domingo, 6 de novembro de 2011

FUTEBOL AOS APAGÕES (06.11.2011 - Braga 1 SLBenfica 1)


Depois da recepção ao Basileia, o Benfica deslocou-se a Braga para o primeiro de 3 jogos consecutivos fora da Luz (Braga, Naval e Manchester United) onde apenas voltará no próximo dia 26 de Novembro para o grande “derby” de Lisboa.

Os primeiros 10 minutos da partida no Estádio Municipal de Braga prometiam um grande jogo com todos os condimentos necessários para tal: um estádio com perto de 20.000 espectadores, a carga emotiva decorrente das mais recentes deslocações do Benfica a Braga, duas equipas que praticam bom futebol bem encaixadas num mesmo sistema táctico de 4x2x3x1 e um árbitro que parecia querer não ter influência no resultado da partida… seria pura ilusão. O jogo ficaria marcado por cinco falhas técnicas, e as mais graves não seriam as relativas aos três (sim, pasme-se, três !!!) apagões.

Aos 12’, na sequência de um canto que resultou de corte “in extremis” de Ewerton a remate perigoso de Ruben Amorim (a surpresa táctica de Jorges Jesus para esta partida), Douglão puxou Luisão para o solo em disputa pela bola, num penalty claro que o árbitro Pedro Proença perdoou aos Bracarenses – primeira falha técnica - e que certamente, a ser marcado, conferiria ao jogo uma história bem diferente com o Benfica madrugadoramente na frente do marcador. Poucos minutos depois, e com o jogo a ser disputado com muita intensidade, sobretudo a meio campo, eis que falha a energia e a iluminação. Pode acontecer em qualquer estádio, tudo normal até aí. Pedro Proença, bem, interrompeu a partida por 10 minutos até que ficaram reunidas as condições para o seu recomeço. A bola voltou a rolar, os jogadores de ambas as equipas procuravam voltar ao jogo quando ocorre nova falha de energia que a todos obrigou a parar novamente. Parecendo (e sendo) mau demais para ser verdade esta segunda interrupção, a história repetir-se-ia ainda uma terceira vez, condicionando irreversivelmente a qualidade dos primeiros 45 minutos do jogo, dos quais o melhor momento (aos 45’+22’) foi o lance em que Gaitán, após ultrapassar vários adversários, cruzou a preceito para cabeceamento perigoso de Cardozo, com a bola a passar pouco mais de um palmo ao lado da baliza de Quim.

O pior, contudo, estava ainda para chegar antes do intervalo… do intervalo oficial, entenda-se. Aos 79’ da primeira parte (!!!) o mesmo Pedro Proença, que aos 12’ achou por bem não assinalar penalidade nem mostrar cartão amarelo ao Douglão pelo puxão a Luisão, considerou que Emerson terá intencionalmente colocado mão na bola, isto apesar do lateral do Benfica ter virado as costas para Salino antes do cruzamento deste na direcção da área encarnada. A segunda falha técnica grave do árbitro, a marcação desta grande penalidade a favor do Braga, constituiu rude golpe para a equipa encarnada que não merecia seguir para o intervalo em desvantagem, com um sabor na boca a “Deja vu” de visitas anteriores à Pedreira.

Jorge Jesus voltou para as cabines com um sentimento claro de que teria que ser mesmo muito superior ao adversário, e às demais condicionantes, para poder triunfar naquele palco. E a verdade é que o Benfica foi mais expedito no segundo tempo. Mais rápido sobre a bola, pressionando alto e com futebol mais ambicioso - fruto das entradas de Nolito (aos 75’) e, sobretudo, Rodrigo (ao intervalo por indisposição de Gaitan) - o Benfica acabaria por ser “iluminado” por Rodrigo que aos 72’ aproveitou um corte incompleto de Salino, a cruzamento de Maxi, para com o pé esquerdo repor, com frieza de matador, justiça num jogo que o Benfica não merecia claramente perder. A partir desse momento o jogo ficou mais aberto e ambas as equipas procuraram, sem desguarnecer as respectivas estruturas defensivas, chegar ao golo da vitória. Nesta busca, esteve mais perto a equipa da Luz que poderia ter sido feliz por duas vezes: aos 90’ por Bruno César (que bem servido por Rodrigo, numa saída rápida para o ataque, rematou forte mas ao lado do poste direito de Quim) e aos 90’+3’, no último lance do jogo, novamente por Rodrigo que recepcionou bem um passe longo (da direita para a esquerda) de Bruno César e rematou cruzado, de pé canhoto, com a bola a sair muito perto do poste esquerdo. O jogo, atípico por sinal, chegava ao fim com uma igualdade com sabor a pouco para o Benfica da segunda parte… a única em que a iluminação do estádio municipal de braga permitiu que houvesse jogo.

Quis o calendário da Liga 2011/2012 que no primeiro terço da prova o Benfica visitasse o Dragão e a Pedreira na Cidade dos Arcebispos, e a verdade é que ao fecho da 10ª jornada, já com estas duas deslocações efectuadas, o Benfica é líder da prova, o que abre claramente muito boas perspectivas para os dois terços de campeonato por disputar.

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