mesmo vencendo nada assegura ainda nesta 25ªJornada... excepto dar um claro sinal, para fora (adversários) e para dentro (onda vermelha), de que estará na luta até ao fim.

domingo, 25 de março de 2012

S.L.BENFICA - CHELSEA F.C. - Quartos de Final da Liga dos Campeões 2011/12 - A ANTEVISÃO


CHELSEA: A história recente

Depois de 4 modestos anos de Claudio Ranieri (entre as épocas 2000/01 e 2003/04) – traduzidos em dois 6º lugares, um 4º lugar e um 2º lugar a 11 pontos do Arsenal de Wenger - Roman Abramovich decidiu apostar num jovem treinador português, que acabara de espantar a europa do futebol, para projectar um CHELSEA vencedor.
José Mourinho chegou, viu e venceu… para espanto do povo inglês, um treinador de um país periférico venceu a Premier League na sua época de estreia (2004/05) de forma categórica (vantagem de 12 pontos para o anterior campeão Arsenal de Wenger) e projetava jogadores conhecidos mas que estavam ainda longe de ser as estrelas planetárias em que se tornaram: Petr Cech, John Terry, Frank Lampard e Didier Drogba.
50 anos depois o CHELSEA FC voltava a ser Campeão, juntando ao título a vitória na Taça da Liga. No ano seguinte – em que muitos apostavam ser impossível repetir a proeza perante os mais consolidados M.United e Arsenal – a história repetir-se-ia e os homens de Mourinho (de facto “The Special One”) sagrar-se-iam Bi-Campeões (2005/06) vencendo ainda a Supertaça Inglesa. Em 2006/07, na terceira época (e ultima completa) de Mourinho em Stamford Bridge  o campeonato fugiria para por 6 pontos para a equipa de Sir Alex Ferguson, no que não seria uma época em branco fruto das vitórias nas Taças de Inglaterra e da Liga Inglesa.
Na época seguinte (2007/08), o desejo por “novos palcos e novos desafios”, o cansaço de guerras internas com Avram Grant e as intromissões do milionário patrão, ditaram a saída de Mourinho e o fim do ciclo mais positivo da história dos “Blues”.
De lá para cá nunca mais o Chelsea conseguiu ser tão dominador – excepto na época de 2009/10 em que Carlo Ancelotti venceu o campeonato – tendo ao comando de 2007 à actualidade 6 técnicos: Avram Grant (2º em 07/08), Scolari e Hiddink (3º em 08/09), Ancelotti (1º em 09/10 e 2º em 2010/11), André Villas-Boas e…Di Matteo (5º à 30ª Jornada em 2011/12).
A todos eles, como no seu tempo a Mourinho, e para lá da vitória obrigatória na Liga Inglesa, Roman Abramovich pediu sempre a máxima consagração, entenda-se, a vitória na Champions League ou, no mínimo, chegar à sua final.
 
CHELSEA: A actualidade
O Chelsea de Mourinho seria provavelmente temível para o Benfica de então… o Chelsea actual – ainda que incontornavelmente um duro osso de roer (fruto de um orçamento incomensuravelmente superior) – não será necessariamente impossível de ultrapassar.

Internamente a realizar a pior época desde as primeiras duas de Ranieri (de 2000 a 2002), o Chelsea chega aos Quartos de Final da Campions League depois de inverter em sua casa (com recurso a prolongamento) uma desvantagem de 3-1 no estádio San Paolo em Nápoles (onde chegou estar a vencer com golo de Mata).

