Depois da muito falada perda de pontos em Coimbra (culpas a repartir entre a ineficácia na concretização das boas oportunidades criadas e uma arbitragem unanimemente reconhecida como prejudicial), o S.L.Benfica enfrenta nova deslocação dificil nesta 5ª Jornada, visitando desta feita Paços de Ferreira.
Não acreditando que Jorge Jesus possa fazer grandes poupanças nesta partida a pensar no jogo da próxima semana em que receberá o todo-poderoso Barcelona para a Champions - pelo contrário, este jogo do campeonato deverá servir para cimentar rotinas que ainda não estão criadas no "novo" meio campo encarnado - preve-se que o onze inicial benfiquista na Mata Real não fuja do apresentado no Municipal de Coimbra (com excepção da troca de Bruno César por Gaitan, mais provavel, ou Nolito...menos exuberante no arranque desta temporada do que esteva na de estreia):
- quem no apoio a Oscar Cardozo: Rodrigo? Aimar?
- porquê no apoio a "Tacuara" e não a Lima? Rodrigo ou Aimar?
- continuará a aposta em Enzo Perez na posição "8" por terrenos mais interiores e numa movimentação mais próxima de um médio "box-to-box" ou aparecerá Carlos Martins plenamente recuperado e fisicamente capaz de lutar por essa posição no onze?
Na equipa do Paços de Ferreira, orientada por Paulo Fonseca (que reencontra Jorge Jesus, seu treinador no Estrela da Amadora em 2002/2003), também não se esperam grandes surpresas.
Se diz o povo que em equipa que ganha não se mexe, também o mesmo se aplicará a esta equipa que à 4ªJornada ainda não perdeu (é 4ª classificada com 6 pontos decorrentes de 1 vitória caseira sobre o Sportinge de Braga e 3 empates: Estoril e Nacional fora e Moreirense em casa na 1ª Jornada).
Em relação ao onze habitual - que normalmente se apresenta num misto entre o 4x3x3 tradicional e o 4x2x3x1 - a maior dor de cabeça do técnico pacense residirá na substituição do lateral esquerdo Antunes (expulso na ultima jornada), sobretudo porque o seu concorrente directo Nuno Santos se encontra lesionado.
Se considerarmos que:
- o Paços se deverá apresentar em 4x2x3x1 e que Cassio é o guarda-redes titular absoluto;
- o seu técnico não deverá querer beliscar as rotinas da dupla de centrais Coehene-Ricardo;
- o duplo-pivot que actua à frente do quarteto defensivo que mais garantias parece dar é o que fica entregue a Filipe Anunciação e a André Leão, com Vitor uns metros à frente na organização do jogo (serão os seus avanços e recuos que farão oscilar o sistema entre o 4x2x3x1 e o 4x3x3), ladeado à direita por Manuel José e à esquerda por Caetano (se o peruano Paolo Hurtado entretando não recuperar, ele que está convocado à condição) no apoio a Cicero;
serão 4 os nomes possiveis para a lateral esquerda: os médios canhotos Josué ou Arturo Alvarez ou os defesas destros Tiago Valente ou Diogo Figueiras.
De todos estes, Josué parece ser o melhor colocado para a função, não só pelas suas caracteristicas morfologicas, mas por ser o elemento deste lote mais vezes chamado a intervir.
Se for um destes 4 jogadores o eleito para travar as investidas de Salvio, pode o argentino do Benfica saber que para além do seu opositor directo, terá muitas vezes que ultrapassar também o "intratável" Filipe Anunciação que será o apoio defensivo da lateral esquerda pacense.

Pode ainda Paulo Fonseca confiar ao brasileiro Luiz Carlos a função de organizador do jogo ofensivo (vertice adiantado do meio campo em 2x1), puxando Vitor para o lado esquerdo do duplo-pivot, o que pode significar libertar para a função de lateral esquerdo um dos dos polivalentes médios defensivos Filipe Anunciação ou André Leão (ambos destros).
Finalmente, e com essa inclusão de Luiz Carlos no onze e o recuo para o duplo-pivot de Vitor, também não seria estreia absoluta, vermos Filipe Anunciação a fazer de central, o que libertaria Cohene ou, sobretudo, Ricardo para a lateral esquerda.
A falta de um lateral esquerdo de raíz, ainda que uma contrariedade, não diminuirá a força e a moral com que os pacenses receberão este candidato ao título, que para vencer terá certamente que:
- fazer mais e melhor do que fez em Coimbra;
- ter a sorte de uma arbitragem isenta de Marco Ferreira;
- fazer mais do que fez o Braga de Peseiro, na sua máxima força, na deslocação à Mata Real à 3ª Jornada (entre a euforia da epopeia em Udine e o descalabro na Pedreira com o Cluij).
A história vale o que vale e não ganha jogos... se ganhasse, Jorge Jesus poderia ir até à capital do móvel tranquilo já que em 14 jogos para o campeonato nacional na Mata Real, o Benfica venceu 9 (ultimos 5 consecutivos, 3 sob orientação sua), empatou 3 (ultimo em 2006/07 liderado por Fernando Santos) e perdeu 2 (ultima em 2005/06 por 1-3 com Koeman ao comando).
Os dados estão lançados... e para o fim-de-semana poderemos ter um Benfica moralizado a preparar o jogo com o Barcelona ou um Benfica menos eufórico a fazer contas à época na antecamara de receber o colosso catalão.

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