segunda-feira, 15 de agosto de 2011

F.C. Twente - A antevisão do jogo de dia 16.08.2011

Não sendo o mais importante adversário do Sport Lisboa e Benfica – esse dá pelo nome de Gil Vicente pois é o próximo – a verdade é que ultrapassar o F.C.Twente no “Play-off” de acesso à fase de grupos da Champions League assume grande importância (económica, sim, mas sobretudo moral e mobilizadora) para o que será o Benfica na temporada 2011/12 que agora se inicia.

Campeão em 2009/2010, sob a batuta do inglês Steve McClaren somando 86 pontos (mais um que o Ajax, mais 8 que o PSV e mais 23 que o Feyernoord) e Vice-Campeão em 2010/2011 (perdeu o jogo e o título para o Ajax na última jornada da competição) sob o comando técnico de Michel Preud´Homme, o F.C. Twente é um digno representante do futebol tecnicista e de ataque do país das tulipas.

Agora comandado por Co Adriaanse (que curiosamente perdeu com o Glorioso em casa e fora no ano em que treinou em Portugal), o Twente apresentou recentemente para esta época um modesto orçamento de 45,5 milhões de euros, sendo que entre saídas (fez uma única transferência relevante por 3 milhões de euros de Theo Janssen para o Ajax) e entradas (de baixo custo como o lateral direito Cornelisse, proveniente do FC Utrecht, e o médio Willem Janssen oriundo do Roda), pouco se alterou a estrutura do plantel para esta nova época, que se iniciou com “saborosa” vitória na Supertaça sobre o Ajax (2-1) com quem discute actualmente o domínio da Liga Holandesa.

Se é verdade que a laranja mecânica, e tudo o que se lhe seguiu com origem nela, foram esquemas revolucionários, a verdade é que o futebol holandês não está mais na linha da frente quanto á revolução táctica, mantendo contudo no seu ADN a filosofia ofensiva como principal característica. Ainda que seja equipa (independentemente da era McClaren, Preud’Homme ou Adriaanse) que mantenha por principio a colocação rápida da bola nos flancos, dando largura ao campo, circulando jogo, partilhando do tradicional sistema táctico holandês do 4x3x3, este Twente é, ainda assim, por norma, o mais conservador dos clubes que dominam a Liga Holandesa.
Na baliza, apenas alguma indisponibilidade física impedirá Mihailov de ser titular, o que colocaria na baliza do Twente o veterano (40 anos) Boschker (como ocorreu na 1ª jornada da Liga Holandesa 2011/2012). O quarteto defensivo manterá, tudo indica, intacta a dupla de centrais formada pelo brasileiro Douglas (muito forte no jogo aéreo, muito sereno e com bom domínio de bola) e Peter Wisgerhof (na ausência/indisponibilidade de algum deles o provável substituto será o sueco Rasmus Bengtsson), com Cornelisse (ex- FC Utrecht) como provável lateral direito (o venezuelano Rosales pode ser outra opção, ele que pode jogar nesta posição ou mais adiantado como ala) e Tiendalli como lateral esquerdo (a alternmativa pode ser o belga Buysse).

No meio campo, e tal como na época transacta, o Twente parece surgir em 2011/12 a apostar muitas vezes num duplo-pivot formado por Brama, mais defensivo, ele que fora acompanhado em 2010/11 por Theo Janssen e cuja responsabilidade das transições parece ser agora, em 2011/12, assumida por Willem Janssen. Este duplo-pivot liberta para o apoio ao gigante austríaco Marc Janko, as duas principais figuras da equipa: De Jong e Brian Ruiz.

