Fechado o ano de 2011 com goleada (5-1) sobre o Rio Ave de Carlos Brito e iniciado o novo ano de 2012 com nova goleada (1-4) em Guimarães sobre os comandados de Rui Vitória, o Benfica de Jorge Jesus tem marcado para o próximo Domingo novo confronto com um conceituado, e muito experiente, técnico português: Manuel Cajuda, o terceiro técnico nesta época da União de Leiria.Trata-se de um regresso de Manuel Cajuda à União de Leiria, equipa que treinou na época 2002/2003, acabando o campeonato no quinto lugar (numa equipa onde pontificavam Helton, Fernando Aguiar, Bilro, João Manuel, Douala, Maciel e Hugo Almeida) tendo chegado, também, à final da Taça de Portugal, perdida então (por 1-0 marcado por Derlei) para o F.C.Porto de José Mourinho, no ano em que o Benfica (de Jesualdo Ferreira) e o Sporting (de Laszlo Boloni) foram prematuramente eliminados da Taça nos seus redutos pelos modestos Gondomar e Naval1º de Maio.
A “raposa táctica” Cajuda, que não trabalhava em Portugal desde que deixou o Vitória de Guimarães durante a pré-época 2009/2010, estreou-se na 7ª Jornada da Liga frente ao SC Braga (vitória por 1-0 com golo de Luís Leal), sucedendo a Vítor Pontes que esteve apenas três jogos ao leme da equipa entre a 4ª e a 6ª Jornadas (vitória em Aveiro, derrota em casa com Marítimo e derrota em Olhão), depois de ter substituído Pedro Caixinha que nas primeiras 3 jornadas averbou outras tantas derrotas.
No final da 6ª Jornada, a União de Leiria era 15ª classificada com os 3 pontos da vitória alcançada na estreia de Vitor Pontes. Pela mão de Cajuda, nas 7 jornadas seguintes averbou 3 vitórias (todas caseiras perante Braga, Setúbal e Guimarães) e 4 derrotas fora (Vila do Conde, Alvalade, Barcelos e Santa Maria da Feira), num registo que faz desta equipa a única que ainda não empatou no campeonato. Fruto destes resultados a União de Leiria é, à partida para a 14ª Jornada, a 13ª classificada, com 12 pontos, apenas 1 ponto acima da linha de água, precisando desesperadamente de pontos.
Naturalmente que a recepção ao S.L.Benfica, não sendo um “jogo do seu campeonato”, não pressiona a equipa de Cajuda já que qualquer ponto conquistado será sempre 1 ponto mais do que as previsões iniciais "das suas contas", o mesmo não se passando com a equipa de Jorge Jesus que jogará apostada na manutenção da liderança, eventualmente isolada consoante o resultado do clássico entre Sporting e F.C.Porto de sábado.
Sendo um “camaleão táctico” que normalmente dispõe a sua equipa muito em função do adversário – misturando, com muita experiência e arte, o respeito entre os seus próprios princípios de jogo e a teia que seja capaz de manietar as principais armas da equipa contrária – nunca é fácil antever que equipa apresentará Cajuda. Esse é contudo o exercício que procuro fazer.
