quarta-feira, 15 de agosto de 2012

SLBenfica - SCBraga 1ª Jornada: A ANTEVISÃO


Com a primeira jornada da Liga Zon Sagres 2012/13 arranca a temporada da verdade para os projectos desportivos de Luís Filipe Vieira e António Salvador: ao primeiro, em ano de eleições, um arranque em grande, a somar ao muito o trabalho feito, garantirá (creio) tranquila e folgada reeleição (que só um mau acordo em relação aos direitos televisivos pode minar); ao segundo, só um arranque forte permitirá a confirmação, ano após ano, de um Braga que consolida a posição de 4º grande de Portugal, que tudo fará para finalmente saborear os títulos que por agora tem apenas conseguido... "cheirar".

O BENFICA
Para os da Luz a Liga arranca ainda com muitas indefinições na defesa, no meio-campo e no ataque… escapando a baliza que está bem entregue.
Na defesa encarnada (e para além da eventual necessidade de contratar um central de créditos firmados – quem tem Jardel e Miguel Vitor precisará de tal? – para o caso de Luisão enfrentar eventual castigo na Champions) a posição de lateral esquerdo continua a ser (vide época passada com o insucesso de Emerson e Capdevilla) o posto mais difícil de preencher. Enquanto se especula sobre a contratação dos internacionais Eliseu (Português) ou Pocognoli (Belga), tudo aponta para que seja Melgarejo o titular no jogo deste sábado. O mercado primeiro, e a temporada depois, esclarecerão se a adaptação deste jovem extremo a essa posição (enquanto Luisinho, apesar de interessante pré-época e dos XX jogos nessa posição no Paços de Ferreira em 2011/12 - que levaram à sua contratação – parecemnão ter sido suficientes para convencer Jorge Jesus a nele apostar).
Nenhum outro sector encarnado sofre tanto com a incerteza que o mercado coloca na definição do plantel encarnado como a sua linha intermédia… e mais grave, nenhum outro sector ditará tanto o sucesso ou insucesso do Benfica esta temporada, como o seu meio-campo, já que a manutenção ou não de Axel Witsel pode (deve?) inclusivamente forçar Jesus a repensar o esquema habitual de abordar os jogos da equipa. O Benfica com Witsel é claramente mais equilibrado do que sem o talentoso belga - não só pelo que aporta ao jogo encarnado com o seu “box-to-box” de veludo e inteligência, assumindo a gestão dos ritmos da equipa, mas também pelo que permite fazer subir Javi Garcia e, assim, com ele todo o bloco intermédio da equipa - pelo que sem ele pode claramente ficar em causa o 4x2x3x1 habitual de Jesus em 2011/12. A solução poderá passar por um soberbo Carlos Martins (só ele, de entre os demais médios do plantel actual, pode fechar a defender e criar enquanto ataca, com idêntica qualidade… mas ainda assim sempre de forma diferente da do belga) ou pelo regresso de um 4x4x2 em que na prática Javi Garcia actua só à frente da defesa (o que na prática é um tacito, e mais exposto ao adversário, 4x1x3x2), que implica a presença de 2 jogadores na linha da frente  (um mais móvel e outro mais fixo) o que nos leva à incógnita seguinte: pode o Benfica vender Cardozo?
Depois das cedências de Nelson Oliveira (percebe-se a aposta no crescimento competitivo e valorização do activo) e Rodrigo Mora, pode o ataque de uma equipa que quer lutar pelo titulo e por uma boa prova na Champions League ficar reduzido a Kardec (mais posicional) e ao trio (mais móvel) composto por Rodrigo, Michel e Saviola (se o Malaga ou o Trabzonspor falharem a sua contração)? Não se duvide, goste-se ou não do estilo, Cardozo faz parte da coluna vertebral do melhor Benfica: Artur-Maxi Pereira-Luisão-Garay-Javi-Aimar-Cardozo.
Só quando o mercado fechar e clarificar todas estas indefinições se perceberá se foi ou não errado o Benfica apostar (tanto) nas aquisições de Ola John, Hugo Vieira e Salvio, somadas ao regresso de Enzo Perez e à contratação de inverno de Yannick (antecâmara de uma mais-valia económica?), antes de consumada a venda (outrora) eminente de Nico Gaitan… só após o termo deste defeso poderão os benfiquistas perceber se será hora de chorar as perdas definitivas de Witsel (a compra de Modric pelo Real Madrid ao Tottenham, de Villas Boas, pode jogar a favor do Benfica) Gaitan ou Cardozo (considerando que os demais, incluindo Garay e Javi, apesar do mercado por eles perguntar) ou algumas cedências temporárias (as confirmadas de Nelson Oliveira e Mora e a possível de Nolito) conforme choraram o ano passado a de Carlos Martins.
Não obstante tantas incógnitas e como exercício meramente especulativo (não sabendo se algumas vendas se concretizarão entretanto, ou se recuperarão Aimar e/ou Gaitan), arriscaria que para este sábado o 11 de Jorge Jesus, em 4x2x3x1, não andará longe de: Artur; Maxi Pereira, Luisão, Garay e Melgarejo; Javi Garcia e Witsel; Bruno César, Carlos Martins e Enzo Perez; Cardozo. Este parece ser o onze mais provável… contudo, em função das características do adversário, preferiria colocar, à frente de Javi e Witsel, um trio com Carlos Martins à direita, Bruno Cesar ao meio e Nolito à esquerda (para explorar  alguns espaços que o lateral adaptado Leandro Salino acaba por inadvertidamente conceder), confiando a Javi a missão de apoiar Melgarejo/Nolito a fechar a esquerda (que é como quem diz, bloquear o jogo de Alan). Mas preocupar-se com este alinhamento é função de Jorge Jesus… e tudo isto não passam de cenários.