Se o jogo da 2ª volta é um claro sinal de força e crença, já o da 1ª volta foi um claro indicador de que fora de portas – perante um adversário que o confronte “olhos nos olhos” – esta equipa não é tão avassaladora como foi em anos recentes…and Specials.
Entre o jogo em Nápoles e em Londres fechou-se o ciclo Villas-Boas e a prova que Mourinho é irrepetível, por ser único e original. Mourinho conquistou um plantel de jovens jogadores sedentos de sucesso e fez deles os seus principais aliados… Villas-Boas, ao invés, quis dominar um plantel de jogadores já mais veteranos, milionários e campeões.
Antes do Nápoles nos Oitavos de Final, a equipa Londrina dominou o Grupo E em que se classificou à frente do Bayern Leverkusen, Valencia e Genk. Em 6 jogos (em que marcou 13 e sofreu 4) fez o pleno em casa (3 vitórias), tendo perdido na Alemanha (2-1) e empatado em Espanha e na Bélgica (ambos 1-1).
Na Premier League o Chelsea ocupa actualmente, jogada a 30ª Jornada, a 5ª posição fruto de 15 jogos fora e outros tantos em casa.
Em Stamford Bridge os “Blues” perderam 3 jogos (3-5 com Arsenal, 1-2 com Liverpol e 1-3 com Aston Villa), empataram 3 (1-1 com Fukham, 3-3 com o M.United e o último neste sábado no nulo com o Tottenham) e venceram 9. Fora de casa, os Londrinos perderam já por 5 vezes (destaque para os 3-1 e 2-1 nas deslocações a Manchester, com United e City, respectivamente), empataram 5 e ganharam outras 5… mais equitativo seria difícil.

QUE CHELSEA NA LUZ?
Fruto da visibilidade do campeonato inglês - de que Jorge Jesus é um confesso apaixonado - dificilmente o CHELSEA conseguirá surpreender tacticamente o Benfica, quer na Luz quer em Stamford Bridge. Curiosamente, também o contrário será verdade, apesar do provável menor acompanhamento do campeonato Luso por Roberto di Matteo.

Jogarão a seu favor as contratações recentes de Ramires e David Luiz (ambos perfeitamente identificados com o pensamento de jogo de Jorge Jesus com quem foram Campeões em Portugal) e, sobretudo, a relevante campanha do Benfica na Champions onde “atirou borda fora” o United de Sir Alex Ferguson.

Quem segue o CHELSEA, sabe que este pensa, joga e respira em 4x3x3, com Di Matteo, como fora com Villas-Boas… convertendo-se em 4x4x2 apenas e só quando a necessidade a tal obriga… bem diferente do CHELSEA campeão de Ancelotti que jogava em 4x4x2 (nesse tempo, atras de TORRES e DROGBA jogavam LAMPARD, ESSIEN, MALOUDA e ANELKA).
No seu esquema e realidades actuais, será legitimo acreditar que 6 nomes serão certamente titulares, a saber:
O Checo PETR CECH na baliza, JOHN TERRY no centro da defesa, ASHLEY COLE como lateral esquerdo, o Brasileiro RAMIRES (“queniano azul” devorador de transicções) e LAMPARD como médios interiores direito e esquerdo, o Espanhol MATA como médio-ala esquerdo, o qual (pela sua velocidade e mobilidade) é quem dá alma e tenacidade ao ataque da equipa.
Praticamente certos estarão igualmente o veloz STURRIDGE, como médio-ala direito, e o Costa-Marfinense DROGBA, como homem mais adiantado.
As dúvidas serão pois essencialmente 3:
·                  quem jogará como defesa lateral direito?
·                  quem jogará no eixo da defesa ao lado de John Terry?
·                  quem jogará como médio mais recuado, alguns metros à frente dos centrais?
 
Como lateral direito, o Sérvio IVANOVIC foi titular na deslocação ao Manchester City (penúltima jornada) tendo saído para o lugar do Português BOSINGWA, que foi titular na última partida (recepção este sábado ao Tottenham) mas substituído na função por… David Luiz. Excepto se impossibilitado por motivos físicos, IVANOVIC será o mais sério candidato para a posição, já que para lá da sua veia concretizadora (foi dele o golo no prolongamento que afastou o Nápoles), a sua envergadura confere maior capacidade à defesa londrina num jogo em que esta será, provavelmente, menos atacante do que se espera em Stamford Bridge (onde, então sim, BOSINGWA pode ter prioridade… sobretudo se o jogo da 1ª Mão obrigar o CHELSEA na 2ªMão a ter a iniciativa atacante do jogo).

