Aproveitando estes últimos desentendimentos entre clubes e federações de futebol, vide Sport Lisboa e Benfica e Federação Portuguesa de Futebol, devido aos compromissos amigáveis das selecções nacionais em datas escolhidas pela FIFA, proponho-me a reflectir sobre o poder de cada uma destas instituições (clube e selecção) sobre cada jogador.
Estando S.L.Benfica (“SLB”) e F.C.Porto (FCP) em vésperas de se encontrarem num clássico fundamental para atingirem o titulo de campeão nacional, é normal que não se queiram ver privados das suas peças fundamentais num momento decisivo. Embora não se sinta, através dos orgãos de comunicação social, uma grande aflição por parte dos representantes dos Dragões, certamente que Vitor Pereira se estará a debater com dúvidas para montar a melhor equipa possivel para o clássico do dia 2 de Março (Sexta-feira) às 20:15 (relato na Benfica TV ou visionamento na Sport tv).
Para a Selecção Nacional foram convocados: Rolando, João Moutinho e Varela do lado do FCP; Eduardo e Nélson Olveira do lado do SLB. Neste caso específico é o FCP quem pode ter mais queixas pois tem 2 ou 3 habituais titulares (dúvida Varela) a defender a Selecção das quinas, já o SLB tem o seu guarda-redes suplente Eduardo e um dos seus pontas-de-lança Nélson Oliveira (voltaremos ao tema da sua inclusão na convocatória de Paulo Bento num “post” especifico) que pode ser “substituido” por Cardozo (não convocado para a selecção do Paraguai), Saviola ou Rodrigo.
Põe-se então em causa se será a selecção treinada por Paulo Bento a causadora de tanto debate, o que efectivamente não me parece ser o caso. A questão principal é que ambos os clubes têm jogadores de grande valor e de grande qualidade, já que ambos os planteis estão bem recheados de internacionais de várias nações. De forma a resumir este artigo aqui ficam os convocados de SLB e FCP para os jogos de selecção:
S.L. BENFICA:
· Eduardo e Nélson Oliveira (Portugal)
· Mika, André Almeida e Luis Martins (Portugal - Sub-21)
· Luisão (Brasil)
· Maxi Pereira (Uruguai)
· Garay (Argentina)
· Witsel (Bélgica)
· Rodrigo (Espanha – Sub-23)
F.C. PORTO:
· Rolando, Moutinho e Varela (Portugal)
· Hulk e Alex Sandro (Brasil)
· Defour (Bélgica)
· Cristian Rodriguez (Uruguai)
· Mark Janko (Austria)
· James Rodriguez (Colombia)
Tudo parece equilibrado sendo o caso do colombiano do FCP o mais crítico pois vai jogar em Miami e não foi dispensado pelo seu seleccionador.
Mas o problema destas convocatórias não se esgota no impacto que terá no clássico, já que o SLB disputará, 4 dias após este encontro, a segunda-mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, podendo a sobrecarga que estes compromissos das selecções acarretam, ser claramente prejudicial para a competitividade do 11 de Jorge Jesus na Liga Milionária.
Tal como outros clubes, excluindo o Zenit por não ter competição interna, que se mantém na prova milionária, também o SLB terá de gerir o esforço dos seus atletas de forma a disputar estas duas “finais”.
O que nos leva então ao ponto fulcral da questão: não deveriam os clubes poder gerir as chamadas às selecções dos seus atletas aquando de jogos de carácter meramente particular? No meu entender SIM, e pelo somatório de razões tão simples quanto: é o clube quem “detém” o passe de um jogador e é o clube quem lhe paga o salário, pelo que são as cores da instituição que o jogador representa quem mais tem a perder com estes jogos de teste.
Não se questiona a necessidade de jogos particulares e de preparação, contudo pode ser perigoso deixar ao livre arbítrio e bom senso dos Seleccionadores Nacionais ponderar numa fase inicial a chamada de um jogador e, caso o chame, o seu tempo de utilização.
Bem ou mal, com ou sem azar, o risco de ocorrerem lesões durante os treinos e, principalmente, durante os jogos é real… e aí não há tempo para recuperar o jogador e adivinhem quem saiu a perder com a situação… o clube e o próprio jogador.
Querendo aqui deixar clara a minha posição geral e não defendendo uma cor, creio que os treinadores de clube deviam poder dar instruções aos seleccionadores do limite aceitável de tempo de utilização ou, em caso pontual de um calendário exigente, as respectivas SAD deveriam ter a autoridade de vetar a ida de um jogador à selecção a propósito de um jogo particular. Sem clubes não há quem forme jogadores para actuarem nas selecções nacionais, não há competições, nem há industria do futebol…e não o contrário.

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