Com a primeira jornada da Liga
Zon Sagres 2012/13 arranca “a temporada
da verdade” para os projectos desportivos de Luís Filipe Vieira e António Salvador:
ao primeiro, em ano de eleições, um arranque em grande, a somar ao muito o
trabalho feito, garantirá (creio) tranquila e folgada reeleição (que só um mau
acordo em relação aos direitos televisivos pode minar); ao segundo, só um
arranque forte permitirá a confirmação, ano após ano, de um Braga que consolida
a posição de 4º grande de Portugal, que tudo fará para finalmente saborear os
títulos que por agora tem apenas conseguido... "cheirar".
O BENFICA
Para os da Luz a Liga arranca
ainda com muitas indefinições na defesa, no meio-campo e no ataque… escapando a
baliza que está bem entregue.
Na defesa encarnada (e para além da eventual necessidade de contratar
um central de créditos firmados – quem tem Jardel e Miguel Vitor precisará de
tal? – para o caso de Luisão enfrentar eventual castigo na Champions) a posição
de lateral esquerdo continua a ser
(vide época passada com o insucesso de Emerson e Capdevilla) o posto mais
difícil de preencher. Enquanto se especula sobre a contratação dos
internacionais Eliseu (Português) ou Pocognoli (Belga), tudo aponta para que
seja Melgarejo o titular no jogo deste sábado. O mercado primeiro, e a
temporada depois, esclarecerão se a adaptação deste jovem extremo a essa
posição (enquanto Luisinho, apesar de interessante pré-época e dos XX jogos nessa
posição no Paços de Ferreira em 2011/12 - que levaram à sua contratação – parecemnão
ter sido suficientes para convencer Jorge Jesus a nele apostar).
Nenhum outro sector encarnado
sofre tanto com a incerteza que o mercado coloca na definição do plantel
encarnado como a sua linha intermédia… e mais grave, nenhum outro sector ditará
tanto o sucesso ou insucesso do Benfica esta temporada, como o seu meio-campo, já que a manutenção ou não
de Axel Witsel pode (deve?) inclusivamente forçar Jesus a repensar o esquema
habitual de abordar os jogos da equipa. O Benfica com Witsel é claramente mais
equilibrado do que sem o talentoso belga - não
só pelo que aporta ao jogo encarnado com o seu “box-to-box” de veludo e
inteligência, assumindo a gestão dos ritmos da equipa, mas também pelo que
permite fazer subir Javi Garcia e, assim, com ele todo o bloco intermédio da
equipa - pelo que sem ele pode claramente ficar em causa o 4x2x3x1 habitual
de Jesus em 2011/12. A solução poderá passar por um soberbo Carlos Martins (só
ele, de entre os demais médios do plantel actual, pode fechar a defender e
criar enquanto ataca, com idêntica qualidade… mas ainda assim sempre de forma
diferente da do belga) ou pelo regresso de um 4x4x2 em que na prática Javi
Garcia actua só à frente da defesa (o que na prática é um tacito, e mais
exposto ao adversário, 4x1x3x2), que implica a presença de 2 jogadores na linha
da frente (um mais móvel e outro mais
fixo) o que nos leva à incógnita seguinte: pode o Benfica vender Cardozo?
Depois das cedências de Nelson
Oliveira (percebe-se a aposta no crescimento competitivo e valorização do activo)
e Rodrigo Mora, pode o ataque de uma
equipa que quer lutar pelo titulo e por uma boa prova na Champions League ficar
reduzido a Kardec (mais posicional) e ao trio (mais móvel) composto por
Rodrigo, Michel e Saviola (se o Malaga ou o Trabzonspor falharem a sua
contração)? Não se duvide, goste-se ou não do estilo, Cardozo faz parte da
coluna vertebral do melhor Benfica: Artur-Maxi Pereira-Luisão-Garay-Javi-Aimar-Cardozo.