Para actuar a central, ao lado do capitão John Terry, surgem dois candidatos (assumindo que IVANOVIC será “puxado” para lateral): o brasileiro DAVID LUIZ e o inglês GARY CAHILL.
Para o internacional brasileiro, jogar na Luz (casa que nele apostou e projectou internacionalmente) teria certamente um gosto especial. Titular na deslocação ao City (Terry estava indisponível) e suplente utilizado, na recepção ao Tottenham…como lateral direito, DAVID LUIZ não atravessa contudo, fisicamente, um dos seus melhores momentos.
Já GARY CAHILL, contratado no mercado de inverno ao Bolton, foi titular nas últimas duas partidas, tendo inclusivamente sido seu o golo que deu a vantagem ao CHELSEA em casa do City, na penúltima jornada, pelo que pareceria partir em vantagem para tal posição… não fosse talvez o maior conhecimento que DAVID LUIZ terá de jogadores como Cardozo, Saviola, Gaitan, Aimar, Javi, Luisão, etc. Veremos qual a opção de Di Matteo.
Boa parte do sucesso do CHELSEA, neste primeiro jogo e nesta eliminatória, assentará, não duvido, na escolha do segundo central… Parece óbvio que o CHELSEA da actualidade perdeu o factor que dele fez forte no seu melhor período recente: a segurança defensiva (que nunca mais foi a mesma desde que a dupla TERRY/CARVALHO se desfez).
Para o lugar de médio defensivo à frente da defesamas mais do que um “trinco”, o primeiro a lançar as transicções ofensivas da equipa – o Ganês ESSIEN recuperou, na jornada deste sábado, a titularidade que fora do Nigeriano OBI MIKEL na deslocação a casa do City na jornada anterior. O Espanhol ORIOL ROMEU confere maior qualidade de passe, logo de saída em posse de bola, mas fixa menos a estrutura do que MIKEL ou ESSIEN e talvez por isso não seja a primeira escolha para o jogo da 1ª Mão. Igualmente elegível para a função estará o Português RAUL MEIRELES, sendo que este pode contudo jogar uns metros mais à frente na posição de médio interior esquerdo, quando LAMPARD actua mais adiantado por esse lado, “empurrando” MATA para o lado direito do ataque (e, por consequência, STURRIDGE para o “banco”). MEIRELES é, como RAMIRES, um interior mais rotativo para 90 minutos, já que LAMPARD tende actualmente a desaparecer dos jogos a partir do meio das segundas partes.
Na frente de ataque, DROGBA - o jocoso Costa-Marfinense que recebeu “bem” o resultado do sorteio que o trará à Luz – recuperou a titularidade frente ao Tottenham (este sábado) que havia sido de TORRES na visita ao City… curiosamente um e outro trocaram entre si os papéis de “titular” e “suplente utilizado” nas últimas duas partidas do CHELSEA…
Serão pois as suas características (o Espanhol mais técnico e de movimentos curtos interessantes e o Costa-Marfinense mais explosivo, mais fisico e letal), e a interpretação que Di Matteo fará da defesa encarnada, que ditarão qual deles será titular, sendo pouco crível que possam actuar ambos, situação em que atrás de si jogariam (em 4x4x2):
·                  LAMPARD na direita, MEIRELES e ESSIEN no meio e MATA na esquerda; ou
·                  MATA na direita, LAMPARD e MEIRELES/ESSIEN no meio e MALOUDA na esquerda.
Outros “coelhos” que poderão ser tirados da cartola do “técnico interino” do CHELSEA nesta eliminatória: o Francês MALOUDA, o Belga LUKAKU ou o Costa-Marfinense KALOU.
Têm a palavra Di Matteo, Jorge Jesus, dois planteis de muita qualidade e duas “afficions” que certamente desejam receber nos seus estádios A.C.Milan ou Barcelona nas Meias-Finais da Champions League 2011/12.

quinta-feira, 22 de março de 2012

OLHANENSE - S.L.BENFICA - 24ªJornada - A ANTEVISÃO

Depois de ter roubado pontos a F.C.Porto (10ªJornada) e Sporting (16ªJornada) com dois nulos no seu recinto, a equipa de Olhão recebe esta 6ªfeira, no Estádio José Arcanjo, o Benfica.

Se a este belo “cartão-de-visita” se somarem os empolgantes resultados nas recepções a Braga (3-4) e Nacional (4-4), acrescidos do empate “sacado” em Guimarães, na última jornada, a dois golos depois de estar a perder por duas bolas a zero, teremos que a visita a Olhão não será partida fácil para Cardozo, Gaitan & Companhia.