Sobre Luuk de Jong sabe-se (conforme descrito no trabalho “Os 20 negócios de jogadores que recomendamos em 2011” pelo FUTEBOL FINANCE) tratar-se de um “avançado centro de origem, também capaz de actuar como médio ofensivo ou segundo avançado, viveu a sua época de afirmação na Eredivisie, ao juntar 12 assistências a 12 golos em 32 jogos. Muito inteligente a desmarcar-se, muitas vezes no limite do fora-de-jogo, e extremamente oportuno em zona de finalização, sabe tirar partido do seu bom remate com os pés - o direito é o que melhor define - e do seu poderoso jogo aéreo. Muito trabalhador e com grande sentido colectivo, revela muito bons apontamentos no passe, de costas ou de frente para a baliza, e, apesar da sua elevada estatura, é rápido, móvel e capaz de produzir desequilíbrios no um para um”. Os noventa minutos jogados por De Jong na final da Supertaça frente ao Ajax (30-07-2011) serviram para confirmar todas estas características.

Quanto a Brian Ruiz, o conhecido mestre do “tico-tico” da Costa-Rica  - que foi falado como potencial reforço do Sport Lisboa e Benfica e vê agora o seu nome associado ao Totenham    é claramente jogador para outros voos (entenda-se: clube de maior dimensão e aspiração no futebol internacional).  

Em Maio de 2010, Luís Feitas Lobo descrevia este jogador não como “um ala, longe disso, nem será verdadeiramente só um avançado. É um vagabundo da ligação entre meio-campo e ataque que, movendo-se a toda a largura dos últimos 30 metros, sabe ler os espaços na hora certa para passar ou surgir a rematar”. Para melhor o descrever, dele disse: “A sua forma de jogar, elegante, toque de bola perfeito, cabeça levantada e serenidade a cada passe ou remate, contrastam com a clássica imagem guerreira do jogador da América latina (…). Quase uma ironia de classe no futebol da Costa Rica. Chegou à Europa (…) quando o Gent da Bélgica o descobriu no Aljulense, na pátria dos tico-tico, o nome que tornou célebre a selecção costa-riquense. (…) Parecendo quase deslizar pelos relvados, abalou as estruturas do futebol das tulipas” no ano em que o uruguaio Luis Suarez (hoje no Liverpool) mesmo marcando 35 golos não fez do Ajax campeão, o qual caiu aos pés do Twente de Mclaren, do duplo-pivot Brama-Janssen, do extremo esquerdo Stoch e do vagabundo… Ruiz.

Para as posições normalmente desempenhadas por Ruiz e De Jong – e quando estes perdem alguma capacidade física - Co Adriaanse tem chamado (com menor eficácia e intensidade) o holandês Ola John e/ou o alemão Thilo Leugers.

Finalmente, no flanco esquerdo do meio campo / ataque do Twente, o holandês de 20 anos Steven Berghuis foi titular no jogo da Supertaça e na 1ª jormada frente ao NAC pelo que parte como principal candidato ao lugar, o qual pode ser igualmente desempenhado quer pelo sueco Bajrami (muito rápido, sobre a esquerda, finta menos mas extremamente objectivo a procurar a área) ou o belga (de origem marroquina) Chadli, que é normalmente jogador que arranca com muita mobilidade desde a esquerda e surge por dentro, em diagonais com sentido único: a baliza adversária.

Como sérios avisos ao Benfica, deverão constar a vitória do Twente na fase de Grupos da Champions League no ano passado em Bremen (0-2) e os resultados suados do todo poderoso Inter Milão (1-0 em Milão e 2-2 na Holanda) que lhe garantiram o 3º lugar no grupo atras de Inter e Tottenham, de onde transitou para a Liga Europa. Nessa competição em que o Benfica atingiu as meias-finais, o Twente eliminou o Rubin Kazin (2-0 e 2-2) nos 1/16 Final, depois o Zenit (3-0 e 0-2) nos 1/8 Final, caindo aos pés do Vilarreal nos 1/4 Final com duas derrotas (1-3 em casa e 5-1 em Espanha). É uma equipa que, tal como Benfica, normalmente marca pelo que todos os cuidados defensivos serão poucos... fora e em casa, onde tudo certamente se decidirá.

Certo certo certo é que se tratará de duelo difícil entre duas equipas cujo ADN as obriga a fazer do ataque a sua melhor defesa.

NDR: o Benfica eliminaria os holandeses...

Sem comentários:

Enviar um comentário