quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ACADEMICA - S.L.BENFICA - 2OªJornada - A ANTEVISÃO

No rescaldo da primeira derrota na Liga 2011/12, à 19ªJornada em Guimarães – interrompendo a série de 8 vitórias consecutivas na prova e pondo termo a notável registo de 37 jogos oficiais consecutivos a marcar – e na antecâmara do decisivo (pontual e animicamente) clássico S.L.Benfica x F.C.Porto e da milionária recepção ao Zenit (onde terá de corrigir o desaire de 3-2 trazido de São Petersburgo) o Benfica visita a Académica, apurada com absoluto mérito para a Final da Taça de Portugal desta temporada.


Não podendo ceder qualquer ponto se quiser receber o F.C.Porto em vantagem pontual, o Benfica está obrigado a vencer no Municipal de Coimbra onde o S.C.Braga (0-0 na 9ª Jornada) e o Sporting (1-1 na 13ª Jornada) não passaram e onde o F.C.Porto foi “esmagado” por 3-0, em Novembro, em partida que o eliminou da Taça de Portugal, tendo Pedro Emanuel e o seu grupo devolvido os 0-3 com que o F.C.Porto havia brindado a Académica em partida da 7ª Jornada.

Em 10º lugar na tabela classificativa e a 5 pontos de distância da “linha-de-água”, a Briosa venceu apenas 1 dos últimos 13 jogos - vitória em Olhão por 0-2 - e está há 7 jogos sem vencer já que depois dessa vitória registou 3 derrotas e 4 empates, tendo sido goleada por esclarecedores 4-1 na Choupana na última jornada.



Especificamente a jogar em casa, na Liga, depois de 3 vitórias consecutivas (Jornadas 2, 4 e 6), a Briosa entrou num registo consistente de "derrota-empate-derrota-empate", não vencendo desde que goleou, na 6ª Jornada em Setembro, o Feirense por 4-0, sendo estes os seus 4 últimos registos caseiros: 
  • Jornada 18 DERROTA Académica 0 Gil Vicente 2
  • Jornada 16 EMPATE Académica 0 U.Leiria 0
  • Jornada 15 DERROTA Académica 0 Vit.Guimarães 2
  • Jornada 13 EMPATE Académica 1 Sporting 1
 
Na equipa de Jorge Jesus - e porque este normalmente resiste à tentação de poupar jogadores em risco de suspensão (caso de EMERSON que se for amarelado em Coimbra não recebrá o F.C.Porto) - apenas serão de esperar: o regresso de JAVI à sua posição, após debelada a lesão; o provavel regresso de WITSEL à titularidade (depois de Guimarães ter revelado, uma vez mais, o equilibrio que confere à equipa...); e a eleição de JARDEL para o eixo da defesa ao lado de GARAY, por castigo de LUISÃO que viu o 5º Amarelo na última jornada.


Também na equipa de Pedro Emanuel – que terá neste encontro oportunidade simultânea para injectar nova moral nos seus comandados e compensar o “seu” F.C.Porto pela desfeita na Taça de Portugal – não serão de esperar grandes alterações em relação ao que tem sido o seu “11 base” que serve o seu sistema habitual de 4 x 3 x 3.

Tendo em conta as ausências dos senegaleses ABDOULAYE (central expulso na Choupana) e PAPE SOW (trinco que viu 5º amarelo na Liga), que cumprirão castigo, e o processo disciplinar (ainda) em curso do avançado guineense EDER (que ocorreu depois de uma abortada transferência no mercado de inverno), o 11 a apresentar por Pedro Emanuel, à data a que escrevo (4ªfeira – 22Fevereiro), não deverá andar longe do seguinte (conforme ilustra o grafismo):
Na baliza o francês PEISER deve manter a titularidade, fruto da consistência das suas exibições plenas de destreza e concentração, ele que é totalista da equipa, tendo realizado os 90 minutos das 19 partidas já jogadas na Liga. 

O mesmo acontecerá, estou em crer, nas laterais da defesa onde os portugueses HELDER CABRAL e CEDRIC têm sido preponderantes. Na esquerda, HELDER CABRAL assume muitas vezes um importante papel ofensivo, integrando-se muito bem, subindo a preceito e, não raras vezes com exuberância, sempre pela esquerda. Também CEDRIC, quando quer (ou pode...) consegue ser bastante vibrante, subindo sempre em velocidade pelo corredor direito, ao que junta a arte de cruzar tenso e alia a forte pontapé de meia distância. A defender são ambos nuito compenetrados e abnegados, sendo dificeis de bater em velocidade, o que deixa antever interessantes duelos com Gaitan e Nolito.


As dúvidas no centro da defesa – fruto da ausência forçada de ABDOULAYE - prendem-se, sobretudo, em identificar quem deverá acompanhar (o adaptado à posição) FLAVIO FERREIRA: se JOÃO REAL retoma a titularidade, que já foi sua entre as jornadas 4 e 11, ou se o jovem técnico português lançará um dos reforços de inverno, o camaronês MVOM ou o brasileiro REINER, já que o experiente ORLANDO se mantem indisponivel por lesão.