Contudo, algumas contrariedades no plantel algarvio podem amenizar este grau de dificuldade para os comandados de Jorge Jesus. 

A juntar aos maiores argumentos técnicos e tácticos do seu adversário - acrescidos da “elevada moral” com que este viaja ao Algarve decorrente da vitória da passada 3ªfeira sobre o líder do campeonato na meia-final da Taça da Liga – o técnico Sérgio Conceição terá que enfrentar a contingência de se ver obrigado a escalar um onze sem quatro dos seus habituais titulares (para lá dos há muito lesionados, logo indisponíveis, André Micael e Nuno Piloto).

A juntar aos castigados André Pinto (central), Cauê (médio) e Wilson Eduardo (extremo e melhor marcador da equipa com 7 golos), também o defesa Mexer falhará a partida. Sendo um central de raíz, Mexer tem sido utilizado com regularidade na lateral direita, o que obrigará o técnico a fazer adaptação nesse corredor.

Tendo em conta as ultimas partidas que revelam um Olhanense estabilizado tacticamente em 4x3x3, e considerando os jogadores convocados arriscaria o seguinte ONZE:

Na baliza, FABIANO estará de pedra e cal, ele que transborda, do alto dos seus 1,97, reflexos e segurança.

Na defesa Olhanense, a lateral direita poderá ser entregue ao regressado LUIS FILIPE, já totalmente reestabelecido da lesão (fractura do sacro) que o apoquentou e impediu de competir desde 2 de Outubro de 2011. Efectivamente, a ausência de muitas soluções defensivas pode mesmo obrigar Sérgio Conceição a apostar na experiência deste antigo atleta do Benfica, apesar do pouco ritmo competitivo que terá, e que certamente será explorado (caso seja utilizado) pelos extremos de Jorge Jesus. Outra opção para a lateral direita, já usada na deslocação a Santa Maria da Feira, poderá ser a adaptação do médio JANDER.

Na lateral esquerda ISMAILY tem sido o habitual titular, ele que é de origem um médio que evolui preferencialmente pela esquerda, mas cujo sentido táctico e enorme pulmão permitiu ao longo da época esta feliz adaptação. Também VITOR VINHA pode ser opção para o lugar, conforme aconteceu em Guimarães, sobretudo se Sérgio Conceição armar a equipa de forma diferente... já lá vamos.

No centro da defesa, MAURICIO deverá ter a seu lado, na impossibilidade de André Pinto e Mexer, o português VASCO FERNANDES, suplente utilizado nas últimas duas jornadas em que foi necessário defender dois preciosos empates.

No meio campo, habitualmente em 2x1, o duplo-pivot normalmente constituído por Fernando Alexandre e Cauê (lento a sair mas de elevado sentido posicional e de choque) deverá, por força do castigo de Cauê, ficar à guarda de FERNANDO ALEXANDRE e PAULO REGULA (ou MATEUS), com RUI DUARTE mais adiantado e ao centro, assumindo a função de “playmaker” que a sua fantasia, visão de jogo e qualidade de passe potenciam.

Na frente, o cabo-verdiano DADY tem sido o ponta-de-lança titular, e assim deverá continuar, sendo as outras opção os “veteranos” TOY (também cabo-verdiano) e DJALMIR (brasileiro com muitos anos de futebol português) de características diferentes das de DADY (maior mobilidade que este) e ainda o camaronês YONTCHA, este ultimo também de forte presença na área e grande capacidade de luta, a exemplo do avançado habitualmente titular.

Nos extremos do ataque do Olhanense, e perante a indisponibilidade de Wilson Eduardo, será de esperar a presença, à esquerda, do argentino VICTOR MEZA (ou ISMAILY se VITOR VINHA for o defesa lateral esquerdo) e, à direita, de SALVADOR AGRA, que compensa em talento o que lhe falta em altura, estando inclusivamente já comprometido com o Real Bétis da Liga Espanhola para a próxima temporada. 

Se perante a força do opositor, o técnico da equipa algarvia entender abandonar o seu 4x3x3 habitual para povoar o seu meio-campo de forma a impedir o futebol de transicções rápidas apoiadas em tabelas curtas e em progressão da turma da Luz, pode Sérgio Conceição armar a sua equipa em 4x2x3x1.

