segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

SLB mostra a sua raça, querer e ambição

FEIRENSE 1 - S.L.BENFICA 2


21 anos depois da sua ultima visita a Santa Maria da Feira, o Benfica voltava ao Estádio Marcolino de Castro para defender a sua liderança isolada na Liga e colocar pressão sobre o seu mais directo adversário na luta pelo título.

Num jogo extremamente competitivo, os comandados de Jorge Jesus deixaram o fato de gala e a nota artística para outras ocasiões, envergando um bem operário “fato de macaco” em tons de vermelho forte, debruado a carácter, humildade, espírito de sacrifício e talento. Esta opção revelar-se-ia fundamental para alcançar uma vitória que toda a nação benfiquista percepcionou como mais um passo importante rumo ao objectivo supremo da temporada: o 33º título nacional, que a concretizar será o segundo em 3 anos.

Do onze apresentado na vitória ao Gil Vicente (3-1), Jorge Jesus relegou para o banco Nolito e Gaitan, lançando Aimar (para o meio) e Bruno César (para a esquerda), colocando Rodrigo no apoio a Cardozo, fazendo Witsel descair para a direita. Do outro lado, Quim Machado dispôs a sua equipa num 4x1x3x2 muito compacto, extremamente pressionante sobre o portador da bola e inteligente na cobertura de linhas de passe, saindo sempre de forma muito rápida em contra-ataque, fruto da velocidade e qualidade de Ludovic e Diogo Cunha.

Num relvado que, mais do que pequeno, estava em manifesto mau estado, o Benfica não realizou uma primeira parte muito conseguida. Ainda assim – e já depois dos avisos do Feirense pelo central Luciano (5’) e pelo extremo Diogo Cunha (15’) – os encarnados conseguiram criar três boas ocasiões de golo, sempre por Rodrigo, das quais a mais evidente terá sido aquela em que depois de grande jogada entre Maxi e Witsel, Rodrigo disparou de cabeça para defesa felina de Paulo Lopes (40’). Ao fim de 45 minutos de muita luta era evidente que o Benfica teria que suar bastante para vergar um muito positivo Feirense que para além de buscar o golo, bloqueava a preceito o jogo encarnado, muito pouco flanqueado já que Witsel, Rodrigo e Bruno César tiveram sempre tendência para flectir para o meio.

Depois de muitos e sérios avisos durante a primeira parte, em que haviam ganho muitas bolas de cabeça na área encarnada, os homens da Vila da Feira chegariam ao golo, apontado aos 50’ de cabeça pelo central Varela, na sequência de canto marcado de forma tensa por Hélder Castro. Aumentava a percepção da dificuldade que sentiria o Benfica em somar 3 pontos na Vila da Feira.

Porque as grandes equipas reagem nos grandes momentos, o Benfica reagiu de forma rápida e enérgica, pressionando a defesa Feirense e restabelecendo a igualdade, apenas quatro minutos depois, quando após um lançamento lateral de Maxi Pereira, “Tacuara” desviou de cabeça, para um desafortunado Varela fazer auto-golo. Respirava fundo a nação benfiquista e enchiam o peito de ar os homens de Jesus, preparando-se para o ataque final à baliza Feirense.

No Benfica entrariam (aos 61’) Nolito e Gaitan para os lugares dos discretos, mas abnegados, Bruno César e Aimar, e a águia recuperava as suas asas e maior acutilância no ataque. Aos 67’ Cardozo centrou para Gaitan quase fazer golo de cabeça e aos 71’ Rodrigo amorteceu com o peito e disparou forte para nova grande intervenção de Paulo Lopes. O Benfica carregava e chegaria ao segundo golo quando, aos 73’, Varela carregou Rodrigo provocando inequívoca grande penalidade. Chamado a converter, Cardozo fê-lo fria e exemplarmente, marcando pelo sexto jogo consecutivo em jogos da Liga.