O BRAGA
No Braga, o grande dilema de José Peseiro (que herda pesadas heranças das prestações recentes de Jorge Jesus, Domingos Paciência e Leonardo Jardim ao leme dos Bracarenses) para esta época será entre: i) manter o ADN da equipa, em 4x3x3 (com um meio campo em 2x1), com um futebol que aposta tudo nas transições rápidas, na velocidade dos extremos e nos passes de média distancia e diagonais venenosas de Hugo Viana; ou ii) ser audaz e querer converter um grupo, sem grandes alterações (reforçado por Ruben Micael) e rotinado em 4x3x3, ao seu princípio de jogo de 4x4x2, em losango, assente em muita posse e circulação de bola.
Para já, e olhando para as prestações recentes do Braga na pré-época, parece claro que Peseiro joga pelo seguro e, a exemplo do que fez DiMateo no Chelsea (vencedor da Champions League), dá o poder (titularidade) ao núcleo duro do clube e aposta na disposição táctica com que estes mais à vontade se sentem. No fundo “não inventa”, o que pode ser meio caminho andado para ter sucesso num clube bem estruturado e ambicioso.

Acreditando que o S.C.Braga se apresentará na Luz em 4x3x3 – e novamente não sabendo se Lima continuará na Cidade dos Arcebispos ou se haverá jogadores que se possam lesionar até à hora da partida – penso que serão grandes as hipóteses de se concretizar o seguinte 11 inicial:
Quim; Elderson, Nuno André Coelho, Douglão (se entretanto recuperar… o que não acontecendo deve abrir a porta da titularidade a Paulo Vinicius) e Leandro Salino; no meio-campo em 1x2, Custódio mais central, terá Hugo Viana à esquerda e Mossoró à direita; no ataque, a velocidade dos alas Helder Barbosa (pela esquerda) e Alan (pela direita… a explorar a inexperiência posicional e eventuais dificuldades de recuperação de Melgarejo) procurarão ser o apoio de que o explosivo (e muitas vezes letal) Lima necessita. E repare-se de que falamos num 11 que transita integralmente da época transacta.

Única duvida (lesões à parte) será perceber se o nigeriano Elderson consegue arrancar a época como dono da lateral esquerda na defesa ou se o brasileiro Ismaily (25 jogos como titular na época passada ao serviço do Olhanense) será “a cara nova” no onze que pelas 20h15 pisará o relvado da Luz.

Caso Peseiro entender colocar um pouco mais de tracção atrás, convidar o Benfica a atacar para ganhar metros para os seus alas, poderá alterar a disposição do seu trio intermédio para 2x1, caso em que Custódio terá a seu lado Hugo Viana, com Mossoró (ou Ruben Micael… ou um pelo outro quando for necessário refrescar a equipa durante a partida) no vértice mais adiantado, alimentando as diagonais de Barbosa e Alan (22 e 23 jogos, respectivamente, como titulares em 2011/12) e chegando mais perto no apoio ao ponta-de-lança.

A opção do 4x4x2 para o arranque da Liga e para a visita ao Benfica parece pouco provável… mas pode ser uma alternativa credível para a época, sobretudo se Lima sair. Efectivamente, se as saídas de Ewerton (FC Anzhi) e de Nuno Gomes (Blackburn Roovers) nada de especial representaram para o grupo, já a eventual saída de Lima (participou nas 30 jornadas e fez 20 golos na Liga em 2011/12, tantos quantos Oscar Cardozo) seria mais difícil de colmatar, pois nem Eder (ainda algo verde para as exigências de um possível candidato ao titulo) ou Carlão (tarda, aos 26 anos, em explodir ao nível do potencial que prometia) serão avançados tão completos… o que pode permitir extrair maior rendimento de Mossoró, ou Paulo César, nas costas do avançado.


NDRP: graficos dos 11  exibidos no programa Relatório & Contras (propriedade da Benfica TV) de 13.08.2012

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