Nesse caso, de elevada probabilidade, não será de estranhar que a defesa apareça composta por MAURICIO e VASCO FERNANDES, ao centro e as laterais surjam entregues a LUIS FILIPE/JANDER (à direita) e VITOR VINHA (à esquerda). À frente deste quarteto, FERNANDO ALEXANDRE e PAULO REGULA formarão o duplo-pivot que funcionará como estabilizador táctico da equipa, equilibrando-a.

Na terceira linha, ISMAILY surgirá na esquerda (com sentido ofensivo capaz de municiar o ponta-de-lança mas com suficiente sentido tático para se juntar ao duplo-pivot nas transicções defensivas em apoio ao lateral esquerdo. Ao centro, nas costas do homem de área, surgirá RUI DUARTE, que sempre que equipa perca a bola recuará para defender. À direita, com menor responsabilidades defensivas, aparecerá o veloz SALVADOR AGRA, que será sempre o homem responsável por chegar primeiro no apoio a DADY.

De nada servindo a estatística – cada jogo tem a sua própria história – importa recordar que na primeira volta o Benfica venceu este Olhanense (então comandado por Dauto Faquirá) pela diferença minima de 2 (bis de Rodrigo) a 1 (marcou Wilson Eduardo), e que em 17 partidas para a Liga em Olhão, o Benfica venceu 10, empatou 4 (nas ultimas temporadas registou um 2-2 em 2009/10 e 1-1 em 2010/11) e perdeu 3 (a última das quais a 1 de Agosto de…1950).

A pressão de vencer está do lado do favorito Benfica… que não pode perder quaisquer pontos na luta pelo título. Menos pressionado, o Olhanense está comodamente instalado no sétimo lugar… sendo tal comodidade mais aparente do que real, pois tem apenas mais 8 pontos que o Beira-Mar (primeiro acima da “linha-de-água”) quando faltam disputar 21 pontos (e ainda vai ao Dragão, a Alvalade, a Coimbra e a Aveiro).

quarta-feira, 14 de março de 2012

terça-feira, 13 de março de 2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

Pedro Proença e a verdade da mentira

Depois de perder em Guimarães, onde merecia ter empatado, e ter empatado em Coimbra, onde merecia ter ganho, o Benfica recebeu o FCPorto em igualdade pontual. Talvez prisioneiro dos fantasmas da época passada, o Benfica entrou algo nervoso na partida e pior ficou com o golo madrugador de Hulk (aos 7’), o único dos 3 tentos portistas a que nada se pode apontar.

Os homens de Jesus demoraram 20 minutos a reagir, até que Cardozo (aos 23’ de pé esquerdo fraco e à figura de Helton) e Aimar (aos 33’ de cabeça após cruzamento de Gaitan) deram claros sinais que o Benfica reagia a tal adversidade e tinha condições para inverter o rumo dos acontecimentos, o que conseguiria aos 41’ quando Takuara atirou fortíssimo, de canhota, restabelecendo a igualdade.
Na jogada, Janko puxou Cardozo, e porque em lances de grande penalidade não se aplica a Lei da Vantagem, Pedro Proença (na sua primeira decisão grave) deveria ter marcado grande penalidade e expulso o austríaco, o que muito provavelmente transformaria o jogo em algo necessariamente diferente, pois convertido o penalty, o jogo seguiria para o intervalo empatado, com o FCPorto reduzido a 10 elementos.

Animado pelo golo com que fechou o primeiro tempo, o Benfica demorou apenas 3 minutos na segunda parte para se adiantar, quando Cardozo, desta feita de cabeça, bisou e colocou o Benfica na liderança… do jogo e do campeonato. Na Luz (com mais de 58.000 espectadores), festejou-se esse minuto 48’ de forma agridoce: as águias haviam dado a volta ao marcador, mas perdiam, no lance, o motor de toda a sua manobra atacante Pablo Aimar.

