Foi hoje emitido um comunicado pela SAD do Benfica, na qual dá conta de ter recusado uma proposta de renovação de contrato com a Olivedesportos no valor global de 111 milhões de euros, pela transmissão dos jogos da equipa encarnada na Liga entre 1 de julho de 2013 e 30 de junho de 2018.
Reconhecendo razão à Administração da SAD encarnada - os direitos de cada época do Sport Lisboa e Benfica terão que valer sempre mais do que os 22,2 milhões propostos por Joaquim Oliveira - penso que esta rejeição era já esperada pela Controlinvest e se enquadra num habitual "kick-off" das negociações oficiais (entenda-se: "para a plateia").
Contudo - e excepto se o clube estiver mesmo na disposição de "voar solo" num projecto audio-visual autónomo, profissional e rentável que tenha por base a já madura Benfica TV - é opinião generalizada que este namoro acabará por dar mesmo em casamento... pois nada no comunicado deixa antever que se tenham fechado portas à negociação.
Mais, perante o ciclo económico actual, se o Sport Lisboa e Benfica terá certamente dificuldades em encontrar um outro parceiro disposto a injectar 25 ou 30 milhões por ano a troco dos direitos televisivos, também a Sport TV sabe que a sua viabilidade económica pode ficar claramente comprometida sem o conteúdo Sport Lisboa e Benfica.
Como noutra ocasião expressei: "são públicos os números de que a Sport TV tem actualmente cerca de 650 mil assinantes gerando 200 milhões de euros/ano de receitas só em subscrições de canal. Considerando que as receitas de publicidade cobrirão (e sobra certamente) os seus custos operacionais e de estrutura, teremos 200 milhões de euros/ano de receitas dos quais este grupo económico pouco mais injecta no futebol português do que 40 milhões de euros/ ano, ou seja, 20%. Mesmo com direitos (caros) para transmissão de jogos de outros campeonatos - espanhol, inglês, alemão, francês e holandês, por exemplo – não será complicado destrinçar que sem o exclusivo da Liga ZON Sagres, dificilmente a Sport TV teria sequer perto de metade das subscrições (e receitas) que tem".
E é sabido e reconhecido por todos que o interesse nos direitos sobre a Liga ZON Sagres é o interesse de nela “oferecer” os jogos do Benfica (até pelos adversários tal é reconhecido quando alegadamente indexam os respectivos contratos de direitos televisivos aos do Benfica). Os números comprovam-no. Foi publicado no inicio de 2012, que entre os 20 programas mais vistos no espectro televisivo nacional, estão 15 jogos de futebol - 5 da selecção e 10 que envolvem clubes – e que dos 10 jogos de futebol a nível de clubes, o Benfica está em… oito (!) e o FC Porto em dois. Elucidativo da diferença entre o Benfica e os demais.
E é porque são as maiores audiências que trazem maiores receitas às operadoras (em subscrição, se pagas, e publicidade) e porque o Benfica é claramente o maior gerador das mesmas (o seu mercado televisivo potencial extravasa, como se sabe, o continente e ilhas) que a única preocupação que penso deve assistir ao adepto benfiquista será garantir que o Benfica será remunerado em função do seu real valor de mercado… e não quem será a entidade que o remunerará.
A ser a Sport TV, que o seja. Se eu fosse conselheiro matrimonial deste “casamento”, que parece ter tudo para se prolongar, limitar-me-ia a aconselhar esta operadora – até para salvaguarda dos seus interesses e do exponenciar do número de seus subscritores – a incutir nos seus profissionais, actuais e futuros, maior dose de imparcialidade em todos os jogos que transmita, tema já por mim abordado em:
E é porque são as maiores audiências que trazem maiores receitas às operadoras (em subscrição, se pagas, e publicidade) e porque o Benfica é claramente o maior gerador das mesmas (o seu mercado televisivo potencial extravasa, como se sabe, o continente e ilhas) que a única preocupação que penso deve assistir ao adepto benfiquista será garantir que o Benfica será remunerado em função do seu real valor de mercado… e não quem será a entidade que o remunerará.
A ser a Sport TV, que o seja. Se eu fosse conselheiro matrimonial deste “casamento”, que parece ter tudo para se prolongar, limitar-me-ia a aconselhar esta operadora – até para salvaguarda dos seus interesses e do exponenciar do número de seus subscritores – a incutir nos seus profissionais, actuais e futuros, maior dose de imparcialidade em todos os jogos que transmita, tema já por mim abordado em:
http://meditandofutebol.blogspot.com/2012/02/jornalistas-desportivos-e-comentadores.html
Tem pois a palavra Joaquim Oliveira... que deverá, a seu tempo, rever esta proposta por agora rejeitada, salvaguardando a sua "galinha dos ovos de ouro" ao mesmo tempo que (concertadamente?) capitaliza a imagem de liderança forte e capacidade negocial de Luís Filipe Vieira junto da massa adepta benfiquista, que se sabe não nutre particular carinho pelo líder da Oliverdesportos por aquilo que representa em associação do rival do Norte.
Tem pois a palavra Joaquim Oliveira... que deverá, a seu tempo, rever esta proposta por agora rejeitada, salvaguardando a sua "galinha dos ovos de ouro" ao mesmo tempo que (concertadamente?) capitaliza a imagem de liderança forte e capacidade negocial de Luís Filipe Vieira junto da massa adepta benfiquista, que se sabe não nutre particular carinho pelo líder da Oliverdesportos por aquilo que representa em associação do rival do Norte.
Esta recusa pode pois ser, no fundo, não a porta que se fecha... mas a porta que se abre para que ambos selem um acordo que sirva os respectivos intentos.
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