terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Luís Filipe Vieira (em GRANDE ENTREVISTA logo mais na RTP1) e os Direitos Televisivos do S.L.Benfica

A muito poucas horas de Luís Filipe Vieira conceder uma “Grande Entrevista” na RTP (logo mais pelas 21h), onde se espera que mantenha um discurso sereno, de contenção e muito optimismo em relação ao futuro da instituição Sport Lisboa e Benfica (no Futebol, nas Modalidades, no Projecto Olímpico, nas Casas do Benfica, na Fundação, etc.) penso ser oportuno lançar na “blogosfera” a minha opinião, actual e com base no que é público, sobre um dos “dossiers” mais prementes que o Presidente tem entre mãos: os direitos televisivos do clube (claramente um dos patrimónios mais importantes do clube).

Antes de analisar os últimos factos, recordemos que em entrevista dada à Benfica TV em 09.05.2011, LFV adiantou que quanto aos direitos televisivos dos jogos do SLB, nunca o clube seria ingrato para quem o auxiliou no passado (Grupo Joaquim Oliveira / Controlinveste) mas que, na altura, o acordo para a renovação com a Sport TV  estaria muito longe de ser alcançado. Nesse momento reconheceu (era publico e fora comunicado à CMVM) que o clube estaria em negociações com outros grupos económicos (como o de Pais do Amaral “GPA” e um outro), podendo ainda optar por uma terceira via... colocada na balança das possibilidades quando recordou que “o Benfica já fora ousado e criativo (no domínio da comunicação) uma vez (aludindo à Benfica TV) e que o poderia ser novamente”…
Ao dizê-lo, LFV deixava no ar (foi a interpretação livre da generalidade dos benfiquistas) a possibilidade do Benfica transmitir, num futuro próximo, os seus jogos na Benfica TV (como é desejo de enorme fatia da massa adepta do clube), mesmo que em regime de “pay per view”. Era uma hipótese, difícil e remota, mas não impossível.
Com esta posição, o Presidente anunciava que o Benfica não estaria refém da Sport TV, ao mesmo tempo que apontava no sentido do desfecho das negociações destes direitos poderem transportar o clube para outra capacidade económico-financeira… que inclusivamente lhe permitiria ficar numa situação mais confortável para resistir, ou não, à venda de jogadores nucleares bem como para amortizar passivo oriundo de dívidas antigas.
De Maio de 2011 até hoje passaram 9 meses e a crise económica internacional intrometeu-se sobremaneira neste processo, condicionando claramente o desfecho de “dossier” tão relevante (penso eu): quer na entidade com quem o Benfica fechará novo contrato, quer nos montantes em causa que são hoje diferentes do que seriam certamente se o negócio fosse concretizado há dois anos atrás.
A verdade é que as públicas dificuldades do grupo liderado por Pais do Amaral (GPA) em conseguir garantias bancárias para comprar direitos televisivos e ao mesmo tempo a redução no mercado televisivo dos volumes de investimento em publiciade, contribuiram para estreitar sobremaneira a porta das negociações do SLB para um novo contrato condizente com o seu potencial de receitas.
Neste momento, parece-me evidente que o Sport Lisboa e Benfica estará “forçado” a esquecer a animosidade dos benfiquistas para com a Oliverdesportos.

Mais, a leitura atenta do artigo “O futuro em cima da mesa”, assinado por Luís Fialho, publicado no passado dia 3 de Fevereiro (pág. 31) no jornal institucional “O Benfica”, não me parece deixar margem para qualquer outra leitura, sendo a Oliverdesportos reconhecida novamente como “um parceiro negocial poderoso” e aquela que parece ser agora a única entidade “no terreno com capacidade para pagar um preço justo, ou aproximado, àquele que a popularidade do Benfica justifica”.