Com o Benfica em vantagem, o Feirense não lançou a toalha ao chão e procurou o empate, que esteve perto de conseguir quando o muito concentrado Emerson evitou que um disparo de Ludovic chegasse ao fundo das malhas de Artur Moraes. Percebendo a escassez da vantagem, também o Benfica carregou no ataque e ainda dispôs de duas soberanas oportunidades de golo: aos 89’ num belo remate de Witsel defendido em voo pelo guardião feirense e aos 90’+3 quando Rodrigo, após vencer oposição de Varela, se isolou mas, uma vez mais, não conseguiu desfeitear Paulo Lopes.

As tropas de Jorge Jesus ganhavam mais uma batalha, num terreno complicado perante um opositor de muita fibra. Com esta vitória, o Benfica atingiria os seus propósitos: somar os 3 pontos em disputa e pressionar o seu adversário directo na luta pelo título, que a acusaria sobremaneira no dia seguinte em Barcelos…

S.L.BENFICA POR SECTORES

Na baliza e apesar da boa réplica Feirense, Artur não tendo tido noite de muito trabalho, saiu ainda assim dos postes por diversas vezes para socar a bola da sua área. Nas laterais: Emerson esteve pouco afoito no ataque, mas sempre muito atento às endiabradas investidas de Ludovic, negando-lhe inclusive o 2-2 (aos 78’), e Maxi Pereira esteve… igual a si próprio! Correu quilómetros, sempre em alta rotação, desdobrando-se entre a vigilância ao irrequieto e veloz Diogo Cunha e a dinamização do ataque encarnado (onde se assumiu como principal flanqueador do jogo, sobretudo na primeira parte). No eixo da defesa, Garay e Luisão fizeram nova grande exibição, com cortes providenciais sobretudo no segundo tempo quando o Feirense tentava reagir ao segundo golo encarnado, fazendo esquecer qualquer coisa que terá corrido menos bem no golo Feirense. 

Javi Garcia, como guerreiro que é, impondo a sua Lei na sua área de influência, foi elemento determinante para a vitória nesta dura batalha da Vila da Feira. Uns metros mais à frente, e desta feita descaído para a direita, Witsel, auxiliou o espanhol na luta pela posse da bola, aportando adicionalmente a arte de verticalizar o jogo, sendo peça chave na transição ofensiva do futebol encarnado. Esteve perto do golo aos 89’, “à bomba”, mas Paulo Lopes não o consentiu. Aimar, apesar de boa entrada na partida - oferecendo magistralmente (aos 17’) o golo a Rodrigo - foi desaparecendo do encontro fruto de uma marcação implacável pelos comandados de Quim Machado que nunca o deixaram pegar no jogo. Sairia aos 61’ para a entrada de Nolito, que agitou o jogo, fruto da raça, da velocidade e do drible em espaços muito curtos. Bruno César, que se estreara a marcar pelo Benfica frente a este adversário, esteve esta noite algo apagado, caindo na tentação de flectir muitas vezes da esquerda para o meio, perdendo a influência que poderia ter tido no flanco. Cedeu aos 61’ lugar a Gaitan que, não tendo sido tão influente quanto Nolito, entrou bem na partida, muito dinâmico e sempre à procura da bola e do golo, que esteve perto de obter de cabeça (67’) e num remate em arco (85’). Matic entrou já aos 90’+1 para dar mais alguns centímetros à defesa benfiquista quando o Feirense apostava tudo no futebol directo para a área de Artur.

Cardozo, sempre muito
marcado, “serviu” Varela para o auto-golo que reestabeleceu o empate e apontou, ignorando a pressão do momento, exemplarmente a grande penalidade, garantindo a vitória e marcando pela sexta jornada consecutiva. Incontornável referência atacante do Benfica de Jesus. Rodrigo é um “puro-sangue” e, mesmo não tendo colorido o marcador com o seu nome (teve quatro claras oportunidades para o fazer sempre negadas superiormente por Paulo Lopes), deu imenso trabalho à defesa Feirense, assumindo-se como o guerreiro que mais mossa fez nos homens de Santa Maria da Feira.

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