Tendo em conta:
Ø As saídas recentes:
o do polivalente médio André Almeida (que regressou ao S.L.Benfica – diz-se que para colmatar a eminente saída de Ruben Amorim) utilizado em 11 partidas da Liga (10 como titular);
o do central Diego Gaucho (que regressou ao Brasil para o Santa Cruz) que era um dos comandantes da defesa, um autêntico pronto socorro que compensava muito bem os companheiros da defesa e que foi titular em 11 jogos dos 13 já realizados;
o do central Yvan Erichot envolvido num processo disciplinar;
o do lateral/médio esquerdo Maykon que após 2 épocas brilhantes no Paços de Ferreira 2009/10 e 2010/11 trocou a Mata Real pelo Lis, com quem acaba de rescindir devido a alegados incumprimentos financeiros por parte do clube;
Ø Que a equipa tentará colmatar com as entradas de:
o do médio Alphousseyni Keita, de 26 anos, que volta a ser companheiro de Marcos Paulo com quem jogou na equipa francesa do Le Mans em 2008/2009, na altura orientada pelo treinador português Paulo Duarte;
o do central Diego Alemão, brasileiro de 21 anos que representava o Paraná, da série B do Brasil, e cuja larga margem de evolução, força física e qualidade nos lances aéreos foram determinantes na sua escolha e contratação;
o 11 de Manuel Cajuda, provavelmente em 4 x2 x 3 x 1 – para dar musculo ao seu meio campo e dificultar as transições adversárias (como fez na recepção ao Guimaraes) - não andará longe do seguinte:
Na baliza estará Gottardi, guarda-redes que chegou e Leiria na época 2010/11 e que nesta temporada jogou 11 das 13 jornadas já realizadas, titular absoluto desde a 3ª Jornada, quando ganhou a titularidade a Luiz Carlos que jogou as primeiras duas rondas do campeonato. A dupla de centrais provável será composta por Edson e Marco Soares. O primeiro, deve regressar após ausência na última jornada por lesão e o segundo, pode voltar a ser adaptado nessa posição que não é a sua, como aconteceu nas últimas duas jornadas. Marco Soares esteve 13 meses e meio lesionado, tendo voltado contra o Guimarães fazendo uma exibição soberba, sem uma única falha no centro da defesa, anulando Edgar e demais vimaranenses. Apenas a eventual recuperação de Hugo Alcântara para o jogo – ele que esta semana intensificou os treinos na procura do seu melhor ritmo – pode ditar que este faça parceria com Edson, libertando Marco Soares para a luta do meio-campo. A Diego Alemão certamente faltarão ainda treinos suficientes de conjunto para um jogo com este grau de exigência pelo que não deve ser opção no onze.
Na lateral esquerda deverá estar Patrick, um lateral bastante atrevido, que com a saída de Maykon (usado em 11 partidas) assumiu maior protagonismo no grupo, tendo contudo a sombra de Shaffer que quer conquistar a titularidade. Grande golo (e conquista de 3 pontos) foi o cartão-de-visita que deixou em Aveiro (4ª Jornada) este argentino, de 26 anos, emprestado pelo Benfica. À direita deverá estar o lateral português Ivo Pinto que é por esta altura o jogador do plantel com mais minutos de utilização (1.080) equivalentes a 12 jogos, ele que é muito aguerrido a atacar e forte a defender, jogando fácil e sem se expor habitualmente ao erro.
Mantendo o pressuposto que Manuel Cajuda jogará em 4 x 2 x 3 x 1, à frente do quarteto defensivo estarão provavelmente – se o regresso de Hugo Alcantara para central não libertar Marco Soares para o meio campo – os portugueses Tiago Terroso e Manuel Curto. Terroso, dotado de um belo pé esquerdo, não sendo fisicamente muito forte é um jogador muito activo - um lutador - tacticamente muito evoluído e que ajuda a fechar muito bem o flanco esquerdo. Curto, é o “patrão”. É o homem que faz a equipa mexer. Um operário que, dotado de excelente sentido posicional, corre todos o meio campo, partindo muitas vezes dele os lances de ataque organizado da equipa.
À frente deste duplo-pivot deverão estar o canhoto Leo (à esquerda), Marcos Paulo (à direita) e Elvis (pelo meio). Destes 3, Leo é o de maior vocação ofensiva, muito veloz e com movimentações inteligentes tornando-se num jogador bastante difícil de marcar. Foi dele o golo que derrotou o Guimarães na 12ª Jornada. Elvis é um jogador mais lento, mais cerebral. Sendo muito bom tecnicamente é um excelente apoio aos homens mais avançados, sobretudo quansdo entra pela direita, não se estranhando que tenha participado em todos os 13 jogos desta União na presente Liga, 9 dos quais como titular. Se Manuel Cajuda quiser alguém que segure mais a bola e seja menos vertical pode (durante o jogo ou logo de inicio) lançar, nessa posição central, o brasileiro Cacá, já utilizado em 5 partidas esta temporada. À direita, Marcos Paulo é um “incansável tanque” que fecha com rigor a asa direita da equipa, articulando-se muito bem com Ivo Pinto sempre que o lateral sobre, e fá-lo amiúde. É peça importante da equipa tendo sido titular em 11 das 13 jornadas já realizadas.