Está pois aberto o trinco da porta para o anúncio do acordo entre Sport Lisboa e Benfica e o Grupo de Joaquim Oliveira.
A forma, certamente hábil, como LFV abordará hoje o assunto (incontornável) na "Grande Entrevista" tornará certamente mais evidente este desfecho já que manter as vias GPA e Benfica TV como hipóteses remotas pode ser contraproducente, pois criará falsas expectativas na nação benfiquista, algo que esta direcção certamente pretenderá evitar.
Como benfiquista resta-me a tranquilidade de me rever na frase de Luís Fialho em que diz que “a única certeza que posso ter é a de que o valor negociado será, seguramente, esticado pelo Presidente do Clube até aos limites do possível, num contexto que não é fácil para ninguém”.
Como observador (meramente factual e desapaixonado) de um negócio prestes a se concretizar, não me incomoda nada que a Oliverdesportos, como qualquer outra entidade, possa lucrar com um contrato com o Benfica, em que também o Benfica ganhe.
A Oliverdesportos é uma entidade privada que está no mercado com o objectivo de fazer dinheiro e é essa a lógica do mercado. A única coisa que me incomoda é que em contrapartida, esta entidade não retorne parte dos seus lucros “à indústria”, potenciando-a, simultaneamente contribuindo para a melhoria do espectáculo e evitando que, a médio prazo, seque essa fonte de espectáculo e rendimento. É aí que o incómodo surge e que “faço figas” fique melhor acautelado em novo contrato.
"Trocando por miudos" esta preocupação: são públicos os números de que a Sport TV tem actualmente cerca de 650 mil assinantes gerando 200 milhões de euros/ano de receitas só em subscrições de canal. Considerando que as receitas de publicidade cobrirão (e sobrará certamente) os seus custos operacionais e de estrutura, teremos 200 milhões de euros/ano de receitas dos quais este grupo económico pouco mais injecta no futebol português do que 40 milhões de euros/ ano, ou seja, 20%.
Mesmo com direitos (caros) para transmissão de jogos de outros campeonatos - espanhol, inglês, alemão, francês e holandês, por exemplo – não será complicado imaginar que sem o exclusivo da Liga ZON Sagres, dificilmente a Sport TV teria sequer perto de metade das subscrições (e receitas) que tem.
Ora é sabido, e reconhecido por todos, que o interesse nos direitos sobre a Liga ZON Sagres é o interesse de nela “oferecer” os jogos do Benfica (até pelos adversários tal é reconhecido quando alegadamente indexam os respectivos contratos de direitos televisivos aos do Benfica).
Os números comprovam-no. Foi publicado no inicio de 2012, um estudo que indica que entre os 20 programas mais vistos no espectro televisivo nacional, estão 15 jogos de futebol - 5 da selecção e 10 que envolvem clubes – e que dos 10 jogos de futebol a nível de clubes, o Benfica está em… oito (!) e o FC Porto em dois. Elucidativo da diferença entre o Benfica e os demais. 
E é porque são as maiores audiências que trazem maiores receitas às operadoras (em subscrição, se pagas, e publicidade) e porque o Benfica é claramente o maior gerador das mesmas (o seu mercado televisivo potencial extravasa, como se sabe, o continente e ilhas) que a única preocupação que penso deve assistir ao adepto benfiquista será garantir que o Benfica será remunerado em função do seu real valor de mercado… e não quem será a entidade que o remunerará.
A ser a Sport TV, que o seja. Se eu fosse conselheiro matrimonial deste “casamento”, que parece ter tudo para se prolongar, limitar-me-ia a aconselhar esta operadora – até para salvaguarda dos seus interesses e do exponenciar do número de seus subscritores – a incutir nos seus profissionais, actuais e futuros, maior dose de imparcialidade em todos os jogos que transmita, tema já por mim abordado em:
Tem pois a palavra LFV que - espera toda a nação benfiquista - continue a dar provas (e já deu tantas nesta década que passou) de que continua o “hábil e sagaz negociador” a que se refere Luís Fialho no artigo supra citado.

1 comentário:

  1. Sérgio,

    Concordo na generalidade com o que referes.

    No entanto, permite-me discordar quando dizes que a Oliverdesportos é apenas mais uma entidade privada interessada em fazer o seu negócio, pois na minha opinião não o é.
    Como sabes, e sem entrar em paranoias, a Olivedeportos tem ligações com o poder instalado, quer na Federação, quer na Liga. Além disso, existem escutas comprometedoras do Joaquim Oliveira com o presidente do fcp.
    Juntando a isso a reconhecida (falta de) imparcialidade dos jornalistas daquela estação (recordo o caso Mozer, o caso Pedro Henriques em off, entre muitos outros), não posso deixar de me sentir como sócio e acionista da SAD incomodado com esta simples relação profissional. Faz-me lembrar o empréstimo do Ruben Amorim ao Braga, mas isso são outros assuntos.

    Sei que a possibilidade Grupo Pais do Amaral foi bastante real, mas infelizmente as tais condicionantes de mercado mataram o projeto à nascença.

    Resta agora avaliar duas coisas que para mim são também fundamentais no caso de virmos a assinar contrato com a Sport Tv, para além do valor do contrato:
    1. qual o prazo do novo contrato?
    2. teremos nós SLB qualquer tipo de garantias ou mecanismos que nos permitam impedir a constante falta de respeito dos comentadores dessa estação para connosco?

    Em relação à hipótese Benfica TV, penso ser bastante difícil estarmos sozinhos a correr o risco do negócio televisivo, que não é o nosso core business. Talvez com o apoio de uma operadora (Meo?!?), que nos garantisse à partida um determinado rendimento, fosse possível.

    Sem isso, vejo que teremos de nos conformar com a solução Sport TV, pois é na realidade a hipótese que maior garantias nos dá.
    Resta acreditar na capacidade e na idoneidade do nosso presidente, que já demonstrou por mais de uma vez que nem sempre se move por caminhos entendíveis pelos sócios (negócios com Atlético de Madrid, carregamentos de jogadores brasileiros vulgares, negócios com o Braga, etc…).
    Abraço,
    RT

    PS: desculpa o texto longo

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