Audaz e ambicioso, sentindo o estado anímico da sua equipa e do adversário, Jesus lançou no jogo Rodrigo (52’) para o lugar de “El Mago”, tentando manter o caudal ofensivo que permitisse chegar ao 3-1 e sentenciar o resultado do jogo. Do outro lado, o técnico azul abdicava de Rolando para lançar James (58’), curiosamente no mesmo minuto em que Nolito viu a mão de Maicon, na área azul e branca, cortar uma jogada individual de eminente perigo… nova grande penalidade por assinalar favorável aos encarnados.



O jogo estava intenso, vivo, competitivo e o Benfica estava em vantagem… mas faltava ainda aparecer decisivamente, em todo o seu esplendor, a sua principal figura: Cardozo? Hulk? Rodrigo? James? Não, Pedro Proença.

Eis que então, ao minuto 64, Witsel conduziu jogada atacante do Benfica e foi tocado no pé de apoio por Maicon, que o derrubou, na meia-lua da área de Helton. Bem colocado, Proença mandou seguir e o FCPorto construiu pela faixa central do terreno - onde o deveria estar o belga - o golo do 2-2.

A Luz assistia incrédula a nova arbitragem “habilidosa”, depois do escândalo que fora a arbitragem do jogo em Coimbra. Temia-se por essa altura, e com razão, o pior. 

O jogo estava dividido e ambos os conjuntos tentavam fazer pela vida, até que aos 77’ Emerson (que havia visto um zeloso amarelo aos 63’ na sua primeira falta no jogo) perdeu um lance para Hulk a cerca de 40 metros da baliza de Artur, arriscou um corte, ao qual chegou atrasado, derrubando o adversário. 


Sem a mesma contemplação que teve para os “vermelhos directos” que se justificavam a Álvaro Pereira (aos 24’ por entrada “em tesoura” sobre Maxi) e a Djalma (pelo pontapé em Witsel, aos 29’, que isolado se preparava para entrar na area portista), bem como nos lances para grande penalidade e expulsão protagonizados por Janko (agarrão a Cardozo na área aos 41’) e Maicon (corte com a mão na sua área, aos 58’, em jogada de Nolito), Proença não hesitou e expulsou o lateral esquerdo do Benfica, à sua segunda falta, ferindo letalmente a águia.
 

O FCPorto percebeu a debilidade adversária, sentiu que as portas para a vitória lhe foram escancaradas e cresceu. Jesus sentiu que o empate poderia ser um mal menor e preparava-se para lançar Matic, em resposta à entrada (aos 86’) de Kleber para o lugar de Moutinho, quando a “VERDADE DA MENTIRA por Pedro Proença” atingiria o seu grande momento: James bateu um livre da direita e Maicon, em posição claramente irregular (como Otamendi), fez de cabeça o 2-3 e feriu mortalmente a verdade desportiva deste jogo e… provavelmente do campeonato. 

 

A VERDADE é que para a história ficará a vitória dos portistas na Luz. A MENTIRA é todo o resultado deste clássico em si…adulterado desde o final da primeira parte com a má aplicação da lei da vantagem, até ao golo irregular que define o vencedor.



Entre a igualdade a dois golos – que manteria Benfica e FCPorto na liderança em absoluta igualdade entre si, remetendo o desempate para a diferença entre golos marcados e sofridos e potenciando 9 ultimas jornadas plenas de emoção – e a vitória batoteira portista por 2-3 (que vale em termos práticos quatro pontos), a diferença é imensa e pode ser crucial na determinação do Campeão.

Ao Benfica, que deixou de depender de si próprio, restará fazer o seu trabalho e acreditar que a miopia do assistente Ricardo Santos, com o beneplácito do habilidoso, vaidoso e “condicionado” Pedro Proença, não terá sido decisiva; bem como esperar que os jogos que restam por disputar (seus e de terceiros) não sejam adulterados de forma tão clara, quanto infeliz, como o que esta crónica relata.



Para melhor perceber o que nenhuma crónica conseguirá retratar, aconselha-se o visionamento do link infra:

terça-feira, 6 de março de 2012

Benfica SAD rejeita proposta (inicial) da Oliverdesportos: negociações - Take 1



Foi hoje emitido um comunicado pela SAD do Benfica, na qual dá conta de ter recusado uma proposta de renovação de contrato com a Olivedesportos no valor global de 111 milhões de euros, pela transmissão dos jogos da equipa encarnada na Liga entre 1 de julho de 2013 e 30 de junho de 2018.

