Todos os sucessos na vida são resultado de 3 factores essenciais: SORTE, TRABALHO e ATITUDE...
Se o primeiro é aleatório e só as Leis do Universo decidem a quem bafejar já os outros dois dependem de todos e cada um de nós... em que cada segundo conta, em que cada pequeno gesto tem consequências, em que cada interacção desencadeia outras.
É assim na nossa esfera particular e profissional como é nas organizações (sejam elas empresas, fundações, clubes de futebol).
Se ao BENFICA faltou SORTE - e querendo acreditar que se TRABALHOU o possivel (ainda que custe perceber a evidente quebra fisica do ultimo terço da época bem como alguma falta de planeamento na preparação da mesma e escolhas na formação do plantel, quer nas compras (todos sabemos quem são os casos mais gritantes e não falo de Roberto) quer nas dispensas (Urreta? Miguel Vitor?) - penso que deveria ter havido muito mais ATITUDE...
Não falo apenas na 2ª mão em Braga da Meia Final da Liga Europa (1 golo bastaria para marcar presença em Dublin o que deveria ser fácil para uma equipa que marcava à 35 jogos consecutivos) ou da 2ª mão na Luz da Meia Final da Taça de Portugal (onde se desperdiçou a vantagem trazida de 2-0 do Dragão) mas de toda uma época onde a ATITUDE foi oscilante, dúbia, inconstante.
Acredito que esta recta final de insucessos consecutivos e a imagem instalada de uma equipa apática, fisicamente de rastos e que nem o vislumbre de uma final europeia conseguiu motivar para niveis exibicionais condizentes com aquilo que já produziu esta época, vai ser um festim para as aves necrófagas que sobrevoam a Luz aguardando o momento para se deleitarem com os restos de um grupo que parece moribundo (equipa técnica e jogadores). Pois que se enfardem à grande, desde que não contaminem quem manda e tem que ter a força e o discernimento para não deixar de acreditar que o caminho é este, mesmo que sinuoso e com uma ou outra escorregadela.
Jorge Jesus, não isento de culpas (ele próprio o reconhece), é o Treinador do Benfica e para o Benfica.
O plantel? É o que temos e prefiro intervenções cirugicas locais (um lateral esquerdo que minimize a provavel saída de Coentrão, mais um lateral direito, um médio box-to-box e e um ponta de lança móvel) a uma lipoaspiraão massiva que tire todas as gorduras (que temos algumas) e que no processo faça sangrar também algum do musculo que por ali temos de jogadores à Benfica. Todos temos um pouco de treinador de bancada, e eu não fujo à regra: nunca percebi as dispensas de Urreta e Miguel Vitor, como nunca percebi a insistência em alguns jogadores a quem agradeço cada gota de suor dispendida (e bem paga...) envergando o manto sagrado mas que não me parecem jogadores à escala dos pergaminhos e exigências do clube.
Esta época que terminou (2010/2011) não será uma época para esquecer (e não falo do mérito da Taça da Liga, do 2º lugar na Liga e consequente acesso à Champions ou do atingir uma Meia-Final de uma Competição Europeia) mas para APRENDER...
Aprender a gerir melhor os pós-sucessos do futuro (a esmagadora vitória na Liga 2009/2010 roubou à estrutura directiva discernimento à preparação da época 2010/2011 e elevou demasiado o ego do grupo de trabalho - técnicos e jogadores - e as expectativas da massa adepta do Clube).
Aprender a contratar jogadores que não tenham picos de ATITUDE mas que joguem cada jogo como se estivessem na final da Champions League (como o Luisão, o Máxi Pereira e o Fábio Coentrão).
Aprender que mesmo mantendo a postura e marcar pela diferença comportamental teremos que ser mais combativos em momentos cruciais da época, matéria em que somos goleados por aqueles que incendiam e matam o futebol, alimentando ódios e fomentando a anarquia.
Aprender que em 2 jogadores de nivel médio, um formado na casa e outro estrangeiro (provavelmente mais caro), o primeiro renderá sempre mais 20% ou 30% por força da PAIXÃO e do amor à causa.
Aprender que não basta pedir à massa adepta para estar presente - muitas vezes com dificuldades financeiras - e apoiar a equipa, competido à equipa - que não passará essas dificuldades - gerar na massa adepta vontade e crença na sua entrega e naquilo que vão oferecer em termos de produção, de futebol, de espectaculo e de resultados.
Se tivermos aprendido parte disto, esta época não será para esquecer... será importante para ganhar balanço, para tocar a reunir toda a familia benfiquista rumo a um (e só um para não haver dispersão de esforço) objectivo essencial: o resgatar do título de Campeão Nacional e voltar a pintar o país de vermelho.
Se for essa a ATITUDE, se existir essa entrega ao TRABALHO, também a SORTE sorrir-nos-à... Somos maiores, somos muitos mais, somos uma grande massa adepta... se suarmos, trabalharmos e combatermos tanto quanto os nossos adversários (não inimigos...) acredito que triunfaremos... e as lágrimas que interiormente hoje sangramos, escorrer-nos-ão pelo rosto de felicidade para o ano por esta altura.

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