Só quando o mercado fechar e clarificar todas estas indefinições se
perceberá se foi ou não errado o Benfica apostar (tanto) nas aquisições de Ola John, Hugo Vieira e
Salvio, somadas ao regresso de Enzo Perez e à contratação de inverno de Yannick
(antecâmara de uma mais-valia económica?), antes
de consumada a venda (outrora) eminente
de Nico Gaitan… só após o termo
deste defeso poderão os benfiquistas perceber se será hora de chorar as perdas
definitivas de Witsel (a compra de Modric pelo Real Madrid ao Tottenham, de
Villas Boas, pode jogar a favor do Benfica) Gaitan ou Cardozo (considerando que os demais, incluindo Garay e
Javi, apesar do mercado por eles perguntar) ou algumas cedências temporárias (as confirmadas de Nelson Oliveira
e Mora e a possível de Nolito) conforme
choraram o ano passado a de Carlos Martins.
O BRAGA
No Braga, o grande dilema de José
Peseiro (que herda pesadas heranças das prestações recentes de Jorge Jesus,
Domingos Paciência e Leonardo Jardim ao leme dos Bracarenses) para esta época
será entre: i) manter o ADN da equipa, em 4x3x3 (com um meio campo em 2x1), com
um futebol que aposta tudo nas transições rápidas, na velocidade dos extremos e
nos passes de média distancia e diagonais venenosas de Hugo Viana; ou ii) ser
audaz e querer converter um grupo, sem grandes alterações (reforçado por Ruben
Micael) e rotinado em 4x3x3, ao seu princípio de jogo de 4x4x2, em losango,
assente em muita posse e circulação de bola.
Para já, e olhando para as
prestações recentes do Braga na pré-época, parece claro que Peseiro joga pelo
seguro e, a exemplo do que fez DiMateo no Chelsea (vencedor da Champions
League), dá o poder (titularidade) ao núcleo duro do clube e aposta na
disposição táctica com que estes mais à vontade se sentem. No fundo “não
inventa”, o que pode ser meio caminho andado para ter sucesso num clube bem
estruturado e ambicioso.
Quim; Elderson, Nuno André
Coelho, Douglão (se entretanto recuperar… o que não acontecendo deve abrir
a porta da titularidade a Paulo Vinicius) e
Leandro Salino; no meio-campo em 1x2,
Custódio mais central, terá Hugo Viana à esquerda e Mossoró à direita; no ataque, a
velocidade dos alas Helder Barbosa
(pela esquerda) e Alan (pela direita…
a explorar a inexperiência posicional e eventuais dificuldades de recuperação
de Melgarejo) procurarão ser o apoio de que o explosivo (e muitas vezes letal) Lima necessita. E repare-se de que
falamos num 11 que transita integralmente da época transacta.
Única duvida
(lesões à parte) será perceber se o nigeriano Elderson consegue arrancar a
época como dono da lateral esquerda na defesa ou se o brasileiro Ismaily (25
jogos como titular na época passada ao serviço do Olhanense) será “a cara nova”
no onze que pelas 20h15 pisará o relvado da Luz.
Caso Peseiro entender colocar um pouco mais de tracção atrás, convidar o Benfica a atacar para ganhar metros para os seus alas, poderá alterar a disposição do seu trio intermédio para 2x1, caso em que Custódio terá a seu lado Hugo Viana, com Mossoró (ou Ruben Micael… ou um pelo outro quando for necessário refrescar a equipa durante a partida) no vértice mais adiantado, alimentando as diagonais de Barbosa e Alan (22 e 23 jogos, respectivamente, como titulares em 2011/12) e chegando mais perto no apoio ao ponta-de-lança.
A opção do 4x4x2 para o arranque da Liga e para a visita ao Benfica parece pouco provável… mas pode ser uma alternativa credível para a época, sobretudo se Lima sair. Efectivamente, se as saídas de Ewerton (FC Anzhi) e de Nuno Gomes (Blackburn Roovers) nada de especial representaram para o grupo, já a eventual saída de Lima (participou nas 30 jornadas e fez 20 golos na Liga em 2011/12, tantos quantos Oscar Cardozo) seria mais difícil de colmatar, pois nem Eder (ainda algo verde para as exigências de um possível candidato ao titulo) ou Carlão (tarda, aos 26 anos, em explodir ao nível do potencial que prometia) serão avançados tão completos… o que pode permitir extrair maior rendimento de Mossoró, ou Paulo César, nas costas do avançado.
NDRP: graficos dos 11 exibidos no programa Relatório & Contras (propriedade da Benfica TV) de 13.08.2012
NDRP: graficos dos 11 exibidos no programa Relatório & Contras (propriedade da Benfica TV) de 13.08.2012

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