Reconhecendo razão à Administração da SAD encarnada - os direitos de cada época do Sport Lisboa e Benfica terão que valer sempre mais do que os 22,2 milhões propostos por Joaquim Oliveira - penso que esta rejeição era já esperada pela Controlinvest e se enquadra num habitual "kick-off" das negociações oficiais (entenda-se: "para a plateia").

Contudo - e excepto se o clube estiver mesmo na disposição de "voar solo" num projecto audio-visual autónomo, profissional e rentável que tenha por base a já madura Benfica TV - é opinião generalizada que este namoro acabará por dar mesmo em casamento... pois nada no comunicado deixa antever que se tenham fechado portas à negociação.

Mais, perante o ciclo económico actual, se o Sport Lisboa e Benfica terá certamente dificuldades em encontrar um outro parceiro disposto a injectar 25 ou 30 milhões por ano a troco dos direitos televisivos, também a Sport TV sabe que a sua viabilidade económica pode ficar claramente comprometida sem o conteúdo Sport Lisboa e Benfica.



Como noutra ocasião expressei: "são públicos os números de que a Sport TV tem actualmente cerca de 650 mil assinantes gerando 200 milhões de euros/ano de receitas só em subscrições de canal. Considerando que as receitas de publicidade cobrirão (e sobra certamente) os seus custos operacionais e de estrutura, teremos 200 milhões de euros/ano de receitas dos quais este grupo económico pouco mais injecta no futebol português do que 40 milhões de euros/ ano, ou seja, 20%. Mesmo com direitos (caros) para transmissão de jogos de outros campeonatos - espanhol, inglês, alemão, francês e holandês, por exemplo – não será complicado destrinçar que sem o exclusivo da Liga ZON Sagres, dificilmente a Sport TV teria sequer perto de metade das subscrições (e receitas) que tem".

E é sabido e reconhecido por todos que o interesse nos direitos sobre a Liga ZON Sagres é o interesse de nela “oferecer” os jogos do Benfica (até pelos adversários tal é reconhecido quando alegadamente indexam os respectivos contratos de direitos televisivos aos do Benfica). Os números comprovam-no. Foi publicado no inicio de 2012, que entre os 20 programas mais vistos no espectro televisivo nacional, estão 15 jogos de futebol - 5 da selecção e 10 que envolvem clubes – e que dos 10 jogos de futebol a nível de clubes, o Benfica está em… oito (!) e o FC Porto em dois. Elucidativo da diferença entre o Benfica e os demais. 

E é porque são as maiores audiências que trazem maiores receitas às operadoras (em subscrição, se pagas, e publicidade) e porque o Benfica é claramente o maior gerador das mesmas (o seu mercado televisivo potencial extravasa, como se sabe, o continente e ilhas) que a única preocupação que penso deve assistir ao adepto benfiquista será garantir que o Benfica será remunerado em função do seu real valor de mercado… e não quem será a entidade que o remunerará.

A ser a Sport TV, que o seja. Se eu fosse conselheiro matrimonial deste “casamento”, que parece ter tudo para se prolongar, limitar-me-ia a aconselhar esta operadora – até para salvaguarda dos seus interesses e do exponenciar do número de seus subscritores – a incutir nos seus profissionais, actuais e futuros, maior dose de imparcialidade em todos os jogos que transmita, tema já por mim abordado em:

http://meditandofutebol.blogspot.com/2012/02/jornalistas-desportivos-e-comentadores.html

Tem pois a palavra Joaquim Oliveira... que deverá, a seu tempo, rever esta proposta por agora rejeitada, salvaguardando a sua "galinha dos ovos de ouro" ao mesmo tempo que (concertadamente?) capitaliza a imagem de liderança forte e capacidade negocial de Luís Filipe Vieira junto da massa adepta benfiquista, que se sabe não nutre particular carinho pelo líder da Oliverdesportos por aquilo que representa em associação do rival do Norte.

Esta recusa pode pois ser, no fundo, não a porta que se fecha... mas a porta que se abre para que ambos selem um acordo que sirva os respectivos intentos.