No meio campo, o tridente que mais tem sido utilizado é composto por DIOGO MELO, ao centro e mais recuado, sempre cirurgico nas transicções, e os médios interiores HUGO MORAIS, na esquerda, e ADRIEN SILVA, na direita, o segundo jogador do plantel com mais minutos nesta Liga e segundo com mais golos (4) apontados (em igualdade com HELDER CABRAL). Destes homens domeo campo, ADRIEN é claramenteo "maestro", a unidade que normalmente pensa e comanda, superiormente, o jogo da equipa, palmilhando quilometros, sendo HUGO MORAIS, médio de muito nervo e raça (excelente nos passes longos), quem habitualmente o substitui nesse papel, quando em dia menos bom ou se estiver tacticamente mais preso a acções concretas de marcação sobre algum adversário que importe anular.


Caso entenda, Pedro Emanuel pode manter FLAVIO na sua posição original de médio mais defensivo, onde é um trinco pendular - implicará estrear uma dupla de centrais neste jogo - bem como chamar a jogo outros dois médios  que têm sido utilizados com alguma regularidade: DAVID SIMÃO, que reforçou a Briosa na reabertura do mercado, pela esquerda, ou o brasileiro DANILO, de muito bom toque de bola,correcta leitura de jogo e muito acerto nos passes, pela direita (titular na 1ª volta na Luz, tendo apontado o golo da Briosa que reduziu na altura o jogo para 2-1... acabaria 4-1).

Na frente de ataque, parecem intocáveis neste momento DIOGO VALENTE, na esquerda, e MARINHO, na direita (que muito beneficiou da saída do costa-marfinense SISSOKO para o Wolfsburgo da Alemanha). Enquanto o primeiro é um ágil esquerdino à moda antiga (procura à linha de fundo dando profundidade ao seu ataque), que joga um futebol de intensidade moderno (quando pode subir, fá-lo com perigo, quando não pode tenta ajudar o lateral a fechar a asa esquerda), o segundo é de uma energia contagiante, sendo um autêntico desequilibrador que procura as diagonais, pelo menos enquanto tem capacidade fisica para tal, o que raramente acontece em 90 minutos de jogo. São opções para os seus lugares o brasileiro SAULO (ex-Rio Ave) e o português RUI MIGUEL (regressado a Portugal depois de 4 anos fora entre o campeonato Bulgaro e Escocês), respectivamente.

Na frente de ataque, o homem-golo (tem 7 golos marcados na Liga) desta formação – EDER – tem treinado à parte do plantel por estar envolto num processo disciplinar que terá tido base numa alegada transferência abortada no mercado de inverno. A eventual não utilização deste explosivo e esforçado jogador, de processos rápidos e simples, abrirá as portas da titularidade para o internacional "A" português, cedido pelo Málaga, EDINHO. Também o brasileiro FÁBIO LUÍS, muito bom a segurar a bola de costas para a baliza enquanto espera por apoios dos alas, espreita a oportunidade de jogar partida tão especial.

Na hora de escolher o 11 titular, certamente que o pensamento táctico de Pedro Emanuel não será muito diferente daquele com que abordou os jogos em casa com o actual campeão nacional: manter, tanto quanto puder, o nulo e sair, sempre que conseguir, rápido para o contra-ataque.

Não será de estranhar que essa estratégia o faça mudar o habitual desenho do seu triângulo a meio-campo e ao invés do seu habitual 1x2 (um só pivot), surja em 2x1 (duplo pivot), caso em que a DIOGO MELO se poderá juntar FLÁVIO (se não for central adaptado na partida), HUGO MORAIS ou DAVID SIMÃO, libertando ADRIEN para, entre linhas, armar o jogo e aparecer muitas vezes nas costas do homem mais avançado, como sabe e gosta de fazer.

Relativamente à colocação da bola nos extremos, a velocidade de MARINHO e a intensidade de DIOGO VALENTE serão as apostas naturais de Pedro Emanuel, sobretudo pela esquerda onde HELDER CABRAL combina muito bem com DIOGO VALENTE, sendo uma dupla que nas últimas partidas tem conseguindo furar as defensivas adversárias com evidente naturalidade.

É minha convicção, nesta data, que Pedro Emanuel introduzirá, nesta partida, esta alteração do ADN táctico da equipa do "pivot único" para um "duplo pivot", já que o mesmo – mantendo o 4x3x3 – confere à equipa um equilíbrio defensivo que o desenho com um único pivot não dá, sobretudo porque os seus extremos revelam alguma dificuldade, no momento da perda de bola, para recuar e se assumir como um quarto médio, o que pode ser fundamental tendo também em consideração a forma como o seu opositor de sábado ataca: futebol apoiado, de passe curto e sempre em velocidade e triangulações em progressão ofensiva.

Certo é que o Benfica visita a Académica partindo como natural favorito, sendo tão maiores os seus atributos e qualidade, comparado ao seu adversário, quanto a sua pressão: pela primeira vez em várias jornadas o Benfica joga sabendo que um deslize lhe pode custar a liderança da Liga e, em véspera de clássico, terá neste jogo muito mais a perder do que o seu opositor. Atributos mais do que suficientes para uma boa partida de futebol, onde o lider terá certamente que suar para vencer, a exemplo aliás do que ocorreu na temporada passada em que venceu em Coimbra por 1-0 (golo de Saviola aos 18').

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