Outras opções para este trio de apoio ao avançado podem ser o português Luís Leal e o brasileiro Jô, chegado esta época ao campeonato português, proveniente da Juventus…de Rio Branco no Brasil. Luís Leal, emprestado à União pelo Estoril Praia, é um jogador que aporta muita velocidade e vivacidade ao ataque da equipa de Cajuda, sobretudo pela esquerda, ele que é destro e que faz diagonais para o interior muito intencionais. Tem 9 jogos como suplente utilizado e 2 como titular, sendo por esta altura claramente o 12º jogador desta equipa. Para o flanco oposto, uma aposta possível, diria quase provável, é Jô que entra muito bem pela asa direita mas que é um jogador ainda pouco dado ao trabalho táctico de ajuda a fechar espaços.
Na frente da ataque deverá estar o rápido e forte cabo verdiano Djaniny – que consta estar já comprometido com o S.L.Benfica para a próxima época – e que é a referência de ataque da equipa, titular em 12 jogos. Outra opção para o eixo do ataque é Bruno Moraes, se recuperado de recente intervenção cirúrgica ao nariz, ele que é um avançado menos possante, mas igualmente incomodo porque foge bem aos centrais. Participou em 8 jogos desta liga, 5 como suplente utilizado, sendo actualmente o melhor marcador da equipa com 3 golos (2 de grande penalidade).
Se Marco Soares não tiver que ser adaptado a central, pode juntar-se este a Tiago Terroso ou Manuel Curto à frente do quarteto defensivo.
Caso Cajuda opte por jogar mais aberto no ataque, ou a isso seja forçado durante a partida, pode organizar a sua equipa em 4 x 4 x 2, como fez recentemente na recepção ao Vitória de Setubal, e nesse caso (mantendo o quarteto defensivo) poderá ajustar Tiago Terroso para a esquerda, recuar no terreno Marcos Paulo à direita, deixando o corredor central para Manuel Curto (mais recuado) e Elvis, ouCacá (mais adiantado). Na frente, a acompanhar Djaniny poderia então escolher para a titularidade entre Elvis (com a vantagem de este saber ocupar espaços mais recuados quando a equipa perca a bola) ou Leo (podendo, durante a partida, refrescar o ataque da equipa com os flanqueadores Luís Leal e Jô e a referência na área que pode ser BrunoMoraes).Note-se que a eventual recuperação de Hugo Alcantará poderá ser decisiva para esta opção, pois nessa situação, poderia Cajuda contar com Marco Soares para o vértice inferior deste losango e permitir subir Manuel Curto para o vértice mais adiantado.
Certo é tratar-se de um grupo muito homogéneo e trabalhador que, não obstante as 2 mudanças de treinador já verificadas (de Caixinha para Pontes e deste para Cajuda) e o impacto das alegadas dificuldades financeiras da SAD Leiriense, se bate galhardamente contra todos os adversários. Se a este grupo solidário de homens juntarmos a tradição de Manuel Cajuda (um técnico com muitos anos de ofício e MBA em "matreirice futebolistica aplicada") em criar dificuldades aos 3 grandes, teremos certamente um conjunto interessante que poderá causar dificuldades aos comandados de Jorge Jesus,que jogam para manter a liderança.
O clássico de sábado ente Sporting e F.C.Porto em Alvalade? Perguntem a Cajuda e a Jesus qual o jogo mais importante da 14ª jornada… Certamente ambos responderão que será o seu confronto aprazado para domingo pelas 18h15.
Antes de mais quero mostrar o meu apreço e respeito pelo teu trabalho de pesquisa... notável meu amigo! Para esta partida a receita parece simples, esquecer os nossos rivais directos e ter a noção que temos de ser sempre nós a ganhar. Não esperar pelas escorregadelas dos outros. Lutar e vencer sempre. Concentração máxima e carrega Benfica!!
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